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1. Quem é
Dra. Carolina de Aguiar Teixeira Mendes? Qual
sua
trajetória profissional
e por que
motivo
se interessou pela
Educação
Digital?
Sou
advogada
e consultora
em
Direito
das
Novas
Tecnologias
na
cidade
São
Paulo.
Também
sou
articulista
em
vários
meios
de
comunicação,
escrevendo
sobre
assuntos
referentes
ao
Direito
Digital
em
geral,
Direito
do
Trabalho,
Segurança
da
Informação
e
Educação
na
Era
Digital.
Minha
experiência
internacional
nos
Estados
Unidos e Canadá
como
Assessora
Executiva
e
Jurídica
do CEO/Presidente
e do VP de
Marketing
e
Vendas
na
rádio
virtual
Soundbeat Radio e na gravadora Soundbeat Records,
em
Montréal,
me
proporcionaram a
oportunidade
de aprofundar-me nas
áreas
de
Tecnologia,
Marketing
e
Direito
da
Propriedade
Intelectual.
Também
já
trabalhei no
escritório
Patricia Peck
Pinheiro
Advogados,
mantendo
hoje
parcerias
com
outros
escritórios
especializados
em
Direito
Eletrônico,
inclusive
fora
do
país.
Sou diretora da ONG canadense “Council of Advocates
International” e
membro
da
suíça/americana
“Internet
Society” (ISOC).
Comecei a
me
interessar
pela
Educação
(na
era)
Digital
quando
percebi
que
crianças
e
adolescentes
estão desamparados
quanto
à orientação do
uso
seguro
e
correto
da
Internet.
Fui estudando o
assunto
de forma
multidisciplinar,
conhecendo
sobre
Psicologia,
Educação,
Segurança
da
Informação,
Filosofia
e,
claro,
o
Direito.
Hoje
sou colunista
nos
periódicos
“Klick
Educação”
e “Brasil
Escola”,
e
atualmente
escritora de
livro
relacionado à
Educação
na
Era
Digital,
como
guia
para
pais
e
educadores.
Também
sou
associada
às
organizações
americanas NetFamilyNews, Inc. e Wired Safety, Inc.,
além
da portuguesa MiúdosSegurosNa.Net. Cursei o
programa
iSafe, da i-SAFE America, Inc.,
projeto
de
educação
em
segurança
na
Internet,
promovido
pelo
Departamento
de
Justiça
americano.
Ministro
palestras
no Brasil
inteiro
sobre
segurança,
privacidade,
propriedade
intelectual,
ética
e
cidadania
digital
para
pais,
professores,
crianças
e
adolescentes.
2.
Quais
são
os
perigos
que
nossos
jovens
estão
sujeitos
ao ficarem "on line"?
Os perigos
são vários.
Problemas com Orkut,
pedófilos online à procura
de vítimas, crackers,
cyberbullying, conteúdos
inapropriados a menores,
desinformação
sobre as conseqüências
legais do mau
uso
da Internet,
crimes
cometidos sob a
falsa
impressão de anonimato, inabilidade
de pensamento
crítico
quanto a informações
falsas e verdadeiras disponíveis
na rede,
plágio, pirataria, e
até
uso indevido de
marcas
são situações
corriqueiras que podem
colocar crianças
e adolescentes em
risco.
3. A
família
exerce
um
papel
fundamental
neste
processo?
Absolutamente!
Os
pais
desempenham
papel
importante
na
educação,
mas
muitas
vezes
se sentem perdidos
em
meio
a tantas
inovações
tecnológicas,
sem
saber
quais
os
limites
a serem
impostos,
ou
mesmo
sem
terem
real
conhecimento
dos
perigos
que
seus
filhos
correm
em
virtude
da descontrolada
exposição
online. É
dever
dos
pais
proteger
aos
filhos
e, na
sociedade
digital,
eles
não
têm
outra
opção
a
não
ser
começar
a se
interessar
por
tecnologia,
aprofundando-se no
assunto,
para
poderem
instruir
e
acompanhar
aos
jovens
de
maneira
adequada. Deve
haver
monitoramento,
por
exemplo.
Não
adianta
só
colocar
filtros
de
conteúdo
no
computador
porque
não
há
filtro
que
funcione 100%.
