QUEM É
AFONSO?
Afonso
é um mineirinho, um brasileiro como eu ou você, que se
lança ao mundo aos quinze anos para viver a sua história. E
assim como tantos outros irmãos nossos, vivendo sem o saber
desta ou daquela pátria. Vivendo, simplesmente.
POR
QUE UM BRASILEIRO DAS MINAS GERAIS?
Talvez por
consangüinidade. Em algum momento, do meu lado materno, alguém
nasceu lá. Algo em Minas, porém, me atrai fortemente. Fernando
Sabino, por certo, preenche esta lacuna na minha vida ao
descrever tão sabiamente o “ser mineiro”. Sem dúvida um povo
que tem ao mesmo tempo história, simplicidade e pureza, é
diferente com marca registrada, é poeta, conservador e amante
da liberdade, sente o despertar do tempo e o amanhecer da
vida, é tudo que eu entendo como “ser gente”. E ainda por
cima, fala “uai”!
O QUE
SE PODE ENCONTRAR NAS PÁGINAS DE AFONSO?
Quase tudo,
afinal, são 332 páginas repletas de valores e contrastes. O
cotidiano de Afonso não conhece as letras, mas passeia repleto
de poesia pelas estradas transportando o alimento, por
garimpos extraindo do solo riquezas e mazelas, pelas fazendas
plantando e criando, pelos riscos e glórias no mundo dos
rodeios, e também, penetra a verdade desnuda das casas de
tolerância, sem esquecer a família, de sangue ou não, e do
fervor de um povo em suas crenças e festas religiosas. Até de
bolo de milho eu falo. Mas, como não sou quituteira, substituí
a receita pela revelação do ingrediente principal que a mãe de
Afonso misturava à massa e que, depois de pronta, era
partilhada aos pedacinhos com o filho, ainda menino, sentado
ao colo em sua cadeira de balanço. O ingrediente? Amor.
O
LIVRO FALA DE SEXO?
Fala de
vida. Um jovem pleno em seu vigor físico, hormônios gritando,
onde isso pode levar? Assim ele conhece as mulheres “da vida”
e passa a vê-las como parceiras, colaboradoras, seres cuja
existência é totalmente voltada para a complementação do
homem. Quando eles precisam, elas estão lá. Esta visão de
cumplicidade gera diálogos ricos e intensos, afinal, elas são
também mulheres, e como tais, sensíveis. Ele não hesita em
buscar com elas conselhos para suas dúvidas e, não raro,
encontra abrigo para seus temores. Mas elas perdem totalmente
sua função quando ele descobre o amor. Passam a fazer parte do
passado, do tempo em que ele “era homem solteiro”. Fidelidade,
para Afonso, não é apenas um compromisso moral ou social. Está
embutida no próprio amor, e se realiza plenamente no
sentimento: “homem que escolhe a mulher certa, não precisa de
outra”.
AFONSO
É UMA NOVELA?
Eu prefiro
caracterizá-lo como romance, já que narra com densidade de
emoção em cada punhado de frases a história de vida de um
homem simples e de seu amor por Helena, a escritora. Mas
confesso que escrevê-lo foi motivado pelo que eu via e, mais
ainda, pelo que eu sentia falta nas novelas rurais. Dei inicio
então à redação na linguagem saborosa da nossa gente mais
simples, ressaltando os valores humanos. Achei pouco, e decidi
inserir no contexto elementos eminentemente urbanos, algo mais
ligado a minha própria origem. Mas Afonso era tão fascinante
em seu universo que eu fui percebendo mudanças nos personagens
cosmopolitas. Mais que modificações, essências que emergiam em
todos, libertos de “amarras”, valores inerentes ao ser humano,
e que, independentes de origem ou condição social, se irmanam
na vida com simplicidade. O romance ficou pronto e tornou-se
um excelente argumento para dramaturgia nacional.
POR
QUE UMA AUTORA QUE SE DEFINE COMO “URBANA” ENVEREDA POR ESTE
MUNDO?
Urbana sim,
mas apaixonada pelo mundo rural. Na medida do possível, sempre
busquei as coisas que me aproximassem deste universo. Sou
carioca, e atualmente resido na bucólica Ilha de Paquetá. Pode
imaginar algo mais rural incrustado numa grande metrópole?
Destas ruas de terra batida e vida pacata entre casario
antigo, me transporto para qualquer vilarejo no interior do
país adotando como fundo musical as músicas sertanejas,
aquelas de letras extensas e profundas. O endereço me auxiliou
até na hora de escrever o livro, pois a maior parte do texto
foi manuscrita durante meses de trabalho, em horas de espera
nas estações das barcas e nas longas viagens de travessia da
Baía de Guanabara (cerca de uma hora). Aproveitei também os
bancos dos belos jardins do Rio de Janeiro e o silêncio de
alguns templos religiosos.
ESTE É
O SEU PRIMEIRO LIVRO EDITADO?
Sim. Mas a produção literária
passa pelo teatro com Made in Brazil, Vida, A Praça é
Limpeza!, e adaptações para a rua dos clássicos da ópera O
Navio Fantasma e Pagliacci, onde atuei também como atriz,
contracenando e manipulando o boneco “Palito” que “cantava”
com a voz de Placido Domingo a ária Vesti la Giubba. Tenho
ainda inéditos os romances Olívia e Diário, para teatro
infantil Um Amor de Palhaço, Cinderela do Agreste e A Lenda da
Moreninha e, teatro adulto, Se Essa Rua Fosse Minha. Alguns
contos, crônicas e poesias publicados (www.partes.com.br)
como Eu sou o Guardião (escolhido pela Votorantim para
publicidade), Virtual, Por um Fio e, Se a Lua Brilha, além de
uma coluna semanal (Mulher de Palavra) no
www.varginhaonline.com.br.
A LITERATURA É O SEU
MUNDO?
Eu diria que a arte é o meu
mundo, pois sou artista plástica, pinto os recantos e encantos
do meu lugar e me expresso também através de delicadas
esculturas em papel. Sou voluntária em projetos sociais,
difundindo o incentivo ao hábito da leitura como ferramenta
indispensável no desenvolvimento do indivíduo.
E O QUE OS LEITORES DE
AFONSO PODEM ESPERAR?
Bem, Afonso é uma história de
vida que começa e que, como a própria vida, não para. Afonso
II é uma realidade a caminho. Como o próprio leitor pode
constatar na última página do livro, uma nova etapa se inicia.
Assim, eu concluo o romance: “E a vida continua...”
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