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José Marques de Melo
Li Tadeu Rocha, amigo de minha família, li o seu parente, Brenno Accioly,
li Oscar Silva, de quem a minha tia, Estellita Alves de Melo Barros
Farias, comprava de sua avó peças de flandres; e só depois de
entrevistar José Marques de Melo, que prefere se assinar JMM, para
descobri Santana do Ipanema berço de escritor best-seller. Seu livro “Comunicação
Social: teoria e pesquisa”, Petrópolis: Vozes, 1970, com
seis edições, chegou à casa dos 20.000 exemplares. Trata-se do primeiro
no Brasil a se doutorar em Jornalismo; era o ano de 1973. Lamento as
escolas em Santana do Ipanema não disporem de uma estante com títulos de
todos os seus escritores. É mais fácil uma criança conhecer lendas
urbanas sobre a famigerada história do cangaço – que pouco acrescenta,
culturalmente – a ter conhecimento das obras literárias dos escritores
de Santana do Ipanema, Alagoas, Sertão de gente séria e trabalhadora.
Se deseja descobrir mais sugiro
http://www.marquesdemelo.pro.br/ esta e outras páginas na web, sobre
o meu entrevistado desta semana. Nesta e em outras páginas encontram-se
novas ideias deste cientista das comunicações. José Marques de Melo é um
jornalista comprometido com os ideais de Santana do Ipanema. Alagoas
cresce impulsionada à inteligência de JMM. A juventude alfabetizada de
Santana do Ipanema tem por dever e por amor à terra maternal adquirir os
bons livros dos escritores santanenses. Ler os seus autores. A cidade se
reflete em seus artistas, em seus intelectuais, em seus professores, em
seus estadistas (ou políticos partidários), em seus religiosos, em seus
formadores de opiniões (ocupando os senadinhos), em seus radialistas, em
seus jornalistas, em seus escritores, em seus poetas.
Santana do Ipanema é terra de poetas, contistas, cronistas, dramaturgos,
romancistas, contadores de histórias, biógrafos, cineastas,
historiadores. Uma terra sertaneja de flora e fauna presente nas linhas
dos livros de seus escritores cujos professores têm a obrigação de ler
cada obra dos escritores santanenses e levá-la à sala de aula, debater
com seus alunos e os seus colegas na sala dos professores. A cidade de
Santana do Ipanema está viva e pulsante em páginas como estas, aqui,
http://www.maltanet.com.br/,
http://www.sertao24horas.com.br/,
http://www.santanaoxente.com/, além de blogs sobre a cidade e o seu
povo, as suas festas e os seus costumes, sobre a sua história, as suas
vitórias e as suas falhas. A biblioteca municipal de minha cidade tem a
obrigação de recepcionar os seus visitantes apresentando-lhes os livros
dos autores locais, indicar a biografia de cada um, criar uma galeria de
fotos dos escritores santanenses para que a cidade não ignore os seus
filhos ilustres. É papel da escola, do museu, da biblioteca identificar
cada nome e cada história de seus escritores, afinal, Santana do Ipanema
é Terra de Escritores.
Professor-Doutor em Comunicação, José Marques de Melo é jornalista desde
fins da década de 1950 em Alagoas e Pernambuco. Correspondente, a
princípio, como foram correspondentes dos jornais de Maceió os
escritores santanenses Djalma de Melo Carvalho, Marcello Ricardo Almeida
e outros, o palmeirense José Marques de Melo iniciou-se no ofício como
jornalista do interior. Em 1964, na Universidade Católica de Pernambuco,
JMM diplomou-se em Jornalismo. Um pesquisador da comunicação, do
jornalismo, da notícia, dos fenômenos sociais. José Marques de Melo é
nome em dezenas de coletâneas, além de seus livros; organiza, juntamente
com Rossana Gaia, “Sertão
Glocal: um mar de ideias às margens do Ipanema”, Maceió:
EDUFAL, 2010. Quem participa desta obra-prima da literatura santanense?
