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Em Questão
 O pé manco da sustentabilidade
 Por Katerina Volcov

Em dia – festivo ou não - e internacional do meio ambiente fala-se muito da Amazônia, de energias renováveis, da preservação da fauna e flora mundiais, em especial a do nosso País, além de se ressaltar os números do desmatamento e os países que não assinaram o Protocolo de Kyoto. A principal pergunta é: e o que vamos fazer a partir de agora?

Um dos temas que já vem sendo discutido amplamente, seja pela grande imprensa ou entre especializados no tema, é a “famosa” sustentabilidade e para os mais íntimos do assunto, como fazer para transformar o modelo social em que vivemos para que se torne economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto.

Nestas últimas semanas, o presidente Lula esteve à frente na defesa do etanol brasileiro, apresentando argumentos para demonstrar que o etanol não tem relação com a crise mundial dos alimentos. E que o etanol é um biocombustível sustentável à medida que é renovável e tem um custo menor de produção do que as plataformas petrolíferas. Sim, ele tem razão em boa parte do que diz e não me cabe discutir esse problema neste artigo. A questão que me parece mais grave é a insustentável maneira de se levar o etanol ao mercado estrangeiro às custas da exploração de um trabalho quase-escravo. Ou seja, nada justo, portanto, nada sustentável, considerando a base do tripé da sustentabilidade.

Segundo dados do relatório da Comissão Pastoral da Terra, o número de trabalhadores explorados subiu de 6930 em 2006 para 8635 no ano seguinte, sendo a região sudeste a que obteve maior expressão nesse acréscimo. Coincidência ou não, é nessa área que estão concentradas as lavouras de cana-de-açúcar. As péssimas condições de trabalho dos cortadores de cana já foi relatada inúmeras vezes pela mídia no passado. Hoje, porém, parece que o lado ambiental tem se sobreposto ao social e qualquer ação em prol do meio ambiente é ovacionada sem levar em conta, muitas vezes, o bem-estar social.

Vale a pena recordar que, para que possamos ter realmente um produto sustentável é essencial que as três bases – humana, econômica e ambiental - estejam em equilíbrio e harmonia. Isso quer dizer que o lado humano precisa ser suprido em todas as suas necessidades primárias, o meio ambiente deve ser respeitado e é claro que, é essencial sua viabilidade econômica.

É óbvio que, medidas de proteção à Amazônia devem ser observadas e outras novas criadas e fiscalizadas, até mesmo para que o Mato Grosso não avance com suas plantações agroindustriais. Porém, o que é necessário e imprescindível em tempos de obtenção de novas formas de energia, onde um barril de petróleo sai pela bagatela de cerca de US$ 120, é observar a que preço o aspecto humano fica ou não manco nessa problemática.

Afinal, toda a preocupação com a sustentabilidade tem, em sua essência, o cuidado com as futuras gerações, ou seja, com os seres-humanos. Esquecer deles é como esquecer de si próprio. Portanto, para uma verdadeira sustentabilidade, os mancos que se cuidem.

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Revised: 06/05/08.

 


 


 Katerina Volcov é diretora da Soma Agência e especialista em desenvolvimento de projetos de comunicação voltados à responsabilidade social




 




 


 Desertos

"Sai bem mais caro não fazer nada para combater os efeitos da desertificação",  Hama Arba Diallo, funcionário das Nações Unidas.
As Nações Unidas calculam que 24 bilhões de toneladas de solo sofrem "um grave processo de desertificação" a cada ano, o que torna urgente a busca de mecanismos alternativos de financiamento para campanhas de conscientização e de desenvolvimento de tecnologia para a recuperação do solo.

Você já tentou conscientizar seu bairro ou cidade sobre questões ambientalistas?

 

 

 

 




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