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Preciso manifestar minha
indignação e convidar meus leitores a ler nas entrelinhas tudo o que será
relatado abaixo, pois se tratam de situações vivenciadas por milhares de pessoas
todos os dias.
- Vamos por etapas!
Quando somos contratados por
uma organização, seja ela do porte que for, estamos sendo admitidos pela
competência que demonstramos na disputa por aquele cargo, ou seja, chegamos até
lá porque superamos outros candidatos ocupando um lugar de destaque para a
necessidade da organização.
- Parece isso, não parece?
Pois bem! Somos contratados,
os dias se passam, nossas atribuições vão se tornando mais transparentes e o
trabalho vêm sendo executado de acordo com o que estava previsto.
- Vamos usar esta frase no
passado?
O trabalho vinha sendo
executado, porque recebemos a visita ilustre do líder ditador, Senhor X! Aquele
que em vez do espírito de equipe difunde o “Eu sou a equipe”. O típico sabe
tudo!
Quando estávamos nos adequando
ao trabalho, criando vínculos com o ambiente organizacional, ele aparece para
dissociar vínculos. É incrível como ele tem a capacidade de destruição, quando
deveria ser indulgente ao comprometimento e a influência de pessoas.
É necessário apresentar alguns
exemplos do comportamento desse profissional, e para isso vamos utilizar os
personagens: Joana e Paulo.
Chegando ao trabalho e antes
que pudesse dar Bom dia, Joana ouve em alto e bom som:
- Ligue para nosso fornecedor
e resolva o problema do boleto de cobrança emitido fora do prazo!
Em poucos segundos, Joana pega
o telefone, liga para o fornecedor e enquanto interage com ele, questionando e
investigando o que aconteceu, o Senhor X a interrompe e pede para que ela passe
a ligação para ele, pois irá resolver aquela situação.
O Senhor X acabou de se
designar o dirigente da situação e subsequentemente, de tirar total
responsabilidade de Joana à situação que ela tinha sido chamada a resolver.
- Reparem bem! Em nenhum
momento eu relatei no texto que Joana não estava sendo hábil na resolução do
problema, mas o Senhor X optou por apenas se autoperceber.
Imagino quantas pessoas devem
estar se identificando com este relato!
Em uma outra situação, o mesmo
líder solicita ao colaborador Paulo que ele pleiteie melhores custos em relação
a alguns orçamentos realizados sobre o material de escritório fornecido a
empresa.
Imediatamente, Paulo começa a
contatar as empresas em que haviam sido feitos os orçamentos e consegue
apresentar uma negociação bem diferenciada, diminuindo significativamente os
custos e mantendo a qualidade dos produtos oferecidos, sendo que entusiasmado
com a resolução que havia dado ao problema, logo comunica seu líder, que mais
uma vez surpreende!
Em vez de elogiá-lo, pergunta
por que ele não pleiteou custos ainda menores, mesmo que para isso tivesse que
reduzir “um pouco”, a qualidade dos produtos oferecidos.
- Como falar de um líder como
esse!
Relatei estes exemplos, pois
estamos diante de empresários, gestores e lideranças que no século XXI, ainda
limitam-se a ser condescendentes com a falta de capacidade para liderar suas
equipes, lembrando que equipes são constituídas por pessoas com diversos
talentos, que só estão lá por possuírem um ou vários diferenciais.
Quando um colaborador é
convidado a fazer parte de uma organização ele passa a ser parte daquele
contexto. Assim sendo ele não é o registro número 112, o crachá número 150 e o
uniforme número 200!
As pessoas inseridas no
ambiente organizacional devem ter a oportunidade de multiplicar suas habilidades
profissionais, mas para isso precisam de lideranças que atuem de forma coerente
no desenvolvimento de habilidades e orientação de suas equipes, muito diferente
de exercer coerção sobre seus colaboradores.
