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É realmente muito complicado julgar o comportamento de
líderes administrativos. Se perguntarmos para cada um deles, a resposta
será sempre a mesma. –“Eu sou bom!”
“Não tem nada a ver”, mas a realidade é bem
diferente. Todos nós temos problemas, em grande ou menor escala, mas
temos. Qual o melhor chefe? O casado com família constituída? O
solteiro? O separado legalmente? A mulher casada? A mulher solteira? A
mulher separada? É difícil julgar sem esbarrar no tema preconceito e
discriminação. Para isso seria preciso fazer pesquisa, sair perguntando
aos trabalhadores ou servidores o que acham de seus chefes e depois
saber em qual situação, das citadas, eles se enquadram. Homem ou Mulher?
Entre outros fatores que determinam o comportamento do chefe, devemos
também considerar a religiosidade. Pode parecer uma bobagem, mas tem
muita influência nos relacionamentos. Aparentemente é complicado, mas
nem tanto, considerem os seus chefes neste momento e depois julguem.
Como você vê seu chefe? Um feitor? Um capataz? Um algoz? Um pai? Um
amigo? Um bom colega de trabalho? Extrapola no exercício de sua
autoridade? Não minta para si mesmo! Você só não teria coragem de falar
tête a tête, não é mesmo? Seria deselegante, constrangedor demais
para ambas as partes, pois geralmente o bom funcionário não tem a mesma
tendência do mau chefe, aquela de agredir a qualquer momento por
qualquer motivo, mesmo que tenha a oportunidade para desmascará-lo. Tudo
porque você é muito melhor que seu chefe. Tenha certeza, ele teria
coragem de falar muito mais tête a tête com você e longe de seus
ouvidos.
São duas posições contrárias, a do proprietário
ou chefes de cúpula e a do funcionário. Com certeza, o melhor chefe para
o proprietário não é o melhor para o funcionário e o contrário também é
verdadeiro. O chefe camarada; compreensivo e humano, geralmente têm vida
curta na função. O chefe algoz; ruim; chato, chega a aposentar-se no
cargo, vive sendo premiado e tem ascensão brilhante na carreira. Claro
que não generalizo, pois existem em todas as regras, exceções notáveis e
não são essas exceções que estou me referindo. O relacionamento entre
líder e subordinado sempre percorreu o caminho da assimetria com
destaques para a imposição de leis pessoais e testes de auto-afirmação
sobre os mais fracos. Aí entra a política dos departamentos de Recursos
Humanos. O poder nas mãos erradas gera conflitos, danos irreparáveis a
todos, incluindo a organização, pois o desgaste nos relacionamentos
entre funcionários afetará diretamente o negócio. Acreditem o
comportamento do chefe volúvel, depende muito das necessidades de cada
trabalhador. O mau chefe com certeza irá descarregar todas as
frustrações em cima de algum funcionário pré-escolhido para Cristo. Quer
checar? Se você trabalhador for visto como
“costa quente” mesmo que você
seja um chato ou até relapso na rotina, para ele você sem dúvida será o
melhor. Em contrapartida, aquele trabalhador exemplar; sem recursos
financeiros; educado; boas maneiras; sem amigos importantes; conhecido
como “boca fechada”,
se não for da simpatia do chefe, coitado, será uma preza fácil de
atacar. Dizem que as mulheres têm mais sorte para trabalhar. Claro, a
considerar o sexo oposto na relação de emprego, as vantagens são também
para os homens. O que difere é a inteligência da mulher em lidar com as
pessoas e saber aproveitar seus dotes naturais. Eu nunca vi mulher feia
liderar posições importantes em qualquer negócio. Homem eu já vi. Alguém
já se deparou com aeromoça idosa ou feia? A mulher sabe conquistar seu
espaço e quando ela quer ninguém segura, ela chega lá. Os raros casos de
mulher “pavio curto” não
chegam a lugar nenhum, mesmo sendo privilegiada pela beleza, são
descartadas. É só observar hoje, as conquistas das mulheres. O homem
sucumbiu ou a mulher galgou seu verdadeiro lugar? Está claro, a mulher
não depende do homem para nada, o dia que a mulher se conscientizar
sobre essa verdade, o homem já não terá tantas utilidades. Observo
também o total desconhecimento dos trabalhadores em geral. O trabalhador
é o verdadeiro executivo e não aqueles engravatados atrás das mesas só
passando ordens. Como o elefante, se soubesse a força que tem, não
ficaria no circo. Qualquer organização depende da força de trabalho dos
trabalhadores e estes se quiserem, detonam qualquer organização em pouco
tempo. O que precisam é união e conscientização.
