Neste feriado de sete de setembro, 40
alunos do ensino médio do Colégio Estadual David
Capistrano vão plantar 123 mudas nativas frutíferas e
florestais de mata atlântica à margem do Rio do Tempo,
região do Sana, distrito do município de Casimiro de
Abreu – área de preservação permanente. A atividade faz
parte do Projeto Carbono Neutralizado iniciado em junho
deste ano, que partiu da contabilização do carbono
emitido pela instituição. No final do mês de setembro, o
projeto atinge o auge, ao receber o SELO PRIMA CARBONO
NEUTRALIZADO. No entanto, está longe do fim. Uma vez
que, “a mudança de postura acerca de padrões de
consumo”, que é um dos pontos principais segundo o
professor de Biologia, Ricardo Harduim, é conseguida
gradativamente. A Agência Notisa entrevistou por e-mail
Harduim, pós-graduado em Ciências Ambientais e
Tecnologia Educacional que idealizou e coordena o
projeto.
Notisa - O que é o projeto do
Carbono que você desenvolve no Colégio Estadual David
Capistrano?
Ricardo - O Projeto
Carbono Neutralizado é o alicerce de um programa de
educação ambiental formal adotado com o intuito de
mobilizar a comunidade escolar do Colégio David
Capistrano, para a percepção, compreensão e participação
efetiva na melhoria da qualidade de vida local em
sintonia com as urgências globais.
O Projeto consiste em atingir as metas
necessárias para o Colégio Estadual David Capistrano
receber o “título” SELO PRIMA CARBONO NEUTRALIZADO e
para isso cumprirá as seguintes etapas: 1-
informação e divulgação; 2-
sensibilização; 3- avaliação do
envolvimento da Comunidade Escolar; 4-
capacitação técnica; 5- atividade
ecológica (plantio de mudas) e; 6-
avaliação final com estudo de continuidade de Projeto e
confirmação acerca da redução do consumo de energia.
Notisa - Como surgiu a idéia de
desenvolvê-lo?
Ricardo - A idéia surgiu
a partir da necessidade de envolver os alunos num
projeto que tivesse um resultado mais efetivo e palpável
quanto às questões socioambientais locais, mas em
sintonia com as urgências globais. O cálculo das
emissões de carbono, a quantidade de mudas a ser
plantada, o próprio plantio, o recebimento da
certificação e a mudança de atitudes no dia-a-dia
escolar foram fundamentais para a mobilização de todos,
inclusive professores e funcionários.
Notisa - Você elaborou o projeto
sozinho ou teve a parceria de outras pessoas e/ou
instituições? Quais?
Ricardo - O Projeto foi
elaborado de forma compartilhada com as diretoras,
alguns professores, alunos e amigos.
Notisa - Que segmentos da Escola
estão envolvidos no projeto e como?
Ricardo - De alguma
forma, toda a comunidade escolar está envolvida no
Projeto. Os professores estão desenvolvendo atividades
pedagógicas com as suas turmas adotando o tema, os
alunos participando através de redação (instrumento
utilizado para seleção de alunos que realizarão o
plantio), os funcionários se preparando para o plantio
das mudas etc..
Notisa - Qual foi a emissão
calculada de carbono emitida pela Escola? Como foi feito
esse cálculo?
Ricardo - Em um ano, o
lançamento de carbono da escola para a atmosfera foi em
torno de 6 toneladas. O cálculo foi baseado no gasto de
energia elétrica e na quantidade de lixo orgânico e gás
butano.
Notisa - Como o plantio de
árvores pode compensar a emissão de carbono da escola?
Ricardo - A árvore,
através do processo fotossintético, tem a capacidade de
seqüestrar carbono do ar incorporando em sua biomassa.
Notisa - Como você conseguiu as
mudas das árvores? Que árvores serão plantadas?
Ricardo - Tivemos o
apoio de mais um parceiro, a Fazenda Queira-Deus,
localizada no município de Miracema, norte do estado do
Rio de Janeiro. Serão todas nativas de mata atlântica,
tais como angico, araçá, ingá, jenipapo, aroeira,
cedro-rosa, ipê e jatobá.
Notisa - O projeto teve algum
apoio financeiro externo?
Ricardo - O Projeto não
teve apoio financeiro externo. Os gastos necessários
(aluguel do ônibus, lanche, convites, etc.) foram
assumidos pelo próprio Colégio.
Notisa - Qual a importância desse
projeto para o meio ambiente? E para os alunos?
Ricardo - Ao receber o
SELO PRIMA CARBONO NEUTRALIZADO, o Colégio Estadual
David Capistrano demonstrará a sua participação efetiva
no combate ao aquecimento global, bem como dará um
exemplo claro e concreto de educação ambiental para a
sua comunidade escolar e para as outras escolas da
Secretaria de Estado de Educação.
Notisa - O projeto faz parte de
uma proposta de educação ambiental? A Escola desenvolve
outras atividades com este cunho?
Ricardo - Desenvolve
menos atividades do que o necessário, porém, os
professores realizam visitas técnicas com os alunos em
unidades de conservação, convidam palestrantes, montam
anualmente uma feira de ciências etc.
Notisa – Quando a Escola vai
receber o selo verde? O que é esta certificação?
Ricardo - No dia da
árvore, 21 de setembro, às 10h30min, a Escola receberá o
SELO PRIMA CARBONO NEUTRALIZADO, uma certificação
validada pela REBIA – Rede Brasileira de Informação
Ambiental (www.rebia.org.br)
e pelo Projeto BECE – Bolsa Brasileira de Commoditties
Ambientais (www.bece.org.br),
através do Acordo de Cooperação Técnico-Científico –
Parceria Comunidade & Educação e, conseqüentemente
monitorado por uma rede de comunicação ambiental,
debatedores e formadores de opinião.
Notisa - Em sua opinião, qual a
importância para a Educação de se criar projetos, como
este, que envolvem os alunos em questões que estão tão
freqüentemente na mídia?
Ricardo - No caso do
tema adotado neste Projeto, vejo que a importância é
despertar a consciência dos atores da comunidade escolar
para a necessidade de mudança de postura individual
acerca dos padrões de consumo, evidenciando que não será
apenas o Selo Carbono Neutralizado a solução para o
problema do aquecimento global ou da qualidade
socioambiental local, e sim a necessária mudança das
atitudes cotidianas em prol da natureza.
Agência Notisa (jornalismo científico
- science journalism)