Em ordem alfabética, os convidados foram os escritores Aguinaldo
Nepomuceno Marques, Ainda Bastos Marques, Djalma de Melo Carvalho,
Edilma Acioli Bonfim, Enaura Quixabeira, José Gentil Malta Marques, José
Geraldo Wanderley Marques, José Malta Fontes Neto, José Pinto de Araújo,
Luís Sávio de Almeida, Luitgarde Cavalcanti Barros, Lúcia Nobre, Maikel
Marques, Magnólia Rejane dos Santos, Marcello Ricardo Almeida, Marcos
Marques Pestana, Maria do Socorro Ricardo, Virgílio Wanderely Nepomuceno
Agra. Com “Sertão Glocal:
um mar de ideias às margens do Ipanema”, Santana do Ipanema oferece
informações sobre a diáspora santanense, as conquistas e as trilhas
santanenses, o lugar epifânico na narrativa de Brenno Accioly, a
trajetória mágico-poética de Zé Geraldo, os itinerários de Santana do
Ipanema, as suas reminiscências, as convivências. Este título histórico
“Sertão Glocal:
um mar de ideias às margens do Ipanema” é um panorama literário da
cidade.
Neste livro, “Sertão Glocal:
um mar de ideias às margens do Ipanema”, eu escrevi sobre “Tipos
Populares que Povoam às Margens do Ipanema”.
Este texto é um olhar sobre o fantástico e o extraordinário em minha
terra maternal, nesta narrativa dialogo com um tempo que, talvez, o
tempo o tenha substituído por uma outra Santana do Ipanema, pois falo de
um tempo pré-televisão, pré-internet. Em “Tipos Populares que Povoam às
Margens do Ipanema”, o rio Ipanema
http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Ipanema é a personagem que se
divide em outras personagens. A cidade está de parabéns ao ser lida nas
páginas deste livro, e os fenômenos urbanos santanenses se oxigenam e
Santana do Ipanema cresce em “Sertão
Glocal: um mar de ideias às margens do Ipanema”, por
iniciativa de JMM. Em minha conversa com José Marques de Melo:
1. Quando
você escreveu o primeiro texto e disse a si mesmo: “Esse merece ser
publicado”?
JMM – Meus
primeiros textos eram de natureza jornalística, situando-se, portanto,
na categoria “literatura sob pressão”. Logo, o autor não tem escolha
entre a qualidade estética e a hora do fechamento. Muitos textos, que os
publiquei em jornais ou revistas, eu gostaria de ter burilado melhor.
Mas, não me arrependo de suas fragilidades literárias, porque cumpri
minha responsabilidade de manter leitores bem informados. Mais
importante do que a gratificação artística é a empatia com o
interlocutor. No campo do ensaio acadêmico, produzi várias peças, antes
de publicar um livro. Quando achei que eram razoáveis, eu as reuni em
meu livro de estreia “Comunicação Social: teoria e pesquisa”,
Petrópolis: Vozes, 1970. Felizmente consegui estabelecer sintonia com as
aspirações dos leitores, o que motivou sua reedição sucessiva. Trata-se
do primeiro best seller brasileiro do campo comunicacional; tendo
vendido 20.000 exemplares em 6 edições.
2. Há um
livro que não poderá deixar de ser lido nunca, qual e por quê?
JMM – Há
muitos livros que não podem deixar de ser sidos. Mas como devo indicar
apenas um, destacaria Raízes do Brasil, clássico escrito por Sergio
Buarque de Holanda.
3. Qual o
papel do escritor em Santana do Ipanema?
JMM – Narrar
o que observa na comunidade e interpretar o que vivencia cotidianamente.
4. Com quais
palavras você definiria você?
JMM –
Observador atento, leitor voraz, ouvinte seletivo e narrador
responsável.
5. Alagoas
sempre se orgulhou do seu nome no cenário literário mundial. Hoje se
vislumbram novos talentos com a força dos antigos?
JMM – Alagoas
é uma terra contraditória. Orgulha-se de seus valores, mas só valoriza
quem foi reconhecido fora. Aqueles que lá permanecem lutam com
tenacidade para ter um lugar ao sol. Mas existem exceções, como foi o
caso de Theo Brandão. Também existem novos talentos, com a força dos
antigos. Só espero que, mudadas as circunstâncias, eles não tenham de
migrar para triunfar.
