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Especial - Eleições |
Ano I - Nº8 - novembro de 2000 |
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Eleições
2000: análises e perspcetivas Jilmar
Tatto Analistas
políticos, através dos meios de comunicação, líderes de partidos e
inclusive o presidente Fernando Henrique apresentaram suas avaliações
sobre as eleições 2000. Em síntese, todos consideram que o PT foi o
grande vitorioso. Alguns, no entanto, apressaram-se em relativizar o fato,
de tal forma que sua importância e significado sejam secundarizados. Talvez
embalado pelo sentimento quase generalizado anti-Maluf na capital
paulista, mas sem o seu posicionamento claro nesse sentido, para FHC, o
que mais pesou na decisão do voto do eleitor foram “circunstâncias
locais e não o cenário nacional”. O Presidente é pródigo em fazer
avaliações e análises sem que seu governo seja incluído. Basta lembrar
que, em suas visitas ao exterior, costuma reclamar de injustiças sociais
e corrupção no Brasil como se o País não fosse o que ele governa há
seis anos. A
impressão é que FHC acompanhou as eleições municipais de outro país,
e não do Brasil. A grande maioria dos candidatos a prefeito, inclusive os
tucanos, abordou a questão do emprego e prometeu o resgate da ética e da
moralidade na gestão da coisa pública. Neste segundo tema, se a capital
paulista tem a dupla Maluf/Pitta como principal expoente, em nível
nacional a trinca Lalau/Eduardo Jorge Caldas/Luiz Esteves tem muito a
esclarecer sobre verbas públicas desviadas, que o governo federal impede
apuração dos fatos através de uma CPI. João
Paulo (PT), prefeito eleito de Recife, afirmou com muita propriedade que o
resultado das eleições é “recado para FHC”, o que concordamos
plenamente, pois já no início deste ano afirmávamos que, independente
da abrangência das eleições, o eleitor está preocupado com o que lhe
atinge mais diretamente: emprego, moradia, segurança, serviço público
de qualidade, saúde e educação. Difícil detectar quanto há de equívoco
ou de cinismo, quando o Presidente deixa de considerar o caráter
nacional desses temas, como se o seu governo não tivesse nada a
ver isso. Com
base no resultado das eleições deste ano as perspectivas para 2002 também
vêm suscitando polêmica que é reduzida à especulação em torno de
nomes, articulações de partidos e seus virtuais presidenciáveis. O
debate sobre as eleições daqui a dois anos pode e deve começar desde já,
mas não somente a partir de eventuais candidaturas. É
claro e evidente o esgotamento da política do governo FHC. Este é o
ponto de partida para a construção de propostas com base no clamor da
“voz rouca das ruas”, cujo recado foi dado agora, nas eleições
municipais. As
candidaturas de oposição vitoriosas, além da abordagem das circunstâncias
locais, souberam resgatar a esperança do eleitor em governos voltados
para o atendimento às demandas sociais, e, principalmente, que têm
reconhecido compromisso com a ética e a moralidade na política. Estes preceitos não são, evidentemente, suficientes para a conclusão de um projeto de governo para daqui a dois anos, mas representam importante ponto de partida para unificar a oposição que passa a governar 27 dos principais centros urbanos do País. São as vitrines, que serão governadas para toda a sociedade, privilegiando a participação popular, investimentos de verdade em programas sociais como a renda mínima e bolsa escola e, sobretudo, muito rigor na transparência dos seus atos e ética na ação política. Através
da efetiva implantação dos programas de governo que elegeram prefeitos
contrários à política de FHC em milhares de municípios pelo Brasil
afora e, principalmente, com a construção de um programa que unifique os
partidos de oposição estarão dadas as condições para o embate entre o
modelo implantado pelos tucanos e aliados que governam há seis anos e o
projeto democrático e popular que defendemos. E 2002 poderá repetir, em
todo o Brasil, outubro de 2000 nos grandes centros urbanos. |
Leia mais... Quem perdeu, perdeu por quê? - Artigo de Luiz Antonio Magalhães Muito Obrigada, São Paulo - de Marta Suplicy Reforma e Contra Reforma política - Artigo de Haroldo Lima O declínio do malufismo - Artigo de José Genoíno Ampliar
as forças para garantir a vitória oposicionista em 2002
artigo de Renato Rabelo
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