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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 21 de abril de 2009 22:33:26                                               

 
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Motivação e incentivos salariais diretos e indiretos aos colaboradores

   

José Eduardo Silveira Machado Júnior[1]

publicado em 21/04/2009

 

 

            Atualmente o salário oferecido aos colaboradores de uma organização já não é o único fato motivador de os mesmos atuarem na empresa. Há muitos outros fatores externos e internos relacionados ao bem estar dos funcionários em relação a seus cargos, como por exemplo, os benefícios oferecidos pela empresa. A qualidade de vida vem em primeiro lugar para muitos funcionários e, neste caso, de nada adianta receber gratificações somente financeiras pelo trabalho realizado. Na maioria dos casos, os colaboradores almejam outros fatores que motivem seu empenho para com a empresa em que estão inseridos.

 

 

            Segundo Chiavenato (2003, p.89) “a motivação constitui um importante campo do conhecimento da natureza humana e da explicação do comportamento humano”. Para poder compreender o comportamento das pessoas é preciso conhecer sua motivação. Não é fácil definir o conceito de motivação, já que é utilizado com diferentes sentidos, mas de modo geral, motivo, segundo o autor, “é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma ou, pelo menos, que dá origem a um comportamento específico”. Esse impulso pode ser provocado por um estímulo externo – vindo do ambiente, e pode também ser criado internamente nas pessoas. Dessa forma, a motivação está relacionada ao sistema de cognição do indivíduo.

 

         Para Krech, Grutchfield e Ballachey apud Chiavenato (2003, p.89) “os atos de um ser humano são guiados por sua cognição – pelo que ele pensa, acredita e vê”. Mas para explicarmos o motivo por que ele age daquela forma, entramos na questão “motivação”. Conforme os autores, a resposta acerca à motivação é dada em termos de forças ativas e impulsionadoras, que são os ‘desejos’ e os ‘receios’ deste indivíduo. Este deseja poder, status, receia o afastamento da vida social, as ameaças à sua auto-estima. 

 

         As pessoas são diferentes se referindo à motivação. As necessidades variam de indivíduo para indivíduo, e produzem diferentes padrões de comportamento. Seus valores sociais também são diferentes, bem como suas capacidades para atingir seus objetivos são diferentes. 

 

         Apesar de todas essas diferenças, o processo que dá caráter ao comportamento é mais ou menos semelhante para todas as pessoas: embora padrões de comportamento sejam variáveis, o processo do qual eles resultam é basicamente o mesmo para todos. Neste sentido, existem três hipóteses interrelacionadas a respeito do comportamento humano: 

 

1. O comportamento é causado, ou seja, existe uma causalidade para o comportamento. Tanto a hereditariedade como o meio ambiente, influi no comportamento das pessoas. O comportamento é causado por estímulos internos ou externos.

 2. O comportamento é motivado, ou seja, há uma finalidade em todo comportamento humano. O comportamento não é causal nem aleatório, mas sempre orientado e dirigido para algum objetivo.

 3. O comportamento é orientado para os objetivos. Subjacente a todo comportamento, existe sempre um ‘impulso’, um ‘desejo’, uma ‘necessidade’, uma ‘tendência’, expressões que servem para designar os ‘motivos’ do comportamento (CHIAVENATO, 2003, p.90). 

 

            Há muitas teorias sobre motivação organizacional, principalmente na área da Administração. Uma das mais conhecidas e estudadas nesta área é a Teoria da Hierarquia das Necessidades, formulada por Abraham Maslow. Em sua teoria, estão cinco necessidades: Fisiológicas – fome, sede e outras necessidades básicas do ser humano; Segurança – segurança e/ou proteção física ou emocional; Sociais – afeto, relacionamentos; Estima – amor-próprio e realização como fatores internos e, status e reconhecimento como fatores externos; Auto-Realização – crescimento, e atingimento de potencial e realização.  

 

À medida que uma dessas necessidades se torna satisfeita, o indivíduo tende a almejar a satisfação da seguinte necessidade, sendo as necessidades de baixa ordem sendo as Fisiológicas e de Segurança e, de alta ordem s necessidades Sociais, de Estima e Auto-realização (MASLOW apud CHIAVENATO, 2003 p.92). 