6. Eu
publiquei que Santana é Terra de Escritores. Quais sugestões você
apontaria aos novos escritores santanenses?
JMM – Eu
lamento que os escritores santanenses não sejam lidos pelos seus
conterrâneos. Por isso concito as novas gerações a trabalhar pela
formação de novos leitores. Pois o escritor sem leitores perde o sentido
do oficio.
7. É verdade
que os alunos das escolas santanenses estudam a literatura dos
escritores de Santana do Ipanema?
JMM –
Confesso que se trata de uma boa notícia. O que temo é a carência de
textos disponíveis. Pois se tomarmos como referência os 3 principais
escritores da cidade – Breno, Oscar e Tadeu – vamos observar que suas
obras estão esgotadas e portanto fora de circulação. Hoje há muita
facilidade para publicar na internet, mas sem garantia do controle de
qualidade.
8. Os
livreiros, editores, bibliotecas e escolas do ensino básico veem o livro
de quais maneiras?
JMM – Os
livreiros e editores, como uma mercadoria. Os bibliotecários e os
educadores, como fontes de conhecimento. O que faz falta é a interação
entre os dois grupos, pois o livro publicado em baixas tiragens tem um
preço que inviabiliza seu uso na escola.
9. A cidade
poderia recepcionar os visitantes com placas com nomes dos escritores e
ruas e praças que os homenageassem?
JMM –
Homenagem mais significativa seria a reedição das obras desses
escritores e sua distribuição em toda a rede escolar.
10. Em
Santana do Ipanema os poderes Executivo e Legislativo têm compromissos
com artistas locais?
JMM –
Acredito que sim. Mas como estou fora da comunidade há 50 anos, dou a
palavra aos artistas que lá vivem e criam.
11. Há uma
resistência histórica da mídia em publicar os textos dos poetas e
escritores. Santana participa desta mesma resistência ou programas
radiofônicos leem poesias, crônicas e contos de seus escritores durante
a programação?
JMM –
Respondo por experiência própria. Nunca encontrei resistências.
12. Como os
escritores devem ser lembrados?
JMM – Pela
qualidade das suas obras e pela empatia estabelecida com os leitores
potenciais.
13. Uma
academia de letras não existe apenas para os seus participantes;
geralmente, as academias de letras são fundadas para divulgação da
literatura, para fazerem os escritores chegarem nas mãos do povo. Quais
são as preocupações políticas da agremiação literária da qual você faz
parte?
JMM –
Confesso minha pouca familiaridade com as academias de letras.
14. Alguns
escritores ficam em um único livro; outros passam a vida fazendo os seus
livros. Como você avalia o fazer livros?
JMM – Cada
escritor tem seu estilo e sua maneira de encarar o ofício. É difícil
julgar sem conhecer as circunstâncias.
15. Quais os
livros que você relê?
JMM – Tenho
sempre uma pilha de livros que gostaria de reler, mas não acho tempo.
Agora, por exemplo, estou pesquisando a diáspora intelectual santanense,
sendo imprescindível reler a obra dos nossos pioneiros – Valdemar Lima,
Tadeu Rocha, Oscar Silva e Breno Accioly.
16. Quais os
critérios de escolha aos co-autores de "Sertão Glocal" organizado por
você e Rossana Gaia?
JMM –
Convoquei todos aqueles que formam a nossa diáspora e são capazes de
trazer contribuição relevante, mas nem todos se habilitaram.
17. É verdade
que você levará para Santana do Ipanema uma Faculdade de Jornalismo?
JMM –
Desconheço esse projeto, pois o pólo da UFAL em Santana focaliza o campo
dos negócios. Mas se houver interesse da comunidade e apoio dos poderes
públicos, terei satisfação em orientar.
18. Se os
poderes públicos e privados santanenses lhe convidassem para criação de
um museu na cidade, em qual área mereceria ser reverenciada a memória?
JMM – A
ênfase deve recair sobre a cultura popular, rica, criativa e
surpreendente.

clerisvaldo chagas,
djalma melo, marcello ricardo, brenno accioly
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ESCRITORES SANTANENSES DE TRÊS GERAÇÕES |