Jornal do Instituto de
Engenharia - O que é uma ponte estaiada?
Eng. Catão – É uma ponte, cujo
tabuleiro, por onde passam os carros, é suspenso por cabos. E no
caso da obra estaiada, diferentemente da ponte pênsil, como a Golden
Gates e outras mais românticas no Mundo, tem vários cabos ligados a
um mastro, que é um pilar, caracterizando a definição de obra
estaiada, sustentando o tabuleiro. Os cabos são todos semelhantes e
de igual importância para segurar o tabuleiro. Em uma ponte de
tabuleiro suspenso, do tipo pênsil, é diferente, pois há um cabo
principal e outros secundários, pendurados neste cabo, segurando o
tabuleiro. A ponte estaiada é uma tecnologia avançada, a mais
avançada em pontes, em termos de dificuldades técnicas para o
cálculo. O Brasil tem poucas pontes estaiadas. Entrou um pouco
atrasado nesta tecnologia, mas por este fato, aproveitou os melhores
exemplos, tecnologias, materiais. As que estão sendo feitas no
Brasil, sombreiam as de melhor técnica existentes em todo o Mundo.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Quando surgiram as pontes estaiadas?
Eng. Catão – A tecnologia de
ponte estaiada, cresceu depois da Segunda Grande Guerra Mundial. Na
década de 50, a Alemanha usava tabuleiro metálico, com poucos
estais, pois não havia programas de computador para processar e
calcular este tipo de ponte. Os cálculos matemáticos eram feitos à
mão. E eram muito difíceis. Na década de 60, os Estados Unidos e
outros países da Europa entraram neste processo de construção. O
Brasil só foi fazer ponte estaiada na década de 90.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Qual foi a primeira ponte estaiada no Brasil?
Eng. Catão – Foi a ponte sobre o
Rio Pinheiros (metroviária). Fizemos com os franceses, para o
Governo do Estado. É uma ponte estação da Linha 5 do Metrô. A
segunda, é Ponte de Carneirinho, projetada pelos alemães, em
conjunto com um escritório carioca. É sobre o Rio Parnaíba, na
divisa do Estado de Minas com Mato Grosso. Uma feita por um
calculista de São Paulo com franceses e a outra calculista carioca
com alemães. Como eram as primeiras pontes, tínhamos que lançar mão
da tecnologia estrangeira. Hoje existem diversos escritórios em São
Paulo e Rio de Janeiro, que têm conhecimento suficiente para
projetar, sem a necessidade de recorrer aos escritórios
estrangeiros, não só pelo cálculo, mas também pelos programas de
computadores que existem e a grande capacidade dos computadores
atuais.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Por que foi escolhida uma ponte estaiada?
Eng. Catão – Na verdade, a opção
não foi nossa. Quando foi feita a licitação para a concorrência do
projeto básico, já era dito que eram para ser duas pontes estaiadas.
Jornal do Instituto de
Engenharia Quem projetou a ponte Octávio Frias?
Eng. Catão – Ela faz parte de um
complexo viário. Foi projetada por uma dúzia de técnicos. Já no
projeto básico, contamos com a participação do arquiteto João
Valente e do engenheiro Leonardo , na parte do projeto geométrico e
traçado. Houve um arquiteto e um engenheiro francês que nos deram
dicas no início do projeto.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Quanto tempo demorou a construção da ponte desde a sua
concepção até o final?
Eng. Catão – O projeto básico
foi contratado para ser feito em quatro meses, acabou demorando seis
meses e depois houve uma pausa grande para a concorrência pública,
em que foi vencedora a construtora OAS. A construção durou dois
anos. Neste momento, a empresa passa a contratar o projeto
executivo. O arquiteto João Valente e o engenheiro Leonardo
continuaram no projeto, para dar seqüência ao trabalho. Eu fiz a
concepção da obra e trabalhei como consultor, organizando e montando
o time. A concepção da obra não se limita a estrutura. Há uma parte
complexa de velocidade, visibilidade para evitar acidente e ter
fluidez no tráfego, drenagem, pois não se pode jogar água no rio,
pois apesar de estar poluído hoje, no futuro será tratado.
Jornal do Instituto de
Engenharia – E para onde vai esta água?
