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Igrejas |
Ano I - Nº10 - janeiro de 2001 |
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Igreja de São Cristovão Lincoln
Secco Avenida
Tiradentes. Proximidades da Rua São Caetano. Lá situa-se a simplória
Igreja de São Cristóvão, aquele gigante forte e bondoso que desejou ser o
mais fiel servidor do Rei de todos os reis. Para servir o próprio Cristo,
conta-se que ajudava pessoas a atravessar um rio. É por isso o protetor dos
viajantes. Nos
arredores da Igreja avolumam-se motoristas, em busca da proteção divina. Sítio
arqueológico de relativa importância também foi encontrado no terreno da
Igreja. O que faz de São Cristóvão uma fonte de inspiração para os
pesquisadores da história de São Paulo. A
Igreja foi inaugurada em 1856, junto com o Seminário Episcopal de São
Paulo, por capuchinhos provenientes da Savóia (França). Tinha um lado
esquerdo que foi derrubado, onde ficavam alguns teólogos, como nos informa
o maior historiador das Igrejas de São Paulo, Leonardo Arroyo. O lado
direito do Seminário lá permanece, ocupado por bares e lojas. A construção
é a mesma do século passado. Pobre, como a maioria das igrejinhas da
antiga cidade de São Paulo, notabilizou-se por ter abrigado em seu seminário
o mais triste dos poetas paulistas: Paulo Eiró. Paulo
Eiró nasceu na vila de Santo Amaro, hoje apenas um bairro da Zona Sul.
Precoce, foi poeta, dramaturgo de notável talento e, quando ainda nem
despontavam os liberais mais ousados, ele já demonstrava consciência plena
do problema racial e da questão republicana. Foi aluno da Faculdade de
Direito do Largo São Francisco e... do Seminário. Lá, notabilizou-se pelo
conhecimento profundo e original da teologia. Chamou a atenção dos seus
professores e superiores hierárquicos. Conta seu biógrafo, Afonso Schmidt,
que Paulo Eiró foi convidado a retirar-se do Seminário devido suas inclinações
por teorias políticas mundanas. Lembremos
que o Vice-Reitor do Seminário, o capuchinho espanhol Frei Firmino de
Centelhas havia lutado nas hostes carlistas em Espanha, conforme diz o
Monsenhor Paulo Florêncio de Camargo em sua volumosa A
Igreja na História de São Paulo (V.7, p.216). “Carlistas” eram os
seguidores do ultraconservador e tradicionalista D. Carlos. Já o Reitor,
Frei Eugênio de Rumilly, de origem francesa, havia conhecido os “males”
da Revolução de 1848 na Europa. Apaixonado
e rejeitado, triste e solitário, viajou a pé por grande parte do território
paulista. Também foi ao Rio de Janeiro e tentou chegar às Minas Gerais.
Morreu supostamente enlouquecido no hospício que ficava ali pelas bandas da
Igreja do Carmo. Porque falar de Paulo Eiró? Porque a Igreja de São Cristóvão, apesar dos seus alegres cultos aparentados à Renovação Carismática, que hoje empolgam tantos fiéis, não consegue livrar-se da lembrança do mais desgraçado dos poetas que São Paulo já possuiu. |
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