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Ano I - Nº12 - março de 2001 |
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Igreja
de Santa Ifigênia Lincoln
Secco Das mais antigas freguesias de São Paulo é a área
em que se construiu a velha capela em adoração a Santa Ifigênia, durante
o século XVII. Popular entre todos. Popular entre os negros. Santa
Ifigênia era uma princesa de Noba, parte da antiga Etiópia. Foi convertida
por São Mateus, martirizado pelo rei. Ao lado havia o reino da Abissínia,
liderado por Elesbão, cristianizado e depois canonizado. Daí a origem da
devoção conjunta aos dois santos: Ifigênia e Elesbão. Foi em 1794 que a Igreja de Nossa Senhora da Conceição
foi chamada de Santa Ifigênia. Porque passou ao poder da Irmandade de Santa
Ifigênia e Santo Elesbão, para negros alforriados. Data também desse ano
a reconstrução da ermida. A Igreja tinha seu cemitério contíguo. Tudo foi
devorado pelo tempo e pelo progresso. A própria igreja, de estilo colonial
tão bonito e pequenino, foi demolida em 1905 e reerguida em 1912. Templo de
estilo gótico. Espremido entre prédios. Defronte à ladeira do Seminário
e ao Viaduto Santa Ifigênia. Desde 1938 a Igreja está sob os auspícios da
Congregação do Santíssimo Sacramento, fundada em Paris (1858) pelo padre
Pierre Julien Eymard (1811-1868). Santo homem, canonizado em 1962 pelo
grande papa João XXIII. Desde 1958 é a “Basílica do Santíssimo
Sacramento”. A vida e o apostolado dos padres dessa Congregação
fundam-se no “insondável mistério da eucaristia”, como diria Norman
Pelletier, SSS (Amanhã será tarde demais: pequena vida de Pedro Julião Eymard). A atual igreja é muito freqüentada, principalmente
no dia 22 de setembro, dia da santa. Ela perdeu aquele seu jeito colonial. É, hoje, grandiosa e repleta das
imagens mais belas. Mas sabe ser humilde. E assistir aos que não têm mais
nada, senão a fé. E como a Santa Ifigênia protege a todos contra incêndios,
tornou-se também defensora da moradia. E dos que desejam conquistar uma
casinha para si e para sua família. Lá encontram guarida os movimentos de
sem teto do centro da cidade. Nos tempos do Padre Paulo Gozzi, SSS, quando a visitei, conheci seu cimo e a pequena biblioteca. Ao voltar pude conversar com o mais assíduo freqüentador daquela igreja. O Sr. Sebastião Gomes, que há 40 anos é devoto da Santa Ifigênia, e que já havia visto em algumas missas dominicais. Tanta devoção fez-me sentir que esta é uma das poucas igrejas que toca diretamente o coração.
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