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Especial Freyre

Ano I - Nº6 - Setembro de 2000

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USP realizou seminário em memória de Gilberto Freire

No dia 17 de agosto terminou o seminário "Gilberto Freyre - Patrimônio Brasileiro" na Universidade de São Paulo. Foi a a maior sessão de debates já feita na USP sobre o sociólogo pernambucano.

"Há momentos de vida e de morte. Momentos de semelhanças e de diferenças. Agora as diferenças encontram o momento do abraço", disse Alfredo Bosi, coordenador do seminário, se declarando "comovido e constrangido".

Bosi, do diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP retratou os mais de 50 anos de "tapas" intelectuais recíprocos entre Freyre e professores da universidade paulista.

Durante quase nove horas de debates, a genealogia e as características dessa inimizade do sociólogo com a "intelligentsia" de São Paulo foram discutidas por professores de oito universidades.

Houve também espaço para discutir temas como a relação de Freyre com o pós-modernismo e seu pioneirismo na abordagem histórica de temas como gastronomia e moda.

O tom dominante foi de conciliação, de ""glasnost" ou "détente'", como definiu outro professor da USP, o historiador Carlos Guilherme Mota. De acordo com ele, as "arengas" entre a universidade e Gilberto Freyre teriam começado em 1943, com uma crítica contundente do professor de literatura Antonio Candido ao conservadorismo do autor pernambucano.

O desconforto da USP com Freyre teria se acentuado em 1964, quando "ele começa um namoro com o regime militar", que "adota a teoria dissolvedora de contradições sociais formulada por ele".

"As pontes devem ser resguardadas", disse Carlos Motta pouco antes de definir Freyre como o principal sociólogo brasileiro do século ao lado do uspiano, o sociólogo e ex-deputado federal Florestan Fernandes.

Foi nas pontes entre teorias distantes como a desses dois pensadores que estruturou seu comentário o professor João Cezar de Castro Rocha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). "Ambos buscaram a decifração do código brasileiro."

O evento contou com a participação dos professores Edson Nery da Fonseca e Tarcisio Costa, da Universidade de Brasília, Ricardo Benzaquen de Araújo, da PUC RioAntonio Dimas, da USP, Peter Burke, de Cambridge, Joaquim Falcão, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Elide Rugai Bastos, da Unicamp, Guillermo Giucci, da UERJ, e Pedro Puntoni, da USP.


              
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