Por
isso
os
pais
devem
assumir a
responsabilidade
que
possuem
em
proporcionar
uma
sólida
educação
de
valores.
4.
Você
acha
necessário
uma
lei
que
discipline o
uso/acesso
da
internet
nas
escolas?
Não
acho
que
seja
necessária
uma
lei,
mas
apenas
a conscientização das
escolas
quanto
aos
perigos
que
os
alunos
estão correndo
pela
descontrolada
exposição
online,
além
da
responsabilidade
legal
que
pode
recair
sobre
a
escola
por
negligência
ou
imprudência.
No
ambiente
escolar,
sugiro a
elaboração
de
políticas
de
uso
da
Internet.
Já
em
casa,
a
família
deve
manter
um
acordo
de
uso
da
Internet,
o
qual
deve ser
respeitado
por
todos
os
membros.
Estas seriam as "leis"
necessárias.
5.
Nossos
professores
sentem-se
preparados
para
lidar
com
esta
questão?
A
maioria
não
se sente
preparada.
Há
um
ou
outro
que
já
percebeu a
necessidade
da
existência
da
disciplina
na
escola,
mas
são
ações
isoladas e incompletas. Há
colégios
que
ministram
aulas
de “Netiqueta”;
outros,
fazem o
trabalho
de conscientização
sobre
o cyberbullying; e
ainda
há
aqueles
que
se esforçam
para
explicar
as
conseqüências
legais
do
mau
uso
dos
meios
digitais.
O
ideal
seria uma
disciplina
que
abordasse
todos
os
aspectos:
segurança,
privacidade,
propriedade
intelectual,
cidadania
e
ética
digital.
Se
não
dermos a
devida
atenção
a
este
novo
tipo
de
educação,
as
crianças
de
hoje
serão
os
adultos
confusos, perdidos e desinformados de
amanhã.
6. O
que
você
entende
por
"sociedade
da
informação"?
Sociedade
da
Informação
é aquela
cuja
cultura
e
economia
dependem
essencialmente
da
tecnologia,
da
comunicação
e da
informação.
Todos
compartilham o
conhecimento
baseados
nas
informações
que
possuem.
Todo
mundo
participa de alguma
maneira
e a
tecnologia
facilita
em
muito
este
processo.
O
problema
é
que
somos bombardeados
com
tanta
informação
que
muitas
vezes
nos
vemos perdidos e assimilando
pouco.
Devemos
nos
organizar.
Outro
perigo
é
não
se
esforçar
em
distinguir
fatos,
boatos
e
opiniões.
O ser
humano
está
muito
passivo
em
relação
às
informações
e deveria
assumir
postura
mais
ativa,
selecionando as
informações
que
mais
lhe
interessam,
bem
como
confirmando a veracidade do
que
se é
dito
por
aí.
7. Basicamente,
em
que
consiste o
projeto
Educação
Digital"?
O projeto
consiste em
palestras
e cursos ministrados
por
mim, cuja
finalidade
é instruir pais,
professores,
mantenedores de escolas,
crianças e adolescentes
sobre o uso
seguro
e responsável dos
meios
digitais. Abordo aspectos
de segurança, privacidade,
propriedade
intelectual, cidadania
e ética digital,
em
linguagem multidisciplinar
(Psicologia,
Educação,
Segurança da Informação e
Direito).
8. Na
sua
opinião,
quais
são
os "males
digitais"?
A
falta
de
educação
quanto
ao
correto
uso
das
novas
tecnologias.
Só
isso.
Porque
a
tecnologia
é
maravilhosa
e facilita
em
muita
nossas
vidas.
Ocorre
que
as
pessoas
não
estão sabendo
como
utilizá-la de
maneira
segura,
preservando a
privacidade,
respeitando a
propriedade
intelectual,
e agindo de
maneira
ética
e civilizada.
9.
Em
alguns
artigos
publicados na
Revista
P@rtes
você
fala
em
assédio
digital.
Em
que
consiste e
como
é
possível
identificar
uma
situação
de
assédio?
