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Capela da Santa Cruz dos Enforcados
Lincoln Secco
1821. Vésperas da independência
política do Brasil. O Primeiro Batalhão de Caçadores em Santos sublevou-se. Líder da
revolta foi o cabo Francisco José das Chagas (o Chaguinhas). Os motivos: aumento do soldo
e igualdade no tratamento de soldados brasileiros e portugueses. A sentença do
Chaguinhas: a morte pela forca.
São Paulo vivia sob
o governo provisório: um acordo que unia desde conservadores, como João
Carlos
Oeynhausen e Francisco Inácio de Souza Queiroz, até liberais como os Andradas. A
sedição de Santos foi duramente reprimida por este governo. A cidade de São Paulo
também aproximava-se de um momento histórico que a alçaria à condição de palco da
proclamação da independência e da Aclamação do Imperador D. Pedro I, nas
dependências do Pátio do Colégio, por obra e voz do Padre Ildefonso Xavier. Um dos
motivos que trouxeram o imperador à terra paulista foi a bernarda de Francisco Inácio,
conspiração e levantamento da facção conservadora desse membro da família Souza
Queiroz.
Mas ainda corria o
ano de 1821. O Chaguinhas vivia na lembrança dos paulistanos como o menino querido
daquela cidade do início do século XIX. Cidade provinciana. Ensimesmada. Colonial.
Crescera o menino na rua das Flores (atual Silveira Martins, pois a atual rua das Flores
é a antiga travessa das Flores). Pertinho da
Igreja do Carmo. Crescera como menino pobre, sem ofício. Sempre às ordens para pequenos
trabalhos. Nadando pelo Anhangabaú. Correndo pelas ruazinhas estreitas, como nos diz Nuto
Santanna em seu romance histórico,
Santa Cruz
dos Enforcados. Conseqüência natural para o Chaguinhas (e uma provável oportunidade
de vida) foi seu engajamento militar. Em Santos.
Sua condenação
chocou a cidade. A forca foi erguida no atual Largo da Liberdade. No dia 20 de setembro de
1821 houve a execução. Primeiro foi o soldado Contindiba, seu companheiro de
infortúnio. Depois...a corda arrebentou e o Chaguinhas caiu, lépido e vivente. O povo,
que a tudo assistia, gritou: Liberdade!. Era o costume, desde priscas eras,
perdoar-se o condenado, ou comutar-lhe a pena, em casos semelhantes. Era a vontade de
Deus, mais poderosa que a dos homens.
Mas o governo,
consultado, foi intolerante. Que se o executasse de novo. E assim se fez. Mas eis que a
corda arrebentou de novo. E o povo gritou: Milagre!. Mas o Chaguinhas foi
enforcado na terceira vez!
Tamanha injustiça,
associada ao milagre, gerou uma devoção imediata naquele local. Velas foram acesas e uma
cruz foi erguida. Dizem que nem vento, nem chuva apagavam as velas! Depois de muito tempo
erigiu-se uma capela, em 1887 (segundo Miguel Milano em seu livro
Fantasmas de São Paulo, p.23). Mas a
documentação primária diz que sua primeira missa celebrou-se em 1 de maio de 1891, ano
de sua fundação. Sua festa passou a se dar no dia 3 de maio, pois em abril de 1911 a
Irmandade de Santa Cruz dos Enforcados solicitou ao vigário foral do arcebispado (São
Paulo já se tornara sede de Arquidiocese nessa época), a permissão para a procissão e
a festa de 3 de maio.
Conforme documentos
existentes no Arquivo da Cúria Metropolitana, a capela sofreu reformas de vulto nos anos
vinte. No início desse ano jubileu (2000), houve um incêndio provocado por uma
quantidade enorme de velas que uma devota ali depositou. O que não é novidade na
história dessa capela, pois outros pequenos incêndios ali ocorreram desde o início
desse século XX. Felizmente, o templo permaneceu intacto.
A Capela continua sinistra por fora, mas muito
simples e acolhedora por dentro. Capela de Santa Cruz das Almas dos Enforcados. Ou
simplesmente Igreja das Almas.
Endereço: Praça da Liberdade, 238 – 01503-390 –
Liberdade – SP
Tel.: 3208-7591
Horários de Missas:
2ª feira: às 7:00h, às 08:00h, às 09:00h, às 10:00h, às
12:00h, às 15:00h, às 17:00h e às 18:30h
3ª feira a 6ª feira: às 08:00h, às 09:00h e às 18:00h
Sábado: às 08:00h e às 9:00h
Domingo: às 08:00h, às 09:30h e às 10:30h
Atendimento de Confissões:
2ª feira: das 18:00h às 18:30h
6ª feira: das 15:00h às 17:30h
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