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Título:
Lendas do índio brasileiro
Organizado por Alberto da Costa
e Silva
Rio de Janeiro
Ediouro, 2001
ISBN 85-00-00799-0
A vez que me deparei
com este exemplar em minha biblioteca fiquei por bom tempo
observando sua capa e, enquanto sorvia a delicadeza da criativa
capa ia me perguntando – como quem ganha tempo – de onde tinha
vindo aquela preciosidade que já o título sugeria.
Como é de meu costume
fiquei um bocado de tempo com o livro na mão – sem abri-lo- só
espreitando sua aparência, atentando aos seus pormenores, as
ilustrações, as cores, os tipos, o formato, o número de páginas;
assim como se espreita gente. Com olhos de ressabio.
Transcorrido o
encantamento de
nosso
primeiro
encontro,
me sentei
gostosamente numa
confortável
cadeira e pus-me a
ler aquelas
linhas
que se desenhavam consecutivas....
e nas
páginas de
Lendas do
índio
brasileiro,
novamente
me vi
menina
cabocla,
com os
pés
ainda no roçado, e cheguei a
crer
depois de
tudo,
que o
aparecimento de
tal
livro é
obra de
Curupira.
Ler
este
livro se assemelha a
cavaquear, na
mais
pura
acepção da
palavra,
com
nosso
índio
brasileiro e
isto
nos dá
um
conforto
emocional e cultural,
porque
em
cada
história encontramos
um
pouco de
nós
mesmos,
um
pouco
mais de
nossa
cultura
que
por
vezes é
tão subjugada, mesclada e
mascarada.
È
lindo
perceber
como somos
ricos,
como somos férteis.
Ter “achado”
este
livro
em
minha
biblioteca representou
para
eu
ter encontrado
muito
mais
sobre
mim
mesma, representou
ir de
encontro
com
um
povo
que é
tão
meu,
tão
nosso.
Lendas do
índio
brasileiro é,
sobretudo
um
presente;
presente
bem
verdade de
Curupira.
Sobre o organizador,
qualquer observação é singela de mais, Alberto da Costa e Silva
é paulista e diplomata de carreira, tendo vivido em muitos
países, autor de outras maravilhas, escolho citar aqui A Enxada
e a Lança: A África antes dos portugueses. Um autor sempre
coerente em sintonia com seu tempo, sua gente e fiel às suas
origens e dono de uma sensibilidade quase extravagante.
Outra ressalva também
importante acerca do livro vai para a graciosidade do acabamento
gráfico, que poderia ter passado despercebido se não fosse tão
bem impresso por gráficos tão esmerados e zelosos como os da
Book RJ.
Boa leitura
Jaqueline
Novaes Asfurt |