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Todo
fechamento de edição é um parto pra mim. Um parto com
dor, geralmente muita dor. Este sofrimento aumenta no
momento do editorial. Eu sinto – tenho certeza - nestes
momentos que realmente escrevo mal. São uma sucessão de
vírgulas fora do lugar, gramáticas entaladas na
garganta, pontuações desnecessárias entre tantas aflições
da língua. Sinceramente, nestas horas sinto inveja dos
bons jornalistas. Melhor: tenho admiração.
Sonho em escrever como Machado de Assis (e que sonho!).
Sonho em ter um texto limpo, bonito, legível, fluido,
espontâneo, rápido. Não tenho o dom da boa escrita.
Ainda bem que poucos leitores arriscam-se a ler o
editorial. Sinto que morrerei tropeçando nas vírgulas,
nas ortografias, nos verbos sem conjugação e nas orações
subordinadas. Morrerei pensando que poderia ser um bom
jornalista.
Porém, o que me alegra nestas horas são os textos
maravilhosos que recebo para publicar nas páginas da
Partes. Ao editá-los realizo meus sonhos. Concretos são
as contribuições. Textos belos, talentosos e
inspiradores. Mesmo antagônicos, harmonizam-se. As presenças
desses amigos, muitos deles ainda virtuais, elevam a
qualidade da Partes. Isto recompensa.
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