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A igreja de Santo
Antônio fica no mesmíssimo lugar onde ergueu-se a sua primitiva capela no
quinhentismo. Na Praça do Patriarca, ao lado do Viaduto do Chá, defronte a rua
Libero Badaró, colada a um grande hotel. O nome dessa praça, como já acentuou
mais de um historiador, devia mudar para Praça Santo Antônio, pois já se provou
que o patriarca da independência, José Bonifácio, morou um pouco afastado
daquele sítio. Além disso, já tem rua que o homenageia. Mas...deixemos esse
desassossego para lá. Muito velha é a devoção desse Santo Antonio na cidade de
São Paulo. Ainda hoje, com todo o progresso e o espírito laico que predomina, é
o casamenteiro preferido de muitas devotas desiludidas do amor. Por isso, a
Igreja de Santo Antonio foi uma das primeiras erguidas em São Paulo. Houve antes
Capela de Santo Antonio nos lados da Mooca, mas desapareceu (Camargo, A Igreja
na história de São Paulo, vol. II, p.17).
Em 1592 fez
referência à Igreja de Santo Antonio, já na atual Praça do Patriarca, o
testamento de Afonso Sardinha, escrito numa linguagem tão simples e afetuosa que
vale a pena transcrever-lhe um trecho: "Em nome de Deus, amen. - Saibam quantos
esta cedula de testamento e mando cerrado virem, como no anno do nascimento de
Nosso Senhor Jesus Christo de 1592, aos 13 dias do mez de novembro, n'esta villa
de S. Paulo do Campo, Capitania de S. Vicente do Brasil etc. Eu Afonso Sardinha,
na dita villa morador e capitão da gente de guerra, pelo governador Lopo de
Souza etc., estando de caminho para uma guerra, e sendo mortal e não sabendo o
que Deus Nosso Senhor de mim fará, estando de saude e em todo o meu juízo e
entendimento, ordeno esta cedula e mando em maneira seguinte: primeiro
encommendo minha alma a Deus Nosso Senhor, que do nada a fez e com seu sangue
precioso a remio e resgatou na arvore da vera-cruz, para que elle haja
misericordia quando d'esta vida partir, e a virgem gloriosa N.S. sua mãi e a S.
João Baptista, e a S. Gabriel Archanjo e a todos os santos e santas da côrte do
céo a aos córos angelicos, os quais invoco para que sejam em minha ajuda e favor
ante o consisterio divino". (In: Azevedo Marques, Apontamentos históricos etc,
pp.348-9). Nesse mesmo testamento Afonso Sardinha refere-se "à ermida de Santo
Antonio", para a qual deixa dois cruzados. Foi essa ermida também a sede da
pouco conhecida, e sem grande influência, Irmandade de Nossa Senhora do Rosário
dos Homens Brancos, esquecida nos tempos coloniais e muito menos significativa
que a dos homens pretos.
A Igreja foi
reedificada em 1717, em 1747 e ainda em 1899. No atual templo, uma placa sem
data indica o agradecimento à família Prates, que ajudou a última reconstrução:
"Na pessoa de Eduardo Prates Nogueira o povo de São Paulo agradece à benemérita
família Prates o zelo na preservação desse monumento". Ora, sabe-se que moraram
ali nas imediações da Igreja, a Baronesa de tatuí e o conde e a condessa Prates.
Isso antes do início da construção do Viaduto do Chá, no final do século XIX.
Tanto é que, atualmente, um dos prédios da rua Libero Badaró rende homenagens
aos Prates (também homenageados lá do outro lado, nas bandas do Bom Retiro). A
igreja de Santo Antônio passa, nos dias que correm, por uma nova reforma. Seu
interior é apertado. Para quem entra, há à direita, o confessionário, a
secretaria da igreja e um quintalzinho ao fundo, único lugar onde o terreno
sagrado pode receber a luz do sol e algumas gotas de chuva.
Endereço:
Praça do Patriarca, 49 – 01002-010 – Centro
– SP
Telefax:
Tel.: 3242-2414
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