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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 08 de fevereiro de 2008 19:50:20                                               

 
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Qual o melhor chefe?

   

Johnny L. Notariano

publicado em  08/02/2008

 

            É realmente muito complicado julgar o comportamento de líderes administrativos. Se perguntarmos para cada um deles, a resposta será sempre a mesma. –“Eu sou bom!” “Não tem nada a ver”, mas a realidade é bem diferente. Todos nós temos problemas, em grande ou menor escala, mas temos. Qual o melhor chefe? O casado com família constituída? O solteiro? O separado legalmente? A mulher casada? A mulher solteira? A mulher separada? É difícil julgar sem esbarrar no tema preconceito e discriminação. Para isso seria preciso fazer pesquisa, sair perguntando aos trabalhadores ou servidores o que acham de seus chefes e depois saber em qual situação, das citadas, eles se enquadram. Homem ou Mulher? Entre outros fatores que determinam o comportamento do chefe, devemos também considerar a religiosidade. Pode parecer uma bobagem, mas tem muita influência nos relacionamentos. Aparentemente é complicado, mas nem tanto, considerem os seus chefes neste momento e depois julguem. Como você vê seu chefe? Um feitor? Um capataz? Um algoz? Um pai? Um amigo? Um bom colega de trabalho? Extrapola no exercício de sua autoridade? Não minta para si mesmo! Você só não teria coragem de falar tête a tête, não é mesmo? Seria deselegante, constrangedor demais para ambas as partes, pois geralmente o bom funcionário não tem a mesma tendência do mau chefe, aquela de agredir a qualquer momento por qualquer motivo, mesmo que tenha a oportunidade para desmascará-lo. Tudo porque você é muito melhor que seu chefe. Tenha certeza, ele teria coragem de falar muito mais tête a tête com você e longe de seus ouvidos.

        São duas posições contrárias, a do proprietário ou chefes de cúpula e a do funcionário. Com certeza, o melhor chefe para o proprietário não é o melhor para o funcionário e o contrário também é verdadeiro. O chefe camarada; compreensivo e humano, geralmente têm vida curta na função. O chefe algoz; ruim; chato, chega a aposentar-se no cargo, vive sendo premiado e tem ascensão brilhante na carreira. Claro que não generalizo, pois existem em todas as regras, exceções notáveis e não são essas exceções que estou me referindo. O relacionamento entre líder e subordinado sempre percorreu o caminho da assimetria com destaques para a imposição de leis pessoais e testes de auto-afirmação sobre os mais fracos. Aí entra a política dos departamentos de Recursos Humanos. O poder nas mãos erradas gera conflitos, danos irreparáveis a todos, incluindo a organização, pois o desgaste nos relacionamentos entre funcionários afetará diretamente o negócio. Acreditem o comportamento do chefe volúvel, depende muito das necessidades de cada trabalhador. O mau chefe com certeza irá descarregar todas as frustrações em cima de algum funcionário pré-escolhido para Cristo. Quer checar? Se você trabalhador for visto como “costa quente” mesmo que você seja um chato ou até relapso na rotina, para ele você sem dúvida será o melhor. Em contrapartida, aquele trabalhador exemplar; sem recursos financeiros; educado; boas maneiras; sem amigos importantes; conhecido como “boca fechada”, se não for da simpatia do chefe, coitado, será uma preza fácil de atacar. Dizem que as mulheres têm mais sorte para trabalhar. Claro, a considerar o sexo oposto na relação de emprego, as vantagens são também para os homens. O que difere é a inteligência da mulher em lidar com as pessoas e saber aproveitar seus dotes naturais. Eu nunca vi mulher feia liderar posições importantes em qualquer negócio. Homem eu já vi. Alguém já se deparou com aeromoça idosa ou feia? A mulher sabe conquistar seu espaço e quando ela quer ninguém segura, ela chega lá. Os raros casos de mulher “pavio curto” não chegam a lugar nenhum, mesmo sendo privilegiada pela beleza, são descartadas. É só observar hoje, as conquistas das mulheres. O homem sucumbiu ou a mulher galgou seu verdadeiro lugar? Está claro, a mulher não depende do homem para nada, o dia que a mulher se conscientizar sobre essa verdade, o homem já não terá tantas utilidades. Observo também o total desconhecimento dos trabalhadores em geral. O trabalhador é o verdadeiro executivo e não aqueles engravatados atrás das mesas só passando ordens. Como o elefante, se soubesse a força que tem, não ficaria no circo. Qualquer organização depende da força de trabalho dos trabalhadores e estes se quiserem, detonam qualquer organização em pouco tempo. O que precisam é união e conscientização.

