1598: esta é a data de criação do antigo Mosteiro de São Bento em São Paulo e da
sua Igreja de Nossa Senhora do Monserrate, e desde 1720 dedicada à Nossa Senhora
da Assunção. Obra de Frei Mauro Teixeira. Dizem os documentos daqueles tempos
que a Câmara doou o terreno onde está o Mosteiro "até o fim do mundo". São Paulo
teve, assim, o quinto mosteiro beneditino do Brasil. Que cresceu com o tempo e o
progresso da vida paulistana. Em 1635 tornou-se abadia. Em 1641 o mosteiro foi
palco do episódio da Aclamação de Amador Bueno. Logo depois da Restauração da
independência do Reino de Portugal, alguns paulistas foram à busca de Amador
Bueno e o proclamaram Rei de São Paulo. Este, em desabalada carreira, fugiu
pelos fundos de sua casa e escondeu-se no Mosteiro de São Bento, donde os monges
convenceram o povo insubmisso a abandonar seus propósitos e saudar o novo Rei de
Portugal, D. João IV. Hoje, há uma placa, na parede do Mosteiro, em honra àquele
que não quis ser rei. Nove anos depois, o mosteiro recebeu o apoio do mais
legendário bandeirante paulista: Fernão Dias Paes Leme, o "governador das
esmeraldas" e amigo dos beneditinos. Doou seu esforço e seus recursos para
reconstruir a igreja e, em virtude disso, está até hoje sepultado, junto de sua
esposa, Dona Maria Garcia Betim, na nave principal da atual igreja. Entretanto,
assim como a então Capitania de São Paulo, o Mosteiro entrou em decadência. Em
1764 o futuro Conde de Oeyras, futuro Marquês de Pombal, proibiu a recepção de
noviços nos mosteiros brasileiros e portugueses. Nesta mesma época, o Morgado de
Mateus informava, em carta a este o primeiro-ministro de D. José I que a igreja
de São Bento não estava acabada.
Com toda essa
ação voltada contra o Mosteiro, em fins dos oitocentos só restava na Abadia um
único monge, o abade Frei Pedro da Ascensão Moreira. Morto o velho abade,
assumiu D. Miguel Kruse (1900), o grande renovador. Ergueu o Colégio de São
Bento, onde foi professor o eminente historiador Affonso de Taunay, que
publicou, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo,
importantes documentos da Ordem de São Bento. Com muita tristeza, em 1911 a
antiga Igreja abacial foi demolida. Dois anos depois também foi demolido o
Mosteiro. Construiu-se em seu lugar o novo conjunto arquitetônico grandioso que
é composto pela atual Igreja abacial, pelo mosteiro e pelo colégio. Tudo segundo
o projeto do arquiteto Richard Bernl, de Munique. A decoração interna é de
autoria do monge holandês, D. Adelbert Gresnicht. Segundo D. Joaquim de Luna (Os
monges beneditinos no Brasil, p.140), em 1947 havia 53 religiosos no Mosteiro.
Suas
obras sociais foram exercidas nos anos 30, quando se manteve uma escola noturna
gratuita para operários. Encerrada em 1937. Hoje, é a igreja mais ricas em
imagens e detalhes de valor artístico em São Paulo. Nos últimos anos foi sede, a
igreja abacial, do Festival de Órgão São Bento, que contou com a participação de
organistas de renome mundial, apresentando-se na consola da igreja, onde
esconde-se um magnífico órgão de origem alemã (Casa Walcker) inaugurado em 1954
por ocasião do IV Centenário da cidade de São Paulo e reformado em 1997. O
Mosteiro, no vértice do antigo triângulo onde resumia-se toda a cidade de São
Paulo de antanho, permaneceu como o testemunho de um modus vivendi passadista em
pleno centro da metrópole moderna. |