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Leia abaixo entrevista com Alaor Vieira, engenheiro
elétrico e gerente administrativo de casas noturnas (Madame
Satã e Saravejo). Aos 52 anos, com o corpo quase todo
tatuado, o pernambucano provoca reações ao ser humano.
P@rtes. A pele ou a vida?
Alaor:
Os dois. A tatuagem representa a evolução da minha vida.
P@rtes. Qual a
primeira e qual a última tatuagem?
Alaor: Tenho
dezenas de tatuagens espalhadas pelo corpo. Hoje elas formam
uma só. A primeira foi um centauro, símbolo de
transcendência; a última foram as engrenagens inacabadas,
engrenagens com ossos humanos. A inspiração veio de Giger,
que também inspirou Ridley Scott no filme “Alien, O Oitavo
Passageiro”.
A
vaidade é...
Com certeza não são minhas tatuagens. Tatuagem no Ocidente é
ego.
Vaidade é uma deficiência humana no sentido de carência,
reconhecimento de personalidade e alimentação de uma
deficiência do ego. Se você tem equilíbrio, não encontra
necessidade de cuidado excessivo.
Para
você o que é estar em harmonia com o mundo?
É estar em estado de constante troca de amor, o que
representa compaixão, sinceridade, interatividade, sintonia
das sensações mais altruístas do ser humano. A busca dos
grandes líderes espirituais é exatamente a harmonia com o
mundo, a interatividade das características mais altruístas
do ser humano. Os líderes políticos falam disso, mas não
fazem, pois falta o estado maior da vontade, que é o amor.
Não basta intelectualidade e visão política; é necessário o
amor.
Qual o
limite da loucura?
Não há limites para a loucura. Loucura é quando se perde
todo o senso de realidade social. O indivíduo mantém uma
realidade própria dentro de uma fantasia, princípios
religiosos, entre outros. Os princípios do louco até podem
ser altruístas, mas ele não tem controle social e real de
seus atos. Um exemplo foi Adolf Hitler.
Existem vários níveis de consciência, então a loucura não
encontra limites.
O que é pior, ganhar e não
levar ou ganhar e arrepender-se?
No sentido kármico, ganhamos e levamos; no
sentido material humano, não levamos coisa alguma.
O pior é ganhar e se arrepender. Arrependimento é como se
todo o processo não tivesse valido a pena. É por isso que
devemos ter foco em nossos caminhos e permanecermos neles.
Neste sentido procuro orientar aos jovens que, perdidos, não
sabem se têm que ganhar tudo na vida e não levar, ou têm
medo de se arrepender depois de ganhar tanto. Antes de
atingir a maturidade, o jovem deve ser instruído a fim de
que faça a melhor escolha diante das possibilidades. Procuro
estimular o discernimento.
Vi a verdade e a verdade dói. Quando o ser humano desperta
para a maturidade, tem que ter cuidado para discernir
situações. Para alguns, ganhar tudo e não levar é muito mais
interessante que ganhar e se arrepender.
A loucura é...
A loucura é um divisor de realidades. O louco não tem
consciência deste divisor. Quando passamos por uma porta e
não percebemos outros níveis de realidade, perdemos a
consciência. A loucura é uma armadilha cósmica.
Um elevado líder espiritual que tem consciência dos
diferentes níveis de abertura da mente, isto é, tem maior
percepção da realidade, do estado do ser, não pode ser
considerado louco.
O que
você aconselharia para o pior inimigo?
Amor.
Se
investido de poder, o que faria para mudar o mundo?
Reuniria os grandes líderes espirituais (seres de elevado
grau de evolução) a fim de que harmonizássemos os seres para
o foco da evolução humana. Seriam elaborados projetos de
grau maior, buscando a condição humana superior. Os projetos
seriam colocados para os grandes líderes políticos de forma
inquestionável. Harmonizaríamos o mundo na política social,
financeira… O mundo seria então liderado por uma única mente
em estado de harmonia, em todos estes aspectos.
O que é o bizarro?
O bizarro é a forma oposta da beleza, dentro do conceito
social.
O que
você não faria por dinheiro?
Não passaria por cima de meus princípios por dinheiro.
Qual
o pior vício?
Os piores são os pecados capitais, que representam todo e
qualquer vício.
Começaria tudo outra vez?
Em relação às tatuagens, não começaria de novo. Não me
arrependo, mas a verdade é que as pessoas ainda não estão
preparadas para este tipo de trabalho. |