.ISSN 1678-8419  

                                                          Revista Partes - Ano IV - 25/10/2005 17:04:10 

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Entrevista com Maria Luiza Falcão
Autora do romance “AFONSO”

QUEM É AFONSO?

Afonso é um mineirinho, um brasileiro como eu ou você, que se lança ao mundo aos quinze anos para viver a sua história. E assim como tantos outros irmãos nossos, vivendo sem o saber desta ou daquela pátria. Vivendo, simplesmente.
 

POR QUE UM BRASILEIRO DAS MINAS GERAIS?

Talvez por consangüinidade. Em algum momento, do meu lado materno, alguém nasceu lá. Algo em Minas, porém, me atrai fortemente. Fernando Sabino, por certo, preenche esta lacuna na minha vida ao descrever tão sabiamente o “ser mineiro”. Sem dúvida um povo que tem ao mesmo tempo história, simplicidade e pureza, é diferente com marca registrada, é poeta, conservador e amante da liberdade, sente o despertar do tempo e o amanhecer da vida, é tudo que eu entendo como “ser gente”. E ainda por cima, fala “uai”!
 

O QUE SE PODE ENCONTRAR NAS PÁGINAS DE AFONSO?

Quase tudo, afinal, são 332 páginas repletas de valores e contrastes. O cotidiano de Afonso não conhece as letras, mas passeia repleto de poesia pelas estradas transportando o alimento, por garimpos extraindo do solo riquezas e mazelas, pelas fazendas plantando e criando, pelos riscos e glórias no mundo dos rodeios, e também, penetra a verdade desnuda das casas de tolerância, sem esquecer a família, de sangue ou não, e do fervor de um povo em suas crenças e festas religiosas. Até de bolo de milho eu falo. Mas, como não sou quituteira, substituí a receita pela revelação do ingrediente principal que a mãe de Afonso misturava à massa e que, depois de pronta, era partilhada aos pedacinhos com o filho, ainda menino, sentado ao colo em sua cadeira de balanço. O ingrediente? Amor.
 

O LIVRO FALA DE SEXO?

Fala de vida. Um jovem pleno em seu vigor físico, hormônios gritando, onde isso pode levar? Assim ele conhece as mulheres “da vida” e passa a vê-las como parceiras, colaboradoras, seres cuja existência é totalmente voltada para a complementação do homem. Quando eles precisam, elas estão lá. Esta visão de cumplicidade gera diálogos ricos e intensos, afinal, elas são também mulheres, e como tais, sensíveis. Ele não hesita em buscar com elas conselhos para suas dúvidas e, não raro, encontra abrigo para seus temores.  Mas elas perdem totalmente sua função quando ele descobre o amor. Passam a fazer parte do passado, do tempo em que ele “era homem solteiro”. Fidelidade, para Afonso, não é apenas um compromisso moral ou social. Está embutida no próprio amor, e se realiza plenamente no sentimento: “homem que escolhe a mulher certa, não precisa de outra”.
 

AFONSO É UMA NOVELA?

Eu prefiro caracterizá-lo como romance, já que narra com densidade de emoção em cada punhado de frases a história de vida de um homem simples e de seu amor por Helena, a escritora. Mas confesso que escrevê-lo foi motivado pelo que eu via e, mais ainda, pelo que eu sentia falta nas novelas rurais. Dei inicio então à redação na linguagem saborosa da nossa gente mais simples, ressaltando os valores humanos. Achei pouco, e decidi inserir no contexto elementos eminentemente urbanos, algo mais ligado a minha própria origem. Mas Afonso era tão fascinante em seu universo que eu fui percebendo mudanças nos personagens cosmopolitas. Mais que modificações, essências que emergiam em todos, libertos de “amarras”, valores inerentes ao ser humano, e que, independentes de origem ou condição social, se irmanam na vida com simplicidade. O romance ficou pronto e tornou-se um excelente argumento para dramaturgia nacional.
 

POR QUE UMA AUTORA QUE SE DEFINE COMO “URBANA” ENVEREDA POR ESTE MUNDO?