 

         Neste estudo tratou-se principalmente das necessidades de baixa ordem, propostas por Maslow, pois benefícios sociais se enquadram no patamar das necessidades Fisiológicas e de Segurança. 

 

         Enquanto Maslow fundamenta sua teoria da motivação nas diferentes necessidades humanas que é a abordagem intraorientada, Herzberg firma sua teoria no ambiente externo e no trabalho do indivíduo, que é a abordagem extraorientada.

 

 

         Herzberg apud Chiavenato (2003) identificou a existência de dois fatores distintos que devem ser considerados na satisfação do cargo. Um conjunto de fatores que denominou fatores motivacionais ou “satisfacientes” que provoca satisfação com o cargo e com as aparentes melhorias no desempenho. Os fatores motivacionais geralmente fazem parte integral do desempenho do cargo e estão relacionados com as necessidades mais elevadas da hierarquia de Maslow. Os fatores Satisfacientes são: realização, reconhecimento, responsabilidade, crescimento e trabalho em si. Os meios práticos de proporcionar ou incentivar os fatores satisfacientes incluem: Delegação de responsabilidade; Liberdade de exercer discrição; Promoção e oportunidades; Uso pleno das habilidades pessoais; Estabelecimento de objetivos e avaliação relacionada com eles; Simplificação do cargo (pelo próprio ocupante); e Ampliação ou enriquecimento do cargo (horizontal ou verticalmente). 

 

         Outro conjunto de fatores, a que Herzberg apud Chiavenato (2003, p.96) denominou “fatores higiênicos ou “Insatisfacientes” tende a atuar em uma direção negativa”. Segundo Herzberg, os fatores higiênicos referem-se às condições que rodeiam o empregado enquanto trabalha, englobando as condições físicas e ambientais de trabalho, o salário, os benefícios sociais, as políticas da empresa, o tipo de supervisão recebido, o clima de relações entre a direção e os empregados, os regulamentos internos, as oportunidades existentes etc. Correspondem à perspectiva ambiental. Constituem os fatores tradicionalmente utilizados pelas organizações para se obter motivação dos empregados. Herzberg, contudo, considera esses fatores higiênicos muito limitados em sua capacidade de influenciar poderosamente o comportamento dos empregados. Escolheu a expressão “higiene” exatamente para refletir seu caráter preventivo e profilático a para mostrar que se destinam simplesmente a evitar fontes de insatisfação do meio ambiente ou ameaças potenciais ao seu equilíbrio. Quando esses fatores são ótimos, simplesmente evitam insatisfação, sua influência sobre o comportamento não consegue elevar susbstancial e duradouramente a satisfação. Porém, quando são precários, provocam insatisfação.

                                             

Se os fatores higiênicos se situam em um nível abaixo do adequado, em termos de expectativas dos empregados, poderão causar insatisfação. Melhorando esses fatores ou as condições, pode-se remover a insatisfação, com efeitos benéficos. Todavia, elevando as condições acima desse nível adequado, não se obtém nenhuma satisfação e nenhum desempenho elevado com ela associado (HERZBERG apud CHIAVENATO, 2003, p.96). 

 

         Já os fatores motivadores, segundo Herzberg apud Chiavenato (2003), referem-se ao conteúdo do cargo, às tarefas a aos deveres relacionados com o cargo em si. São os fatores motivacionais que produzem em efeito duradouro de satisfação e de aumento de produtividade em níveis de excelência, isto é, acima dos níveis normais. O termo motivação, para Herzberg, envolve sentimentos de realização, de crescimento e de reconhecimento profissional, manifestados por meio do exercício das tarefas e atividades que oferecem suficiente desafio e significado para o trabalhador. Quando os fatores motivacionais são ótimos, elevam substancialmente a satisfação; quando estão precários, provocam ausência de satisfação. 