        O problema e a responsabilidade também são dos profissionais de Recursos Humanos, que extrapolam nas suas ações. Conheci um grande empresário Baiano em uma experiência vivida, que se decepcionou com esse departamento. O filho recém formado em administração substituiu o pai (empresário), que tirou longas férias com a mulher. Ao retornar das férias, o pai, desmontou toda a estrutura de RH criada pelo filho. Os negócios que sempre caminhavam no sucesso, apresentaram-se falhos inclusive os bancos ficaram no vermelho. O filho, por meio do RH, trocou velhos funcionários por novos; dispensou pessoal experiente, enfim apresentou ainda mais despesas desnecessárias e aumentou a improdutividade. Fato semelhante eu tomei conhecimento em uma indústria que trabalhei no começo de minha carreira em São Paulo. Têm especialistas que consideram o DRH como horas improdutivas além de ser a origem de muitos conflitos interpessoais. Quem julga os líderes de Recursos humanos dentro de uma organização? Qual o funcionário que ousa julgá-los ou denunciá-los? São deuses rotulados como verdadeiros intocáveis (Tem quem fale até puxa-saco de patrão). Então, esses são os bons chefes para a liderança de cúpula e para os proprietários da empresa. É um órgão de extrema importância para qualquer organização, mas no Brasil ao que parece, está ausente e engatinhando ainda. Creio que o ideal seria terceirizar profissionais de RH ou contratá-los como se faz com médicos anestesiologistas em hospital, solicitam quando precisam. Eu relaciono os RH com médicos, cuidam também da vida humana. Trabalhar com pessoas não é o mesmo que trabalhar com instrumentos; papéis ou máquinas. Pena que poucos enxergam por essa ótica. Chegará o dia que tudo estará mais bem estruturado, aí sim os DRH causarão orgulho nos trabalhadores. O dia que desmamarem da indústria de recolocação e se desvincularem dos patrões, será o marco inicial da vitória do novo DRH. Eu já trabalhei com chefes, solteiro; desquitado; casado entre homens e mulheres. Categoricamente afirmo o melhor, mais capacitado e mais competente foi o casado e incluo aqui a mulher casada.

        Ser chefe é se despojar de orgulho; enxergar a dignidade humana como fator primordial em qualquer relacionamento; é prezar a moral e a ética; é ser imparcial nas decisões profissionais; é ser transparente; é saber que o seu direito se limita ao começar o direito do outro; é respeitar as necessidades de cada um; é zelar pelo interesse da organização sem ferir o interesse do funcionário; é colaborar para que a hierarquia seja realmente um lugar de satisfação em benefício de todos que fazem parte do jogo; é acabar com as desigualdades; é conhecimento; é sacrifício; é valorizar o privilégio salarial.   Ser chefe é nunca se esquecer, que somos iguais em dignidade; é se doar mais e agradecer por ter tido essa sorte. Lembro-me aqui da máxima Cristã, “A quem muito é dado, muito será cobrado”.  

        Não existe ainda organização perfeita e é claro, nem vai existir, mas tem aquelas que trabalham próximo ao perfeito e se o futuro não quiser se apresentar quebrado, desestruturado, que comecem desde já a mudar a política de relações humanas no trabalho.

        Outro exemplo de imperfeição e que está comprometendo o futuro interpessoal com reflexos na empresa de qualquer tipo e que envolve diretamente a figura do chefe, é o conhecido e bem difundido ASSÉDIO MORAL. É uma praga que acaba com qualquer coisa ligada ao trabalho. Felizmente hoje a conscientização de muitas autoridades jurídicas, tem demonstrado o empenho para aniquilar os responsáveis por essas bactérias patogênicas que destroem os organismos empresariais. O mundo está em crise, o desemprego evidente é um convite à violência já deflagrada entre os continentes. A desvalorização do homem como ser humano é notável e lamentável. A tecnologia não está sendo freada; cada vez mais o homem vem sendo descartado; subestimado e substituído por máquinas e softwares. Nossos jovens já são como velhos experientes e cansados, desorientados e sem objetivos, caminham sem bússolas para o nada. Será que é isso que queremos? Será que esse é o caminho? Será que o objetivo é o caos total?

            Muitíssimo obrigado.

            Johnny Notariano - USP -  notarian@usp.br

 

 

 
  

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Discriminar Funcionário no trabalho - Embasado em comentários
Por Johnny Notariano
publicado em 21/01/2008

 

 

 

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