Eng. Catão – Para uma caixa, que
é retida e depois de verificar se está limpa, é jogada no rio. A
obra atende requisitos de durabilidade de cem anos e guarda um
compromisso com a mais alta tecnologia. Aplicamos todos os critérios
de conservação de energia, ecologia, estética e dinâmica de
operação. Podemos imaginar a estrutura, mas não sabemos se é
possível de ser colocada, em termos de traçado; se as rampas vão
atender às necessidades, se a obra vai ficar econômica; além da
estética, porque quando fazemos um projeto, como engenheiro, nossa
posição é sempre a estrutura simétrica, as linhas retas, as coisas
mais simples de executar, pois o engenheiro tem muita preocupação
com a parte construtiva e com o equilíbrio, para não cair a ponte. O
arquiteto tem a visão mais sofisticada. Dá o tratamento
arquitetônico à estrutura. Quem observa a ponte, vê que ela tem um X
no mastro. São dois tabuleiros, um passando por cima do outro
formando um X. As proporções da estrutura foram feitas pelos
engenheiros, mas o acabamento arquitetônico coube ao arquiteto João
Valente e sua equipe. Nós achamos que a maioria da população vai
gostar da obra, em um senso comum.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Esta vai virar um cartão postal da cidade.
Eng. Catão – Já virou. Em
construção já é um cartão postal. Uma das coisas que deve ser dita
sobre esta obra é a questão do interesse público, que vai da
durabilidade, qualidade, estética e custo da obra, que não pode ser
um absurdo. Diferente do túnel da Juscelino Kubitschek, esta obra
foi licitada por R$ 150 milhões, tem ida e volta, três faixas indo,
três faixas voltando, podendo passar qualquer veículo.
Eng. Leonardo – Há um aspecto
importante neste projeto, pois quando nós fizemos o traçado
geométrico na ponte, tivemos total liberdade para criá-lo e definir
as curvas, para que tivesse o melhor traçado, na melhor velocidade
(80 km/h). Existem várias pontes em São Paulo, que para facilitar a
execução e o cálculo, a obra ficou ruim, no aspecto funcional. É
possível observar em algumas delas, marcas de acidentes e pneus.
Neste caso, nada disto deve acontecer, pois foi feita uma obra com o
melhor traçado possível, dentro das condições existentes e sem que
houvesse nenhum pedido de concessão, para facilitar o cálculo. O
curvo foi a melhor solução de traçado.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Esta ponte curva é única no Brasil? E no Mundo?
Engenheiro Leonardo – Até existe
ponte curva na Europa, mas duas pontes curvas, com um mastro só, é a
única no Mundo.
Jornal do Instituto de
Engenharia - Por quê?
Eng. Catão – A ponte estaiada
curva tem cálculo muito complexo. A maioria das obras são retas,
porque os estais dão uma componente de força que deve ser absorvida
pelo tabuleiro. E quando é curvo, os estais não se equilibram, geram
esforços adicionais, que devem ser combatidos internamente pela
estrutura. Daí, a dificuldade do cálculo. Nós pensamos também na
dificuldade construtiva. Grandes méritos da construção para a Emurb
e para as consultorias que foram contratadas e chamadas a opinar
sobre a viabilidade da obra, segurança e riscos de engenharia. A
ponte deve ser finalizada em janeiro e inaugurada em março. O
arquiteto Valente fez um projeto de integração da área, no entorno
da obra.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Porque os estais são amarelos?
Arq. Valente – Os cabos
tensionados, em uma ponte tradicional, são lineares e retos, com
leitura muito precisa. A inovação tecnológica, de ter feito um X com
os estais cruzando, tem como resultado na imagem não mais de um
desenho geométrico definido, e sem definição clara dos estais. O
que há, é uma grande teia, quase formando um véu em tono da ponte,
com uma leitura diferente. O fato de ter escolhido amarelo, é para
compor esta aura em torno da ponte, com uma definição de uma luz em
volta do mastro. A idéia inicial era usar uma cor para cada estação.
Eng. Catão – São Paulo é uma
cidade de concreto. É uma cidade fria. E jogar com as cores, da
maneira que o arq. Valente está falando, é um requinte.
