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Compostagem: quando o lixo vira adubo
por Gilberto da Silva
A compostagem pode ser uma boa solução para o grande volume de lixo produzido nas cidades.

A compostagem, que é a transformação do lixo orgânico em adubo, assim como a reciclagem de materiais inorgânicos (separação de plásticos, latas e outros materiais), pode ser a solução para minimizar a grande produção de lixo.

O economista Sabetai Calderoni, em seu livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo", de 1997, calcula que o Brasil perde por ano pelo menos R$ 4,6 bilhões por não reciclar adequadamente o lixo residencial. O reaproveitamento deste lixo, sobretudo dos resíduos orgânicos, no caso da compostagem pode significar um importante ganho para a sociedade. Mas, para tanto, é necessário conscientizar os agricultores para a importância do papel que desempenha os adubos orgânicos, assim como os moradores urbanos para a prática da coleta seletiva - essencial para a qualidade do produto, e dos eventuais riscos de odores.

A compostagem, segundo o Manual de Gerenciamento Integrado - Lixo Municipal - IPT/CEMPRE, é o nome dado ao processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal. "Dá-se o nome de compostagem ao processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal. Esse processo tem como resultado final um produto - o composto orgânico - que pode ser aplicado ao solo para melhorar suas características, sem ocasionar riscos ao meio ambiente. "


Na compostagem os microrganismos convertem a parte orgânica dos resíduos sólidos, num material estável, tipo hummus, conhecido como como composto orgânico. Este composto pode ser aplicado ao solo para melhorar suas características, sem ocasionar riscos ao meio ambiente.

No Brasil o lixo orgânico representa mais da metade do total coletado. Quase a totalidade desse lixo é alterado. O primeiro sistema de compostagem implantado no Brasil foi o Beccari, adotado em mais de 20 cidades e representou um grande avanço no sistema de tratamento de lixo

A cidade de São Paulo opera com duas usinas de compostagem e a cargo de duas empresas contratadas. A Usina de compostagem de São Mateus, inaugurada em 1970 e a usina de Compostagem de Vila Leopoldina, inaugurada em 1974, receberam adaptações que possibilitaram a permanência da atividade até hoje. Ambas processam, aproximadamente, 1600 toneladas por dia de resíduo sólido domiciliar.

A Usina de Vila Leopoldina, depois de reclamações dos moradores que foram morar ao seu entorno, deixou de processar as leiras (pilhas de composto com revolvimentos periódicos para melhorar a aeração e a homogeneização da massa para acelerar o processo de decomposição), devido a uma ação do Ministério Público. A usina produz apenas o pré-composto, que é um material tratado e que teve início de decomposição, com umidade e condições de prosseguir sua degradação biológica.

O lixo quando chega na usina passa por uma triagem manual dos materiais recicláveis como plásticos, vidros, metais não ferrosos, papel e papelão. Os metais ferrosos, as latas e pregos, por exemplo, são removidos por separadores eletromagnéticos. Os mais pesados como tijolos, louça, pedras, são removidos mecanicamente por separadores balísticos.

Passado esta fase o lixo vai para um reator chamado de biodigestor, um cilindro giratório que tem por finalidade uniformizar os componentes heterogêneos do lixo, misturando os mais ricos em nitrogênio com os mais pobres, os mais secos, com os mais suculentos e os mais pesados com os mais leves.

Usina de Vila Leopoldina
aereovleopoldina.jpg (35528 bytes)Segundo o diretor da Divisão Técnica de Compostagem do Departamento de LImpeza Urbana da prefeitura de São Paulo, Deodoro Antonio de Oliveira Vaz, é preciso melhorar a qualidade do composto para aumentar a procura pelo produto. Para tanto, Deodoro propõe, por exemplo, "um trabalho com os resíduos de feiras livres, pois melhorando a qualidade do lixo que entra na usina, melhor será a qualidade final do pré-composto". Este pré-composto precisa sofrer um processo de beneficiamento que é chamado de "cura", portanto, é necessário deixá-lo em leiras ou montes de no máximo 1,80 metros (senão aumenta o cheiro devido a eliminação do chorume) e por aproximadamente 60 dias.

O pré-composto orgânico produzido pela Prefeitura de São Paulo, segundo a Limpurb, tem um valor agrícola de até 20 vezes maior que seu preço de venda. Não podemos esquecer que o composto orgânico não é prejudicial à saúde.