 

         Enquanto os fatores satisfacientes são intrínsecos, os insatisfacientes são extrínsecos em relação ao cargo ou à atividade do indivíduo. Enquanto ótimos, esses fatores apenas evitam a insatisfação, mas, quando precários, provocam insatisfação. É através deles que as organizações têm tradicionalmente tentado motivar seus empregados. 

 

         Os fatores insatisfacientes incluem: Condições de trabalho e conforto; Políticas da organização e administração; Relações com o supervisor; Competência técnica do supervisor; Salários; Segurança no cargo; Relações com colegas. Para Herzberg apud Chiavenato (2003, p.96), tanto o ambiente externo (contexto ambiental) como o trabalho em si são fatores importantes na motivação humana. 

 

         Para o colaborador, os fatores intrínsecos são os que fazem parte de seu cargo. Já os fatores extrínsecos ocorrem fora do seu cargo, são fatores internos da empresa, podendo-se usar como exemplos suas políticas e práticas administrativas, recompensas financeiras, benefícios, promoções, entre outros. 

 

         Por muito tempo, quando se falava em qualidade de vida nas empresas se pensava principalmente na produção. Atualmente, não se fala somente em qualidade no trabalho, mas também na qualidade de vida dos colaboradores. Isso significa que os colaboradores precisam ser felizes. Segundo Gil (2001) para serem produtivos à empresa, eles necessitam saber que o trabalho que executam é adequado a suas habilidade e que são tratados como pessoa. Não se pode esquecer que uma parte muito significativa da vida das pessoas é dedicada ao seu trabalho, e este, para muitos é uma fonte de identificação pessoal e é natural que queira identificar-se com seu trabalho. Os colaboradores que “vestem a camisa da empresa”, são os mais produtivos e o que mais se identificam com a cultura e os objetivos da empresa em que atuam. Sendo assim, as organizações necessitam desenvolver técnicas e estratégias para atrair e manter colaboradores com essa característica, como, por exemplo, a remuneração variável baseada no desempenho, de acordo com Herzber apud Chiavenato (2003). 

 

         Para Gil (2001) o incremento de remuneração ao desempenho do colaborador não constitui novidade. Em várias empresas, executivos e vendedores têm um incremento em sua remuneração, em forma de dinheiro ou ações à medida que alcançam suas metas, tanto individuais como organizacionais. No entanto, a partir da década de 80, as organizações perceberam que também eram importantes outros valores além do lucro e produtividade. A qualidade, serviço aos clientes, inovação e flexibilidade entre outros, passaram a pesar aos colaboradores em relação a sua remuneração variável. Mas nem todas as empresas que utilizam esse sistema de remuneração variável têm sucesso. Muitos erros são cometidos, e já se pode identificar uma séria de cuidados importantes para não se ter insucesso nesse tipo de remuneração.

         Um dos principais erros observados, segundo Gil (2001), foi o de que muitas empresas ampliaram esse sistema para outras categorias, não somente a dos gerentes. Em muitas delas, não se tinha com real clareza o quanto seus colaboradores poderiam, através de seus desempenhos, influenciar de fato nos resultados do negócio. Outro problema detectado foi a relutância na implantação de gerenciamento e comunicação adequados para fiscalizar de forma eficaz os desempenhos dos colaboradores para saber medir com igualdade a parcela de cada colaborador na participação dos resultados alcançados. 

 

REFERÊNCIAS                            

CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Campus, 1999.  

GIL, Antônio Carlos. Gestão de Pessoas: Enfoque nos papéis profissionais, São Paulo: Atlas S.A., 2001.

 

* Administrador pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA); Especializando em Finanças no Centro Universitário Franciscano (UNIFRA).

Como citar este artigo:

MACHADO JÚNIOR, J.E.S. Motivação e incentivos salariais diretos e indiretos aos colaboradores. P@rtes (São Paulo). V.00 p.eletrônica. Abril de 2009. Disponível em <www.partes.com.br/emrhede/motivacao.asp>. Acesso em ___/___/___.
 

 

 

 
  

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 José Eduardo Silveira Machado Júnior é administrador pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA); Especializando em Finanças no Centro Universitário Franciscano (UNIFRA).

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