O problema e a responsabilidade também são dos
profissionais de Recursos Humanos, que extrapolam nas suas ações.
Conheci um grande empresário Baiano em uma experiência vivida, que se
decepcionou com esse departamento. O filho recém formado em
administração substituiu o pai (empresário), que tirou longas férias com
a mulher. Ao retornar das férias, o pai, desmontou toda a estrutura de
RH criada pelo filho. Os negócios que sempre caminhavam no sucesso,
apresentaram-se falhos inclusive os bancos ficaram no vermelho. O filho,
por meio do RH, trocou velhos funcionários por novos; dispensou pessoal
experiente, enfim apresentou ainda mais despesas desnecessárias e
aumentou a improdutividade. Fato semelhante eu tomei conhecimento em uma
indústria que trabalhei no começo de minha carreira em São Paulo. Têm
especialistas que consideram o DRH como horas improdutivas além de ser a
origem de muitos conflitos interpessoais. Quem julga os líderes de
Recursos humanos dentro de uma organização? Qual o funcionário que ousa
julgá-los ou denunciá-los? São deuses rotulados como verdadeiros
intocáveis (Tem quem fale até puxa-saco de
patrão). Então, esses são os bons chefes para a liderança de
cúpula e para os proprietários da empresa. É um órgão de extrema
importância para qualquer organização, mas no Brasil ao que parece, está
ausente e engatinhando ainda. Creio que o ideal seria terceirizar
profissionais de RH ou contratá-los como se faz com médicos
anestesiologistas em hospital, solicitam quando precisam. Eu relaciono
os RH com médicos, cuidam também da vida humana. Trabalhar com pessoas
não é o mesmo que trabalhar com instrumentos; papéis ou máquinas. Pena
que poucos enxergam por essa ótica. Chegará o dia que tudo estará mais
bem estruturado, aí sim os DRH causarão orgulho nos trabalhadores. O dia
que desmamarem da indústria de recolocação e se desvincularem dos
patrões, será o marco inicial da vitória do novo DRH. Eu já trabalhei
com chefes, solteiro; desquitado; casado entre homens e mulheres.
Categoricamente afirmo o melhor, mais capacitado e mais competente foi o
casado e incluo aqui a mulher casada.
Ser chefe é se despojar de orgulho; enxergar a
dignidade humana como fator primordial em qualquer relacionamento; é
prezar a moral e a ética; é ser imparcial nas decisões profissionais; é
ser transparente; é saber que o seu direito se limita ao começar o
direito do outro; é respeitar as necessidades de cada um; é zelar pelo
interesse da organização sem ferir o interesse do funcionário; é
colaborar para que a hierarquia seja realmente um lugar de satisfação em
benefício de todos que fazem parte do jogo; é acabar com as
desigualdades; é conhecimento; é sacrifício; é valorizar o privilégio
salarial. Ser chefe é nunca se esquecer, que somos iguais em
dignidade; é se doar mais e agradecer por ter tido essa sorte. Lembro-me
aqui da máxima Cristã, “A quem muito é
dado, muito será cobrado”.
Não existe ainda organização perfeita e é claro,
nem vai existir, mas tem aquelas que trabalham próximo ao perfeito e se
o futuro não quiser se apresentar quebrado, desestruturado, que comecem
desde já a mudar a política de relações humanas no trabalho.
Outro exemplo de imperfeição e que está
comprometendo o futuro interpessoal com reflexos na empresa de qualquer
tipo e que envolve diretamente a figura do chefe, é o conhecido e bem
difundido ASSÉDIO MORAL. É uma
praga que acaba com qualquer coisa ligada ao trabalho. Felizmente hoje a
conscientização de muitas autoridades jurídicas, tem demonstrado o
empenho para aniquilar os responsáveis por essas bactérias patogênicas
que destroem os organismos empresariais. O mundo está em crise, o
desemprego evidente é um convite à violência já deflagrada entre os
continentes. A desvalorização do homem como ser humano é notável e
lamentável. A tecnologia não está sendo freada; cada vez mais o homem
vem sendo descartado; subestimado e substituído por máquinas e
softwares. Nossos jovens já são como velhos experientes e cansados,
desorientados e sem objetivos, caminham sem bússolas para o nada. Será
que é isso que queremos? Será que esse é o caminho? Será que o objetivo
é o caos total?
Muitíssimo obrigado.
Johnny Notariano -
USP - notarian@usp.br |