As vantagens da utilização do composto
Há uma série de vantagens para se utilizar o composto, entre elas, a retenção de nutrientes existentes no solo, a agregação de partículas de terra, formando os mesmos grânulos encontrados em terras virgens. A utilização do composto aumenta a capacidade de armazenamento de água e torna o solo mais fértil e fofo, favorecendo o desenvolvimento e a aeração das raízes.
Devolver para a origem, o interior do Estado, os elementos químicos exportados para a metrópole, é um processo ecológico de reciclagem.

Resta conviver com o cheiro do pré-composto, aliás, quanto maior o cheiro do pré-composto, melhor a qualidade do adubo, pois é rico em proteínas e em sais minerais.


Mais informações com:
Usina de Compostagem de Vila Leopoldina. Av. Embaixador Macedo Soares, 6.000 Fone 3831-0092

Usina de Compostagem de São Mateus. Estrada da Fazenda do Carmo, 450 - altura do nº 14.000 da Av. Aricanduva - Fone: 6919-2825

Limpurb. Fone: 3311-6411 ramal 131

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Gilberto da Silva, é editor da Revista Partes

VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO COMPOSTO ORGÂNICO

Retém nutrientes minerais existentes no solo ou aplicados com fertilizantes;

Agrega as partículas de terra, formando os mesmos grânulos encontrados em terras virgens;

Facilita a penetração da água da chuva, diminuindo a formação das enxurradas e reduzindo as perdas de solo por erosão;

Aumenta a capacidade de armazenamento de água;

Torna o solo mais fofo e fértil, favorecendo o desenvolvimento e a aeração das raízes;

Fornece nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, cálcio, magnésio e outros nutrientes;

Forma quelado, um componente que prende os nutrientes metálicos como potássio, cálcio, magnésio, ferro, zinco, cobre e manganês, de forma a não serem arrastados pelas águas, ficando à disposição das plantas.
Fonte: Limpurb

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Composto orgânico como parte de solução para o lixo

Vantagens

A utilização do composto orgânico é vantajosa pois retém nutrientes minerais existentes no solo ou aplicados com fertilizantes; agrega as partículas de terra, formando os mesmos grânulos encontrados em terras virgens; facilita a penetração da água da chuva, diminuindo a formação das enxurradas e reduzindo as perdas de solo por erosão.

E mais vantagens

A utilização do composto orgânico aumenta a capacidade de armazenamento de água; torna o solo mais fofo e fértil, favorecendo o desenvolvimento e a aeração das raízes; fornece nitrogênio, fósforo, potássio, enxofre, cálcio, magnésio e outros nutrientes; forma quelado, um componente que prende os nutrientes metálicos como potássio, cálcio, magnésio, ferro, zinco, cobre e manganês, de forma a não serem arrastados pelas águas, ficando à disposição das plantas.

Função socio-ecológica

O pré composto é um reciclador natural de nutrientes do solo. A compostagem dos resíduos orgânicos contidos no lixo domiciliar transformando-os em um adubo orgânico bom e barato é um processo ecológico, rico e natural.

Interior produz

O interior do Estado produz alimentos retirando nutrientes do solo para produzir carne, frutas, verdura, legumes, ovos, enviando-os para a metrópole que vai gerar o lixo domiciliar contendo cerca de 50% de resíduos orgânicos. As usinas de compostagem transformam essa matéria orgânica em adubo contendo nutrientes para as raízes das plantas e húmus para melhoria das propriedades do solo.

A metrópole pode

Devolver para a origem, o interior do Estado, os elementos químicos exportados para a metrópole, é um processo ecológico de reciclagem. Alimentos gerados pelas plantas e animas enviados para a zona urbana e desta novamente retornando para o interior para as plantas que delas se alimentam.

Solução

A compostagem pode ser uma boa solução para o grande volume de lixo produzido nas cidades. A compostagem, que é a transformação do lixo orgânico em adubo, assim como a reciclagem de materiais inorgânicos (separação de plásticos, latas e outros materiais), pode ser a solução para minimizar a grande produção de lixo.

O economista Sabetai Calderoni, em seu livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo", de 1997, calcula que o Brasil perde por ano pelo menos R$ 4,6 bilhões por não reciclar adequadamente o lixo residencial. O reaproveitamento deste lixo, sobretudo dos resíduos orgânicos, no caso da compostagem pode significar um importante ganho para a sociedade.

Conscientização

Mas, para tanto, é necessário conscientizar os agricultores para a importância do papel que desempenha os adubos orgânicos, assim como os moradores urbanos para a prática da coleta seletiva - essencial para a qualidade do produto, e dos eventuais riscos de odores.

E o cheiro nem sempre é agradável, resta conviver com o cheiro do pré-composto, aliás, quanto maior o cheiro do pré-composto, melhor a qualidade do adubo, pois é rico em proteínas e em sais minerais.


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