Em dia – festivo ou não - e internacional do meio ambiente fala-se
muito da Amazônia, de energias renováveis, da preservação da fauna e
flora mundiais, em especial a do nosso País, além de se ressaltar os
números do desmatamento e os países que não assinaram o Protocolo de
Kyoto. A principal pergunta é: e o que vamos fazer a partir de agora?
Um dos temas que já vem sendo discutido amplamente, seja pela grande
imprensa ou entre especializados no tema, é a “famosa” sustentabilidade
e para os mais íntimos do assunto, como fazer para transformar o modelo
social em que vivemos para que se torne economicamente viável,
socialmente justo e ambientalmente correto.
Nestas últimas semanas, o presidente Lula esteve à frente na defesa
do etanol brasileiro, apresentando argumentos para demonstrar que o
etanol não tem relação com a crise mundial dos alimentos. E que o etanol
é um biocombustível sustentável à medida que é renovável e tem um custo
menor de produção do que as plataformas petrolíferas. Sim, ele tem razão
em boa parte do que diz e não me cabe discutir esse problema neste
artigo. A questão que me parece mais grave é a insustentável maneira de
se levar o etanol ao mercado estrangeiro às custas da exploração de um
trabalho quase-escravo. Ou seja, nada justo, portanto, nada sustentável,
considerando a base do tripé da sustentabilidade.
Segundo dados do relatório da Comissão Pastoral da Terra, o número de
trabalhadores explorados subiu de 6930 em 2006 para 8635 no ano
seguinte, sendo a região sudeste a que obteve maior expressão nesse
acréscimo. Coincidência ou não, é nessa área que estão concentradas as
lavouras de cana-de-açúcar. As péssimas condições de trabalho dos
cortadores de cana já foi relatada inúmeras vezes pela mídia no passado.
Hoje, porém, parece que o lado ambiental tem se sobreposto ao social e
qualquer ação em prol do meio ambiente é ovacionada sem levar em conta,
muitas vezes, o bem-estar social.
Vale a pena recordar que, para que possamos ter realmente um produto
sustentável é essencial que as três bases – humana, econômica e
ambiental - estejam em equilíbrio e harmonia. Isso quer dizer que o lado
humano precisa ser suprido em todas as suas necessidades primárias, o
meio ambiente deve ser respeitado e é claro que, é essencial sua
viabilidade econômica.
É óbvio que, medidas de proteção à Amazônia devem ser observadas e
outras novas criadas e fiscalizadas, até mesmo para que o Mato Grosso
não avance com suas plantações agroindustriais. Porém, o que é
necessário e imprescindível em tempos de obtenção de novas formas de
energia, onde um barril de petróleo sai pela bagatela de cerca de US$
120, é observar a que preço o aspecto humano fica ou não manco nessa
problemática.
Afinal, toda a preocupação com a sustentabilidade tem, em sua
essência, o cuidado com as futuras gerações, ou seja, com os
seres-humanos. Esquecer deles é como esquecer de si próprio. Portanto,
para uma verdadeira sustentabilidade, os mancos que se cuidem.