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Cultura/livros

Ano I - Nº12 - março de 2001

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Camille Claudel, uma mulher

Ser mulher. Ser escultura. Ousar. Este livro de 1995, editado pela Martins Fontes, fornece um retrato de mulher. Um escultora de olhos azuis-escuros, apaixonada e dona de uma vida incomum para o período em que viveu, no final do século XIX.

Vale a pena ler o livro de Anne Delbée que retrata a vida de Camille Claudel, conhecida amante do escultor Auguste Rodin.

Uma obra comovente, original, que mostra a força da mulher.

Um anjo em criação, atormentada pelos seus espíritos e pela imensa força criadora e libertária. Uma mulher.

Escreva-nos. A sua participação é fundamental!

Mulheres nas letras

Uma nova geração de mulheres toma de assalto a literatura com seus textos fortes atuais. Uma nova geração de mulheres aparece dentro da literatura brasileira para abrir novas fronteiras e com elas a atenção do público. 

Uma delas é Patrícia Melo, que abre caminho na trilha policial de Rubem Fonseca. Seu primeiro romance chama-se Acqua Toffana, o sucesso veio com O Matador, onde conta a História de um justiceiro protegido por pequenos comerciantes em um texto sintético e certeiro, experimentalista e que prende o leitor do começo ao fim da história. No começo do ano Patrícia Mello lançou seu novo livro, Inferno, seguindo a mesma trilha de O Matador.

Outro nome de sucesso é Fernanda Young, já em seu quarto livro. Tudo começou em 96, com o livro Vergonha dos Pés e não parou mais, soltando um novo romance todos os anos.

Patrícia nasceu em Niterói, leu de tudo quando fazia a travessia da Baia de Guanabara em barcas ou ônibus, e isso inclui clássicos como Hemingway e Thomas Mann e os best-sellers "digestivos" de Harold Hobbins, chegando a filósofos.

Seu segundo livro A Sombra das Vossas Asas, trouxe as mesmas críticas positivas, com sua trama novelesca que substitui o romantismo pelo dilaceramento, obsessão e loucura, com um olhar irônico e cruel do narrador (a autora). Com menos de trinta anos, Fernanda tem essa capacidade de seduzir o leitor e, ao mesmo tempo, refletir sobre esse estranho final de século.

Seus outros romances são: As Pessoas nos Livros e Carta para Alguém bem Perto,onde a autora propõe uma estrutura de tempo sem ordem preferencial, a criatividade na trama além da simples história.

Escreva-nos. A sua participação é fundamental!

 

Programação de lançamentos da Editora Record de 12 a 16 de março

12 de março, segunda-feira
Lançamento e noite de autógrafos do livro
As deusas, as bruxas e a Igreja, de Maria Nazareth de Barros, no Rio de Janeiro.
Data: 12 de março de 2001

Horário: 19h30
Local: Livraria Marcabru - Gávea Trade Center
Endereço: Rua Marquês de São Vicente, 124 / 2º andar
Tel: 21 294-5994

13 de março, terça-feira
Lançamento e noite de autógrafos do livro
O viajante imóvel, de Luciano Trigo, no Rio de Janeiro.
Data: 13 de março de 2001

Horário: 19h30
Local: Dantes Livraria
Endereço: Rua Dias Ferreira, 45 - Leblon
Tel: 21 511-3480

14 de março, quarta-feira
Lançamento e noite de autógrafos do livro
O Brasil sem retoques, de Carlos Chagas, no Rio de Janeiro.
Data: 14 de março de 2001

Horário: 20h
Local: Livraria Argumento
Endereço: Rua Dias Ferreira, 417 - Leblon
Tel: 21 239-5294

Livro: O AMOR SECRETO
Autor: Paola Calvetti
Tradução: Y.A.Figueiredo
ISBN: 85-325-1197-X
Páginas: 156
Formato: 14 x 21
Preço:R$ 25,00
Um prelúdio, quatro movimentos, dois intervalos e um final. É assim, como uma sinfonia, que Paola Calvetti conta a história do amor secreto entre Costanza e o violoncelista Andrea, descoberto logo após a morte do músico por sua filha Lucrécia. Durante mais de trinta anos, o romance permaneceu silencioso, furtivo, mas jamais esquecido. Ficou registrado nas cartas enviadas ao pai pela amante, achadas agora por Lucrécia que vai ao encontro da outra para resgatar o passado.

A trama é simples e construída através de recordações, da leitura das cartas e do diálogo entre as duas mulheres num fim de semana. O livro em si é uma carta à melhor amiga de Costanza, Gabriela, a quem ela narra o fato. O cenário é Provence, na França, tendo como pano de fundo Debussy, Mozart, Brahms, entre outros; afinal todos os protagonistas são ligados ao mundo musical clássico e cada momento da história relaciona-se com um movimento musical.

Do encontro emerge uma narrativa comovente, ressurge aquela paixão intensa, cultivada com a máxima discrição. Nasce também uma amizade filial entre as duas, que toma forma à medida que Costanza, com dignidade e ausência de pudor, revela cada passagem do affair à filha dele, também violoncelista. A moça, por sua vez, vence a própria dor e com um pequeno sacrifício dos sentimentos faz um movimento para a verdade. Conhece um outro pai.

Costanza é uma senhora às vésperas de seu septuagésimo quarto aniversário e vive de lembranças. Casada com Thierry, terceiro marido, com quem vive, além da fiel empregada Annette, é mãe de dois filhos e tem quatro netos. Forte, extrovertida, romântica, impulsiva e exigente, reencontra em Lucrécia o sabor do amor vivido no
passado e sufocado pela falta de definição de Andrea. Um homem devotado às filhas, comedido, taciturno, talvez tímido, e que nunca soube ouvir o coração e tomar decisões.

O caso nasceu de um impulso, de uma declaração de amor ao violoncelista da orquestra do teatro onde ela trabalhava na época. Ambos eram casados. As cartas sempre foram a marca registrada do romance. O caso durou anos, no entanto, Costanza nunca compreendeu a "fisionomia da alma de Andrea". O amor cresceu nutrindo-se das ausências. Silêncio após silêncio. Incomunicabilidade e recusa. Até a indiferença definitiva, que marcou a separação. Costanza parte para Paris abandonando Andrea, mas sem deixar de amá-lo. Trinta anos depois reencontram-se casualmente num concerto no mesmo teatro do passado. O mesmo silêncio se fez presente, não era preciso palavras.

Antes de partir, Lucrécia deixa com Costanza a única carta escrita pelo pai para ser entregue após o seu "final". Uma declaração póstuma de amor à amante e um mea-culpa. "Fugir daquela espécie de amor inacabado tinha sido um erro," conclui o casal.