Urbana sim, mas apaixonada pelo mundo rural. Na medida do possível, sempre busquei as coisas que me aproximassem deste universo. Sou carioca, e atualmente resido na bucólica Ilha de Paquetá. Pode imaginar algo mais rural incrustado numa grande metrópole? Destas ruas de terra batida e vida pacata entre casario antigo, me transporto para qualquer vilarejo no interior do país adotando como fundo musical as músicas sertanejas, aquelas de letras extensas e profundas. O endereço me auxiliou até na hora de escrever o livro, pois a maior parte do texto foi manuscrita durante meses de trabalho, em horas de espera nas estações das barcas e nas longas viagens de travessia da Baía de Guanabara (cerca de uma hora). Aproveitei também os bancos dos belos jardins do Rio de Janeiro e o silêncio de alguns templos religiosos.

ESTE É O SEU PRIMEIRO LIVRO EDITADO?

Sim. Mas a produção literária passa pelo teatro com Made in Brazil, Vida, A Praça é Limpeza!, e adaptações para a rua dos clássicos da ópera O Navio Fantasma e Pagliacci, onde atuei também como atriz, contracenando e manipulando o boneco “Palito” que “cantava” com a voz de Placido Domingo a ária Vesti la Giubba. Tenho ainda inéditos os romances Olívia e Diário, para teatro infantil Um Amor de Palhaço, Cinderela do Agreste e A Lenda da Moreninha e, teatro adulto, Se Essa Rua Fosse Minha. Alguns contos, crônicas e poesias publicados (www.partes.com.br) como Eu sou o Guardião (escolhido pela Votorantim para publicidade), Virtual, Por um Fio e, Se a Lua Brilha, além de uma coluna semanal (Mulher de Palavra) no www.varginhaonline.com.br.

A LITERATURA É O SEU MUNDO?

Eu diria que a arte é o meu mundo, pois sou artista plástica, pinto os recantos e encantos do meu lugar e me expresso também através de delicadas esculturas em papel. Sou voluntária em projetos sociais, difundindo o incentivo ao hábito da leitura como ferramenta indispensável no desenvolvimento do indivíduo.

E O QUE OS LEITORES DE AFONSO PODEM ESPERAR?

Bem, Afonso é uma história de vida que começa e que, como a própria vida, não para. Afonso II é uma realidade a caminho. Como o próprio leitor pode constatar na última página do livro, uma nova etapa se inicia. Assim, eu concluo o romance: “E a vida continua...”  

ONDE ENCONTRAR EM BELO HORIZONTE:

LEITURA BH SHOPPING, LEITURA SHOPPING PÁTIO, STATUS (Funcionários), LETRAS & EXPRESSÕES (Savassi), LIVRARIA DA TRAVESSA (Funcionários), CAFÉ COM LETRAS (Funcionários), ALFAZETA (Shopping Delrey), OUVIDOR (Savassi), LIVRARIA CLM (Centro)

 

ONDE ENCONTRAR EM VARGINHA:

LIVRARIA DO ESTUDANTE

 

ONDE ENCONTRAR NO RIO DE JANEIRO:

LIVRARIA LETRA & EXPRESSÕES (Leblon), CAFÉ COM LETRAS (Leblon), LIVRARIA DA TRAVESSA (Ipanema), LIVRARIA LEONARDO DA VINCI (Centro), ENCONTRO MARCADO LOCADORA (Ipanema), EÇA & CIA LIVRARIA (Leblon), LIVRARIA CAFÉ DO WILSINHO (Centro), LIVRARIA SOLÁRIO (Centro), CASA DE ARTES PAQUETÁ (Ilha de Paquetá), www.oficinaeditores.com.br ou falcaoml@ig.com.br  

::educação::
 Carta a um velho amigo
Por Sandra Kezen
Sobre o entrevistado



 Maria Luiza Falcão na XII Bienal Internacional do Livro - Riocentro – RJ -  2005

 



 


Maria Luiza na Fazenda Clube Marapendi – Barra da Tijuca - RJ



 


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