As
águas doces como capital ecológico
A
qualidade das águas de rios, lagos naturais e represas vem sendo degradada
de maneira alarmante e esse processo pode logo ser irreversível, sobretudo
nas áreas mais densamente povoadas dos países emergentes, como o Brasil,
destacam os organizadores do livro Águas
Doces no Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação,
Aldo Rebouças, José Galizia Tundisi e Benedito Braga. Lançado em junho
durante cerimônia na Reitoria da USP, com a presença dos autores e
presidida pelo reitor Jacques Marcovitch, a obra tem 738 páginas e 21
artigos escritos por 31 especialistas de diversas áreas. O trabalho é uma
realização do IEA e da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e publicação
da Escrituras Editora.
Os
autores analisam os potenciais brasileiros de água doce, que compreendendo
chuvas, águas superficiais - fluxos dos rios, lagoas, áreas encharcadas -,
águas subterrâneas e suas interações com o ambiente natural e com o
ambiente antrópico. São debatidos aspectos ligados à água doce em relação
a setores econômicos, saúde pública, saneamento básico, aspectos
institucionais e jurídicos, necessidades de monitoramento, questões
culturais e aproveitamento turístico.
"A
partir da Revolução Industrial, o crescimento desordenado e localizado das
demandas, associado aos processos de degradação da qualidade da água, vem
engendrando sérios problemas de escassez - quantitativa ou qualitativa - e
conflitos de uso, até mesmo nas regiões naturais com excedente hídrico",
alertam os organizadores. Nesse quadro, a percepção do valor econômico da
água tornou-se praticamente universal e vem adquirindo uma importância
crescente como "fator competitivo do mercado internacional nas duas últimas
décadas, daí a denominação da água como capital ecológico".
Entre
os seis países de dimensões continentais, o Brasil é o único sob condições
dominantes de clima tropical úmido, o que resulta na maior descarga de água
doce, distribuída numa rede hidrográfica perene extensa e densa e na maior
extensão de pantanais ou encharcados (38 áreas com 60 milhões de hectares
de superfície total).
Esse
potencial brasileiro "deve ser visto como um capital ecológico de
inestimável importância e fator competitivo fundamental ao desenvolvimento
socio-econômico sustentado". Nesse quadro, as alternativas de uso
integrado e conservação das águas - em termos quantitativos, qualitativos
e de manutenção dos ecossistemas naturais - são as mais promissoras,
notam os organizadores.
SUMÁRIO
DO LIVRO
·
Água doce no mundo e no Brasil
- Aldo Rebouças
·
Água e o desenvolvimento sustentável
- Eneas Salati, Haroldo Mattos de Lemos e Eneida Salati
·
Águas atmosféricas
- Pedro da Silva Dias e José Marengo
·
Águas Subterrâneas
- Aldo Rebouças
·
Ecossistemas de águas interiores
- José Galizia Tundisi, Takako Matsumura Tundisi e Odete Rocha
·
Limnologia de águas interiores,
impactos, conservação e recuperação de ecossistemas aquáticos
- José Galizia Tundisi, Takako Matsumura Tundisi e Odete Rocha
·
Água, meio ambiente e saúde
- Samuel Murgel Branco
·
Água e saneamento básico
- Uma visão realista - Ivanildo Hespanhol
·
Água na agricultura e pecuária
- Dirceu D'Alkmin Telles
·
Água na indústria
- Gil Anderi da Silva e Reinaldo Augusto Gomes Simões
·
Hidreletricidade
- Jerson Kelman, Mario Veiga Pereira, Tristão Araripe Neto e Paulo de
Holanda Sales
·
Navegação - Giorgio Brighetti e Sérgio
Rocha Santos
·
Pesca e aqüicultura de água doce no
Brasil - José Roberto Borghetti e Antonio Ostrensky
·
Água no meio urbano
- Carlos Tucci
·
Água doce no semi-árido
- Vicente Vieira
·
Hidroeconomia
- Antonio Eduardo Lanna
·
Aspectos institucionais do gerenciamento
de recursos hídricos - Flávio Terra Barth
·
Águas doces no direito brasileiro
- Cid Tomanik Pompeu
·
Monitoramento de quantidade e qualidade
das águas - Benedito Braga, Monica Porto e Carlos Tucci
·
Aspectos econômicos e sociais da utilização
da água doce no ecoturismo - Gilda Collet Bruna
·
Caminhos que andam: os rios e a cultura
brasileira - Renato da Silva Queiroz
VENDA
Águas Doces no Brasil - Capital Ecológico, Uso e Conservação.
Organização e coordenação científica de Aldo Rebouças, Benedito Braga
e José Galizia Tundisi. Escrituras Editora, 1999. 718 páginas. R$ 80,00.
Vendas: IEA, Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, térreo,
telefones (11) 818-3919 e 818-4442 (com Inês Iwashita), fax (11) 818-4306 e
e-mail <ineshita@usp.br>.
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