Delegar tarefas, orientar,
colaborar, influenciar, prestar suporte, oferecer estímulo são algumas das
atribuições que um líder deve ter. Inclusive, muitas pessoas falam sobre as
competências necessárias para se tornar um grande líder, mas a minha pergunta é:
- Quais as características que
um líder, em hipótese alguma, NÃO pode ter?
Nos casos relatados acima, por
exemplo, quanto tempo este líder perdeu e deve perder diariamente, realizando
atividades que ele mesmo delegou as pessoas de sua equipe, e no ímpeto de querer
ser absoluto em todos os processos, inclusive na tomada de decisão, simplesmente
transforma a rotina de seus colaboradores em vários pontos de interrogações
sobre suas verdadeiras tarefas.
- O que eu devo realizar?
- Qual meu papel no contexto
organizacional?
Preciso ainda falar sobre o
último fato, o qual representa uma das piores características no quesito: lidar
com pessoas.
Vamos generalizar uma
situação! Este líder agora com outro colaborador, pede para que ele resolva
problemas com empresas-clientes, sendo que reconhece nesta pessoa, habilidade no
relacionamento interpessoal, além de compreender que é através do atendimento
diferenciado prestado por este funcionário, que estes clientes se mantêm
fidelizados à empresa.
- Vocês devem estar pensando!
Desta vez ele acertou!
Podemos dizer que num ligeiro
momento lógico e racional, sim! Mas evidentemente, sua superioridade faria com
que suas características mais fortes voltassem à tona.
- O que aconteceu?
Logo após este colaborador
ligar para as empresas e de fato resolver todos os conflitos através de uma
forte potencialidade que é a comunicação e o trato com o cliente; este líder
pergunta o que foi resolvido e em questão de alguns instantes, ele mesmo liga
para todos os contatos novamente, e se sobrepõe às soluções apresentadas pelo
seu funcionário, que neste caso só lhe serviu como muleta (up-grade).
Acredito que diante de fatos
como estes todos já devem estar imaginando qual foi o desfecho desta empresa.
Três pedidos de demissão foram
colocados sobre a mesa da gerência de RH, exatamente, daqueles colaboradores que
representavam um grande diferencial para a organização. Mas isso foi só o
começo, pois na seqüência, a empresa começou a perder grandes clientes por mau
atendimento e perda da qualidade de seus produtos e serviços; os fornecedores
sequer atendiam as ligações da área financeira, cansados das constantes
promessas de quitação de dívidas. Não havia outra saída senão a de “fechar as
portas”. Agora a pergunta:
- Como lideranças e gestores
de algumas organizações podem achar que o ser humano pode ser levado em segundo
plano se as grandes engrenagens dos novos tempos compõem-se de pessoas alinhadas
e em busca de sucesso tanto em suas vidas pessoais quanto profissionais?
Fica o questionamento, mas a
certeza de que estamos diante de gestores que se fazem de cegos, lideranças que
fingem não escutar e empresários que se recolhem em suas grandes cadeiras
achando que as soluções estão delimitadas ao espaço amplo de suas grandes salas
e na ponta de suas canetas.
Não dá para parametrizar o
andamento de todas as organizações, pois cada uma tem sua cultura, sua visão de
mercado; mas é necessário compreender que a grande diferença está em dar o
primeiro passo.
Levantem-se de suas cadeiras,
acolham seus colaboradores com frases otimistas, participem do seu dia-a-dia,
deixem suas portas abertas, se for preciso quebrem as paredes que só lhes fazem
esconder; adequem os espaços de suas organizações, fazendo com que todos possam
ver uns aos outros seja recebendo um cliente, entrando para uma sala de reunião,
indo para um treinamento, trocando experiências ou ajudando-se mutuamente, pois
de que adianta quantificar fechamentos de novos negócios se não houver pessoas
competentes para conduzi-los. Compreenda que integrar todas as áreas de sua
empresa será uma de suas mais concretas riquezas, pois se em todos os processos
corporativos, seu colaborador for o grande referencial; estejam certos que o
resultado com ele será bem melhor.
A escolha é de vocês, mas
dependendo do caminho que seguirem; o sucesso ou o fracasso será de todos! |