Arq. Valente – Na cultura
paulista, não há afinidade com cores muito berrantes. É diferente.
Somos sóbrios. O problema de fazer uma cor em cada época é que se
encarecem os leads (lâmpada que dura entre 20 e 30 anos, com
baixo consumo de energia).
Eng. Catão – A maior nota de
dinheiro da Europa, é a de 500 euros, de um lado é um prédio
futurista e de outro é o mapa da Europa inteira e duas pontes
estaiadas, o que significa que ponte une os povos.
Jornal do Instituto de
Engenharia – De que material são feitos os estais?
Eng. Catão – São tubos, com a
bainha que chamamos de invólucro, feito de PHDE (polietileno de alta
densidade), que é para proteger da chuva, do vento e dos raios
ultra-violetas, os cabos que ficam soltos dentro desta bainha
amarela. Os cabos se fixam no mastro e vão até o tabuleiro, para
sustentá-lo. Esta complexidade de geometria e de cálculo resultou
num modelo muito difícil. São 4088 nós, coordenados: pontos que
identificam numericamente esta estrutura no espaço. Daí colocam-se
os esforços, eles vão balançando, e calcula-se quanto coloca-se de
aço em cada posição para resistir aos esforços aos quais é
submetida.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Quantos estais tem na ponte?
Eng. Catão – São 144 estais,
cada um com um comprimento. O mais comprido deve ter entre 180 e 190
metros. A altura é equivalente ao prédio do Banespa. A altura da
Torre é semelhante ao do Hotel Hilton. É possível fazer um
restaurante ou um mirante no topo do mastro. Mas tem que ter um
apoio para coadunar com a obra. E o custo deveria ser de algum
investidor.
Quantas pessoas trabalharam
nesta obra?
Eng. Catão – Em dias de pico,
700 homens trabalhando por dia. Estas pessoas estão trabalhando e
produzindo. A pior coisa é o desemprego. Com obra, há investimento,
dinamizando a sociedade.
Jornal do Instituto de
Engenharia – O que a ponte vai ligar?
Eng. Leonardo – Liga a avenida
Águas Espraiadas à Marginal do Rio Pinheiros (Avenida Nações Unidas)
dos dois lados. Saindo de Pinheiros, sentido Santo Amaro, pode
entrar à esquerda e cair na Águas Esparaidas e pode se dirigir ao
outro lado da Marginal e pra Santo amaro, saindo perro da ponte do
Morumbi.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Qual é a facilidade para o motorista?
Eng. Leonardo – Hoje, se o
motorista quer ir para o Morumbi, a opção é pegar a Berrini,
acessar a Ponte do Morumbi e toda aquela região totalmente
congestionada. Este tráfego será melhorado bastante. Se está na
Águas Espraiadas, pode pegar a Marginal sentido Santo Amaro,
Burlemax, João Dias; pode ir para toda esta região através da ponte.
Existe uma complementação no projeto, que foi licitado, que terá à
disposição uma alça saindo de cima da ponte acessando ao Real Park.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Qual é o tamanho da ponte?
Eng. Catão – Comprimento total é
de quase três quilômetros, com todas as suas alças. Em termos de
área é maior do que o Cebolão (um complexo de viadutos ligando a
Marginal Tietê com a Marginal Pinheiros. São grandes viadutos,
passando um por cima do outro. Este complexo foi feito na década de
70). Depois foi feito o complexo Aricanduva. E a maior obra viária é
o Minhocão, também da década de 70. Exceto o Minhocão, ela é a maior
de todas, em termos de área e em relação ao custo. A melhoria vai
ser muito grande, no tráfego da Berrini, na entrada da ponte do
Morumbi. Boa parte deste tráfego vai poder se utilizar da ponte. Por
outro lado, o fato de ter a ligação facilitada, de quem vem de
Pinheiros rumo a Águas Espraiadas, vai tirar bastante o tráfego, do
acesso da ponte do Morumbi, de quem vem de Pinheiros, tentando
acessar a Berrini ou o Brooklin. Representa, no futuro, uma
alternativa em relação à Avenida dos Bandeirantes, que aliás é uma
reivindicação dos moradores da região de Campo Belo.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Esta obra faz parte de algum projeto de revitalização
das marginais?
