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Especial - Eleições

Ano I - Nº8 - novembro de 2000

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O Brasil gosta do PT

 Luiz Inácio Lula da Silva

Os eleitores brasileiros esperaram outubro para dar o presente de aniversário de 20 anos ao Partido dos Trabalhadores. Nós só temos que agradecer e redobrar compromissos e esforços para continuarmos à altura dessa enorme confiança.

Vencemos em 187 municípios, que concentram 28,8 milhões de habitantes (e 19,6 milhões de eleitores). Os prefeitos petistas vão administrar nada menos de 17,5% da população brasileira. Elegemos ainda 131 vice-prefeitos e 2.485 vereadores. Recebemos, somente na votação para prefeito, mais de 18 milhões de votos. Com esse resultado, o PT, que vem crescendo eleitoral e politicamente desde o seu nascimento, está consagrado entre as quatro maiores forças políticas do país, e é o partido que governa maior número de capitais e cidades com mais de 200 mil habitantes do Brasil.

É por isso que estão inventando essa história de PT cor-de-rosa, PT "light" e outras bobagens. Querem fazer crer que a razão principal da nossa vitória se deveria a uma postura "nova" do PT, que estaria abandonando os seus princípios, os seus objetivos, a sua firmeza – e por isso estaria sendo aceito por grande parte do eleitorado.

A história é outra: quem está mudando, e para melhor, é o nível de consciência do povo brasileiro. O PT, no essencial, é o mesmo: nasceu para defender a democracia, ampliá-la, aprofundá-la, fazer oposição aos governos das elites conservadoras, ajudar a conscientizar e organizar a grande maioria da sociedade, concorrer e vencer eleições em todos os níveis e, um dia, que não deve estar longe, governar o Brasil, para mudar a sua história em favor do povo brasileiro.

É óbvio que o PT está muito mais amadurecido e experiente do que há 10 ou 20 anos. Mas tem o mesmo caráter.

Tenho dito que a nossa vitória em São Paulo, por exemplo, com "dona Marta do PT", como a chamava em tom irônico o candidato da extrema-direita, foi conquistada em nome do vermelho, da esquerda, da estrela e do Partido dos Trabalhadores, soletrado com todas as letras. Foi assim no primeiro turno e continuou assim no segundo, quando se formou a mais ampla frente democrática contra o malufismo no Estado.

Visitei este ano mais de 420 cidades fazendo campanha em favor dos candidatos do PT e dos partidos aliados. Cheguei a visitar em uma só semana 19 municípios em doze estados, fazendo caminhadas, carreatas e falando em todos os comícios. Deu para sentir na pele a desilusão do povo com as elites conservadoras, com a corrupção e com as campanhas mentirosas, deturpadoras e preconceituosas que grande parte da imprensa vendida aos poderosos faz contra as forças democrático-populares neste país.

Reafirmo aqui as três razões principais que foram responsáveis pelo nosso bom desempenho: competência nas administrações municipais e estaduais sob nossa responsabilidade; oposição firme à grave situação econômica do país, em que se destacam o desemprego e a falta de segurança; e a defesa da ética na política, com o combate firme à corrupção, que já se tornou uma marca registrada dos nossos governantes e parlamentares.

O modo petista de governar veio para ficar. Em todo lugar em que levamos à prática nossas propostas, o povo logo percebe a diferença: orçamento participativo, bolsa-escola, renda mínima, banco do povo, médico de família, primeiro emprego e muitas outras. Claro que também cometemos erros, mas procuramos enfrentar os problemas e buscar as correções com transparência e participação popular.

O Partido, por exemplo, sabe muito bem das dificuldades pelas quais passam as prefeituras brasileiras e do significado da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas, em vez de ficarmos chorando a falta de recursos, vamos continuar provando que, governando com criatividade, competência e honestidade, o dinheiro vai dar.

Por fim, quero tratar das eleições de 2002, que ainda estão longe, mas têm sido um dos assuntos preferidos dos meios políticos brasileiros neste momento. Que fique claro que o PT vai neste final de ano e no primeiro trimestre de 2001 fazer todo o esforço possível para que possamos construir uma ampla aliança política neste país - uma aliança da qual participem todas as forças progressistas e democráticas brasileiras e que seja capaz de construir um programa comum e de escolher uma candidatura presidencial para vencer em 2002 e mudar o Brasil.

Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente de Honra do Partido dos Trabalhadores e Conselheiro do Instituto Cidadania.

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