Quem já não passou por algum tipo de constrangimento no ambiente de
trabalho por causa de um maldito ventilador? O ventilador tem muitas
utilidades, uma das quais eu destaco, encher o saco do colega de trabalho;
despentear os derradeiros fios de cabelos dos \carecas\ além de ser poderosa
arma contra a flatulência, aqueles nojentos, caras de páu, que não têm dó de
ninguém, chega até a desopilar a mucosa inflamada e a cura de sinusites
infecciosas; depois, olham serenos, satisfeitos, sem culpa com sorrisos e
risadinhas insinuantes.
Vejo como um equipamento desnecessário e supérfluo. Aquele barulho
insuportável provoca sonolência além de atrapalhar o raciocino durante a
rotina diária. Embora venerado por quem esteja passando pela menopausa;
andropausa; pressão alta e vive mal-humorado; eu não recomendo a ninguém;
tem quem acredite no refrigério do ventilador. Adoram se enganar.
Interessante, a maioria das pessoas, que defendem a idéia do
ventilador, brigavam quando uma fresta de janela estava aberta ou portas
semi-abertas, alertavam e afirmavam categoricamente sobre os perigos da
corrente de vento. Ainda enfatizavam, - \Cuidado, pode pegar uma
pneumonia; uma gripe ou coisa do gênero, esse vento faz mal\. Hoje,
se deliciam com o horror do vento desvairado do ventilador.
Para os aficionados, eu sinto muito, não dá para ser amigo do
ventilador. Duvidam? Entrem em qualquer ambiente de trabalho em dia de
calor, onde todos ligam ventiladores ao mesmo tempo e depois julguem.
Eu já presenciei discussões \kilométricas\ e brigas memoráveis
entre colegas de trabalho por conta do vetor de um ventilador; mulheres;
família além de ter sido vítima desse infeliz equipamento ao contrair uma
daquelas gripes que exige no mínimo, uma semana de \molho\. Incrível, o
ventilador é capaz de fazer \PhD\ perder a linha. Uma daquelas
colegas acadêmica, bonita, orientadora, deixou por um momento a banca,
entrou na minha sala, arrumou os cabelos; abaixou-se para pegar algumas
folhas que voavam de suas mãos; perscrutou onde estava a fonte do
\tornado\; olhou-me fixamente; e \soltou\ em bom tom: - \Desliga essa
merda\. Aí pensei, até que enfim, alma gêmea. Tudo por causa daquele
nojento ventilador.
O pior são aqueles pseudos amigos, \chatos\ de natureza ao
perceberem o ponto fraco, esperam o inverno para usar essa desgraça durante
toda a estação, ainda abrem as janelas e falam que estão com calor! Parece
brincadeira, o mesmo episódio passado com aquela colega em minha sala
aconteceu dentro de um elevador na Universidade. Um amigo de porte atlético,
quase dois metros de altura não estava bem e ouvia-se o som de seu aparelho
estomacal em processo de indigestão alimentar. O compartimento era pequeno e
antigo; super lotação; acima um pequeno e barulhento ventilador. Foi aí, o
elevador parou e junto o ventilador, sem luz para identificar as
fisionomias, o meu citado amigo e colega aproveitou e aliviou uma
flatulência \caprichada\; ainda me olhou e sorriu tranquilamente. Presente
no elevador, uma professora de educação física; tênis nos pés; material
didático nas mãos também perdeu a linha. O elevador estava emperrado, em
desnível, só metade da porta poderia ser usada. Confusão sem desespero, já
estávamos acostumados com aquela \encrenca\ sempre quebrado. Também soltou o
\vernáculo\: - \alguém aí está nos ouvindo?\-Abra essa merda. Não
teve dúvida, desesperada, passou por cima de todos, alcançou a metade da
saída da porta e abandonou o elevador. Foi a primeira vez que senti a falta
do ventilador.
O ventilador também tem outra utilidade devastadora e muitos se
aproveitam disso. É um verdadeiro canhão de alto impacto. O que se joga no
ventilador esparrama rapidinho, imaginem o que jogam. Alguém tem algum
colega com o apelido de ventilador?
Abraços.