Capela de Santa Luzia
Lincoln Secco
Esta capelinha,
quase escondida num canto da Rua Tabatingüera, fica bem próxima à quadra do Sindicato
dos Bancários de São Paulo. Foi erigida, conforme se lê na placa postada bem à frente,
por Ana Maria de Almeida Lorena Machado. Orae por ella ainda reza a placa! A
Capela foi inaugurada em 13 de dezembro de 1901. É a mais nova das igrejinhas que
descrevemos. Mas está entre aquelas que tem imagens belas às quais se dedica todo o
cuidado.
Por muito tempo foi a
capelania dos franceses.
A Santa Luzia protege
o olhar dos que vêem e dos que não o fazem. Porque não querem. Ou não podem. Lembremos
que Jesus disse a Tomé: Porque viste, creste. Felizes os que não viram e
creram (João, 20:30). Quantos os que acreditam hoje mesmo vendo?
Seu dia é 13 de
dezembro. Dia de festa. De muita comemoração. Mesmo dia de Santa Otília e de Santa Rosa
Isabel, aquela que viveu como eremita na cavidade de um carvalho, no século XII.
A Santa Luzia foi
mártir. Por obra do impiedoso Diocleciano, imperador dos romanos no século IV. Sua
imagem aparece ao lado de outras virgens martirizadas, como a Santa Águeda, de seios
cortados e que foi retratada nas esculturas de Minas Gerais e Bahia nos tempos coloniais.
Também aparece com um punhal na garganta. Porque ela tinha um pretendente, que lhe deram
para que apostatasse, para que não servisse a Cristo Jesus. Condenada, cercada por uma
fogueira, as chamas não a atingiram. Até que um carrasco trespassou seu pescoço com um
punhal.
A capela é muito
bonita por dentro. Embora tenham lhe colocado, do lado de fora, um luminoso fashion para fazê-la mais moderna. Na
entrada a imagem de Nossa Senhora da Cabeça é muito procurada. Tendo muitos devotos
sinceros. Ultimamente a capelinha da Santa Luzia tem sido vítima dos cupins. Que
ameaçaram os móveis, o telhado e outras coisas. Uma campanha de doações foi realizada.
Não sei se a igrejinha permanecerá. Não sei se os fiéis e outros mais endinheirados e
menos cristãos farão sua parte. Santa Luzia já fez a dela. Iluminou os seus devotos
para que sua capela resistisse tanto tempo oprimida pelo crescimento desordenado da nossa
cidade de São Paulo. Pelo crescimento que não respeitou os rios, os lagos, os humildes,
os deserdados. Só os que mandam. Os que são fortes. Sem saber que sua hora também
chegará. Eles também, por vontade de Deus ou dos que obedecem, passarão de malho a
bigorna: O homem forte virá a ser estopa, e a sua obra como uma centelha: ambos
arderão juntos, e não haverá ninguém que os possa apagar (Isaías, 1:31).
Endereço:
R. Tabatinguera, 104 |