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Cultura - Livros

Ano I - Nº9 - dezembro de 2000

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As águas doces como capital ecológico

A qualidade das águas de rios, lagos naturais e represas vem sendo degradada de maneira alarmante e esse processo pode logo ser irreversível, sobretudo nas áreas mais densamente povoadas dos países emergentes, como o Brasil, destacam os organizadores do livro Águas Doces no Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação, Aldo Rebouças, José Galizia Tundisi e Benedito Braga. Lançado em junho durante cerimônia na Reitoria da USP, com a presença dos autores e presidida pelo reitor Jacques Marcovitch, a obra tem 738 páginas e 21 artigos escritos por 31 especialistas de diversas áreas. O trabalho é uma realização do IEA e da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e publicação da Escrituras Editora.

Os autores analisam os potenciais brasileiros de água doce, que compreendendo chuvas, águas superficiais - fluxos dos rios, lagoas, áreas encharcadas -, águas subterrâneas e suas interações com o ambiente natural e com o ambiente antrópico. São debatidos aspectos ligados à água doce em relação a setores econômicos, saúde pública, saneamento básico, aspectos institucionais e jurídicos, necessidades de monitoramento, questões culturais e aproveitamento turístico.

"A partir da Revolução Industrial, o crescimento desordenado e localizado das demandas, associado aos processos de degradação da qualidade da água, vem engendrando sérios problemas de escassez - quantitativa ou qualitativa - e conflitos de uso, até mesmo nas regiões naturais com excedente hídrico", alertam os organizadores. Nesse quadro, a percepção do valor econômico da água tornou-se praticamente universal e vem adquirindo uma importância crescente como "fator competitivo do mercado internacional nas duas últimas décadas, daí a denominação da água como capital ecológico".

Entre os seis países de dimensões continentais, o Brasil é o único sob condições dominantes de clima tropical úmido, o que resulta na maior descarga de água doce, distribuída numa rede hidrográfica perene extensa e densa e na maior extensão de pantanais ou encharcados (38 áreas com 60 milhões de hectares de superfície total).

Esse potencial brasileiro "deve ser visto como um capital ecológico de inestimável importância e fator competitivo fundamental ao desenvolvimento socio-econômico sustentado". Nesse quadro, as alternativas de uso integrado e conservação das águas - em termos quantitativos, qualitativos e de manutenção dos ecossistemas naturais - são as mais promissoras, notam os organizadores.

 

SUMÁRIO DO LIVRO

·        Água doce no mundo e no Brasil - Aldo Rebouças

·        Água e o desenvolvimento sustentável - Eneas Salati, Haroldo Mattos de Lemos e Eneida Salati

·        Águas atmosféricas - Pedro da Silva Dias e José Marengo

·        Águas Subterrâneas - Aldo Rebouças

·        Ecossistemas de águas interiores - José Galizia Tundisi, Takako Matsumura Tundisi e Odete Rocha

·        Limnologia de águas interiores, impactos, conservação e recuperação de ecossistemas aquáticos - José Galizia Tundisi, Takako Matsumura Tundisi e Odete Rocha

·        Água, meio ambiente e saúde - Samuel Murgel Branco

·        Água e saneamento básico - Uma visão realista - Ivanildo Hespanhol

·        Água na agricultura e pecuária - Dirceu D'Alkmin Telles

·        Água na indústria - Gil Anderi da Silva e Reinaldo Augusto Gomes Simões

·        Hidreletricidade - Jerson Kelman, Mario Veiga Pereira, Tristão Araripe Neto e Paulo de Holanda Sales

·        Navegação - Giorgio Brighetti e Sérgio Rocha Santos

·        Pesca e aqüicultura de água doce no Brasil - José Roberto Borghetti e Antonio Ostrensky

·        Água no meio urbano - Carlos Tucci

·        Água doce no semi-árido - Vicente Vieira

·        Hidroeconomia - Antonio Eduardo Lanna

·        Aspectos institucionais do gerenciamento de recursos hídricos - Flávio Terra Barth

·        Águas doces no direito brasileiro - Cid Tomanik Pompeu

·        Monitoramento de quantidade e qualidade das águas - Benedito Braga, Monica Porto e Carlos Tucci

·        Aspectos econômicos e sociais da utilização da água doce no ecoturismo - Gilda Collet Bruna

·        Caminhos que andam: os rios e a cultura brasileira - Renato da Silva Queiroz

 

VENDA
Águas Doces no Brasil - Capital Ecológico, Uso e Conservação
. Organização e coordenação científica de Aldo Rebouças, Benedito Braga e José Galizia Tundisi. Escrituras Editora, 1999. 718 páginas. R$ 80,00. Vendas: IEA, Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374, térreo, telefones (11) 818-3919 e 818-4442 (com Inês Iwashita), fax (11) 818-4306 e e-mail <ineshita@usp.br>.

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