Eng. Catão – Vai contemplar,
pois vai trazer um tráfego maior para a marginal e parece que vai
ter uma faixa de alargamento, na marginal do lado de lá do Rio.
Arq. Valetente – Existe
realmente um episódio interessante sobre como foi formada e
desenvolvida a ponte. As duas pontes se estendiam demais e tinham um
impacto forte, começando reta e o entrelaçamento perto da Berrini.
Havia uma complexidade muito grande, que era o impacto do meio
ambiente. Na extensão, no caso da água Espraiada, por conta da
transposição da Rodovia, levava uma concordância muito grande, muito
à frente. E isto tem custo. Quando se fala em redução de custo, esta
era uma proposta muito forte, porque o entrelaçamento de pista se dá
de uma forma muito complexa e não resolvia bem a paisagem da Berrini,
naquela região altamente impactada por viadutos de grande
complexidade e dimensão. Chegou-se à conclusão de que o melhor seria
se as pontes fossem em curva, pois tudo seria compactado. Na época,
o eng. Catão comentou que não havia ponte estaiada em curva. Dois
meses depois, o Catão encontrou a solução. Esta solução, cruzando os
dois tabuleiros por baixo da ponte, além de compactar brutalmente a
obra, reduziu consideravelmente sua extensão. Trouxe uma
característica única, dando personalidade, eliminando todos os
problemas que haviam sobre a Berrini. A obra chega limpa à área
urbanizada. Não tem mais uma confusão de viadutos. Tem um bom ajuste
no meio urbano.
Eng. Catão – A gente conseguiu
aproximar a entrada e a saída da ponte do outro lado da Marginal
Pinheiros. Então, os entrelaçamentos que tinham na saída para a
Santo Amaro, pela ponte do Morumbi, se tornaram muito melhores.
Houve ganho de espaço no entrelaçamento. No outro sentido, tínhamos
algumas agulhas de mudança de pista expressa para local, que se
acomodaram melhor. Conseguimos um acesso melhor, pois as ponteiras
estavam muito distantes, do ponto de cruzamento do rio. Tinham duas
pontes e duas torres, uma de uma ponte e outra de outra. As duas
eram bonitas, mas uma competia com a outra e nenhuma era visível de
quem vinha da avenida jornalista Roberto Marinho. Quando se forma um
x, a visibilidade é total, além de criar uma obra única, pois uma
ponte não compete com a outra. Esta é uma obra bonita, que todos têm
orgulho. E os méritos devem ir para o prefeito Gilberto Kassab, que
pegou a obra parada e seguiu adiante.
Arq. Valetente – São Paulo não
tem mais lugar para obras pequenas. Cada vez mais a cidade precisa
de obras grandes, que dificilmente começam e terminam no mesmo
mandato, mesmo porque o processo é demorado. A vitória desta obra
não é apenas técnica, mas também política.
Jornal do Instituto de
Engenharia – Qual foi o grande desafio?
Eng. Catão – O desafio do
projeto de cálculo foi muito grande. Porque não há referência no
Mundo de obra com raio de curva tão fechado, de uma obra sobre a
outra, e existia um problema de entrelaçamento de cabos, que
geometricamente era difícil resolver, e não podem ficar encostando
um no outro, sob a ação do vento.
Eng.Leonardo – Na verdade os
nossos desafios de elaboração do traçado, não foram tão grandes,
porque tivemos liberdade total para criar o traçado. A estrutura
possibilitou que pudéssemos fazer o traçado, da melhor forma. Talvez
os desafios tenham sido os prazos, as aprovações, tivemos muito
contacto com os técnicos da CET, da Emurb, da Siurb. Por sugestão da
Siurb temos uma faixa a mais de tráfego, que para o futuro, quando
houver um volume grande de tráfego, será possível abri-la.
Eng Catão – O grande desafio foi
deixar o X bonito!
