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Especial - Eleições |
Ano I - Nº8 - novembro de 2000 |
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O
declínio do malufismo José Genoino Apesar
de Paulo Maluf conseguir 41,5% dos votos válidos, o resultado não
consegue esconder o declínio do malufismo. Maluf obteve, em 1998, na
disputa do segundo turno contra Mário Covas, cerca de 45% dos votos. As
votações de primeiro turno também indicam trajetória descendente do
malufismo: em 1990 ele obteve 37,9% dos votos; em 1992, 37,3%; em 1998,
29,6% e em 2000, 15,7%. Outro dado relevante que deve ser considerado é
que, com exceção de Porto Alegre e Maceió, onde o segundo turno foi
disputado entre candidatos de partidos do campo das oposições, a eleição
em São Paulo foi a que apresentou a maior diferença de votos entre os
dois candidatos nas capitais. Mas
se levarmos em conta a onda de corrupção comprovada e de denúncias que
ainda estão sendo investigadas que varreu São Paulo nos últimos oito
anos, a votação de Maluf pode ser considerada razoável. Alguns fatores
explicam isso. Cerca de 15% a 20% dos votos de Maluf devem ser creditados
ao malufismo, ideologia de direita herdeira do ademarismo e do janismo.
Aparentemente, esta ideologia foi mais forte no passado. Hoje ela tende a
se acantonar em torno dos 10% a 15% do eleitores, número mais ou menos
compatível ao eleitorado de direita de alguns países europeus. Claro que
numa eleição polarizada de segundo turno, um candidato de direita tende
a agregar apoios de parcelas de eleitores de centro. Mesmo
sendo verdade que boa parte do eleitorado não vota por ideologia, numa
eleição ideologicamente polarizada como foi a de São Paulo, o fator
ideológico tende a alavancar afinidades dos votos não-ideológicos. A
grosso modo, podemos definir uma clivagem ideológica do eleitorado
paulistano nos seguintes termos: petismo, antipetismo, malufismo e
antimalufismo. O antipetismo é mais amplo que o malufismo da mesma forma
que o antimalufismo é mais amplo que o petismo. Neste momento, porém,,
as comparações dos resultados de primeiro e segundo turnos mostram que
antipetismo e malufismo apresentam tendências declinantes, e o petismo e
o antimalufismo estão em expansão. No
segundo turno, Maluf explorou essencialmente o antipetismo, sintetizado na
fórmula, "dona Marta do PT". A estratégia malufista julgou
conveniente juntar a imagem da candidata com a do PT. Provavelmente, isto
se deveu à avaliação de que alguns temas abordados por Marta na Câmara
suscitariam perda de votos. Em 1992, no segundo turno, a estratégia também
foi explorar o antipetismo. Mas o viés foi diferente. Com a fórmula,
"não temos nada contra o Suplicy, mas não queremos o PT mandando
aqui", a idéia era dissociar a imagem positiva dele da suposta
imagem negativa do partido, centrando o ataque no PT. Com
a fórmula associativa "dona Marta do PT", a estratégia
malufista consistiu em explorar, de um lado, a demonização do PT,
identificando-o com o MST, com invasões, greves, ocupações e supostos
fracassos na gestão Luiza Erundina. E, por outro lado, introduziu uma
agenda ideológica, não relacionada à eleição, associando-a a Marta,
ao explorar os temas do aborto, do homossexualismo, dos direitos humanos e
da violência. Para viabilizar sua estratégia, Maluf usou expedientes espúrios:
partiu para ataques pessoais, insinuou, caluniou, disseminou inverdades,
explorou um seqüestro inexistente, utilizou as imagens de um padre sem
autorização, etc. Foi desta forma que agregou o apoio do preconceito, da
intolerância, da incompreensão e até de uma cultura antidemocrática
que, de fato, como mostram pesquisas, é alimentada por setores
significativos da sociedade. Apesar
de toda a guerra abjeta do malufismo, a vitória de Marta revela o
fortalecimento da cultura democrática, da aceitabilidade cada vez maior
da temática dos direitos civis e humanos, da crescente exigência
republicana da moralidade pública e da valorização também crescente da
agenda social. O êxito da administração de Marta reduzirá ainda mais o
antipetismo e o preconceito. O malufismo, isolado e em declínio, ao que
tudo indica, não deixará herdeiros. Isto abrirá espaço para uma
redefinição da direita não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. José
Genoino é deputado federal pelo PT/SP (Texto
publicado no jornal O Estado de S.Paulo, 31 de outubro/2000) |
Ampliar
as forças para garantir a vitória oposicionista em 2002
artigo de Renato Rabelo Reforma e Contra Reforma política - Artigo de Haroldo Lima O Brasil gosta do PT - artigo do Lula Quem perdeu, perdeu por quê? - Artigo de Luiz Antonio Magalhães
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