Assédio
digital é apenas a
versão
portuguesa da palavra “cyberbullying”,
tendo em
vista que o
assédio
ocorre através dos
meios
digitais. É um
exemplo
de velha conduta
em
novo meio, porém
com conseqüências
ainda
mais graves
que
outrora. Ocorre quando
um aluno persegue e
humilha ao outro no
ambiente
digital (Blogs, Orkut, mensagens
de texto por
celular, etc.), o que
pode causar muito
mais danos
que
o assédio na vida
real, tendo em
vista as pessoas
serem mais cruéis
nos
meios digitais. É
dever
da escola manter
uma política
contra o “cyberbullying”, bem
como
instruir adequadamente aos alunos
quanto às conseqüências
para o assediado e para o
assediador.
10.
Que
recomendações,
em
linhas
gerais,
você
daria
para
as
escolas?
Há muito
o que se falar
e é por
isso que estou
escrevendo um
livro sobre
o assunto. Então,
“em
linhas gerais”,
pediria que esperassem o
lançamento
da obra que
trata
especificamente do papel do
educador
na era digital.
Enquanto
isso, continuamos a oferecer as
palestras
que abrangem vários
dos tópicos
tratados
no texto.
11. Orkut traz
mais
benefícios
ou
malefícios
para
os
alunos?
É difícil
dizer. Depende de quem está usando
e da forma como
o faz. É por
isso que defendo a
educação
quanto ao uso destes
meios. O Orkut é muito
legal
por colocar as
pessoas
em contato,
mas
também pode ser usado para
o mal, mesmo
que
seja sem intenção.
Depende da educação. As
pessoas
devem ter consciência
dos perigos
a fim de evitá-los. Boas
maneiras
também são
indispensáveis.
12.
Reprimir
ou
censurar...
(os
alunos)
Sou
contra
a
censura.
Repressão
também
não
funciona.
Educação
e
instrução
nos
ambientes
escolar
e
familiar
são
a solução.
13.
Como
os
professores
devem
ser
treinados
para
lidar
com
esta
nova
situação?
Não
há segredos. As
escolas
devem procurar
profissionais
especializados para educar
aos professores
sobre como
lidar
com as novas
tecnologias,
para só então
partirem para um
segundo
nível de aprendizado
que
é ensinar as crianças
e adolescentes
e usufruírem a Internet da
maneira
mais saudável e
positiva
possível. Assim,
falamos de dois tipos
de treinamento: a
inclusão digital e a
educação
na era digital.
Um
não proporciona grandes
benefícios se não
houver o outro.
14.
Em
relação
aos
pais,
como
conscientizá-los
para
lidarem
com
esta
nova
realidade?
Primeiramente,
devem começar a se interessar
por
tecnologia. Uma boa técnica
é pedir ajuda
aos próprios
filhos sobre
como
criar uma conta de e-mail
e como
usar mecanismos de
busca,
por exemplo.
Para
os pais que
já
estão mais
avançados
neste processo de
conhecimento, o
ideal é manter a
cumplicidade
participando da Internet
com
o filho. O
computador
também não deve
ficar
no quarto do jovem,
mas
sim em
um
ambiente comum da
casa
por onde passem
pessoas
a todo momento.
O ideal
é que os pais
procurem os poucos
profissionais
especializados em
Educação
Digital ou
mesmo
peçam que a
escola os instrua sobre
o assunto,
pois em meio
a tanta inovação
tecnológica, seria necessário
quase um
“curso” sobre
como
lidar com esta
situação.
Tudo é compreensível,
tendo em vista
que
os jovens de hoje
já
nasceram em uma
sociedade
conectada à Internet,
enquanto
seus pais têm o
sentimento
de nadar em
um
oceano cheio de
tubarões,
sem bóia
ou
sinal de navio
por
perto. Calma, é
só
a sensação!
Navios e bóias
existem. Tubarões
também,
mas em
relação
a estes podemos
aprender a defender
a nós mesmos
e aos nossos
filhos.
15.
Como
deve
ser
a
relação
pais
e
filhos
diante
desta
questão?
Cumplicidade
é a palavra. As
novas
tecnologias estão ocasionando uma
oportunidade
que há muito
tempo
esteve perdida. É hora das
famílias
se unirem novamente
para que
seus membros aprendam
juntos a usar estas
ferramentas. Falamos de participação
familiar mesmo:
pais, filhos, avós…
Não
importa a idade! E lembrem-se:
nada
de repressão ou
censura!
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