Arq. Valente – Tiveram dois
desafios, na minha área, que são importantes: um do ponto de vista
da arquitetura, ligado mais ao cálculo. Tudo o que se conhece de
ponte, é com ponteiras paralelas ou concordantes. Esta forma das
ponteiras se abrindo eram um grande desafio, como torná-las
harmônicas, em um desenho agradável. E cada vez que se mexia nesta
proporção, o cálculo deveria ser refeito. Para chegarmos a uma
solução à contento, tivemos dez etapas de decisão, que geravam,
projeto e cálculos novos. Mexer em tudo era um grande problema.
Eng. Catão – Sempre se deseja o
mais bonito. O arquiteto tinha um limite, porque às vezes o mais
bonito a estrutura não suporta.
Arq. Valente – Há o trabalho
urbanístico. Quando os tabuleiros chegavam na área da Berrini,
principalmente no urbanizado, desenhava no térreo uma cidade
diferente. Tinha um compromisso com o desenho dele, apesar de ser
uma ponte, promovia o desenho urbanístico. O ajuste desta área
também requereu uma série de trabalhos, junto com a geométrica, no
sentido de favorecer área de plantio, alagar... Houvesse um ajuste
com o cálculo e a geemetria. Entrasse luz, iluminasse bem, ficar uma
área banhada de luz. O resultado é uma área iluminada, por conta dos
resultados.
Eng. Catão – É necessário que
haja o projeto complementar, pois a obra sozinha pode virar um “muquifo”.
Jornal do Instituto de
Engenharia – E o que vai ter embaixo da tabuleiro?
Arq. Valente – A Emurb tem que
urbanizar aquela área, fazer uma área de uso público. A alternativa
é transformar em um espaço cultural de conveniência. A prefeitura
pode concecionar e fazer um boulevard.
Eng. Catão – Há um grande número
de caminhões que entram em São Paulo, passam pela Marginal
Pinheiros, em direção a Santos. Estas caminhões não têm a
alternativa que terão daqui a três anos, quando estiver pronto o
trecho sul do Rodoanel, porque vai fazer com que parte deles não
entre em São Paulo e circule por fora. É uma obra que vai ter
reflexos em São Paulo. Outro aspecto é a Bandeirantes, que é o
caminho para a ponte Ari Torres em sentido a Santos, que está
congestionadíssimo com estes caminhões que vão para o litoral. Quem
vai para o litoral sul, encontra tráfego concorrente de caminhões.
Se a avenida Roberto Marinho for estendida até a Imigrantes, há uma
via paralela que vai desafogar, e muito, a Bandeirantes.
Eng. Leronardo – É fundamental a
continuação da Roberto Marinho, pois com a inauguração da ponte,
haverá um acréscimo bastante grande de veículos, na Pedro Bueno,
Olívio de Moraes, junto à chegada da Estação Conceição.
Eng. Catão – A próxima
administração deve ter senso de continuidade, para que a ponte não
fique solta. A Avenida Roberto Marinho, precisa de começo, meio e
fim.
Arq. Valente – A obra já está
sendo objeto de projeto. Vai ter uma primeira extensão até a Pedro
Bueno, e uma seqüencial até a Imigrantes. Mas no máximo em cinco
anos, esta obra deve ser construída. A Água Espraiada, se seguir a
frente e passar acima da Imigrantes e abaixo do Parque do Estado,
vai sair em São Caetano, na avenida Guido Ariberti e corta a
Anchieta. É um segundo anel que está se desenhando. Tem um
compromisso com a cidade, esboça caminhos novos,.
Eng. Leonardo – São Paulo vai
receber uma obra bonita e grandiosa. Mas São Paulo tem problemas
muito grandes. O transito de São Paulo está completamente
congestionado. Estamos caminhando para um congestionamento diário e
ao longo de todo o dia. O horário de rush será o dia inteiro e à
noite. É preciso ter coragem, para propor soluções do tamanho
proporcional ao problema. É preciso investir em todas as
infra-estruturas, trabalhar com transporte público, viário, sistema
de drenagem. Hoje existe uma malha viária completamente comprometida
é por causa das soluções do passado. Inauguramos obras já
congestionadas. Precisamos inaugurar obras de operacionalidade
razoável, para que o cidadão possa se locomover.
Arq. Valente – Estamos chegando
a um momento, em que está claro que não é ônus do Estado fazer a
cidade, mas da municipalidade. Esta ponte é um bom exemplo disto.