 A represa de Guarapiranga está localizada na região sul da cidade
de São Paulo, no distrito de Capela do Socorro. A Bacia cobre uma extensão de
aproximadamente 637 quilometros quadrados. Ocupa uma das principais áreas de mananciais
da metrópole, que compreende também a represa Billings.
Nesta região vivem cerca de 1,6 milhão
de habitantes. Apesar de ser uma região de mananciais, o crescimento das ocupações da
região para fim de moradia tem crescido em média 2,4%, enquanto as outras regiões da
cidade crescem em média 0,33%. Este é um número que demonstra um crescimento muito alto
para uma região onde a ocupação deveria ser mínima.
A ocupação da
região hoje conhecida como Guarapiranga é derivada de outras ocupações.
O bairro de Santo Amaro (que era um
município a parte) nos primeiros tempos da colonização era incumbido de produzir
gêneros alimentícios para a população que residia no planalto central. Recebeu a
partir de da Segunda metade do século XIX aproximadamente 200 famílias alemãs, na
primeira fase da imigração de estrangeiros, que vieram para cá com a tarefa de
trabalhar em fazendas de café. Estas famílias se fixaram, como era o costume nas margens
de rios, o que facilitava a locomoção e a irrigação de suas culturas. Assim o Rio
Guarapiranga foi ocupado. Uma crise abalou a economia cafeeira e estes imigrantes se
ocuparam com outras atividades. Uma delas foi a produção de carvão, já que esta era
uma região com vegetação rica, um pouco diferente dos campos graminêos de Piratininga
e o carvão era muito utilizado para geração de energia. Viviam então estas famílias
em chácaras de economia familiar muito modestamente.
A partir do começo do século XX , a
região de Santo Amaro foi alvo de olhares interesseiros em suas características para o
lazer, a recreação. Assim, muitas chácaras de famílias abastadas e de especuladores
imobiliários surgiram nas margens do rio Guarapiranga, que era um afluente do rio
Pinheiros e mais tarde foi transformado em um grande lago(a represa)com a finalidade de
gerar energia elétrica.
Até a década de 50 a população
encontrada na região da represa era muito modesta e composta basicamente pelas chácaras
supra citadas. No período posterior os loteamentos começaram a surgir por conta da
enorme demanda de local de moradia para o afluxo de trabalhadores que em São Paulo
chegaram. Sem um plano diretor que regulamentasse a ocupação de áreas importantes para
a sustentabilidade da cidade a terra foi parcelada e vendida a preços acessíveis á
população que não podia pagara aluguel nas áreas centrais da cidade.
As chácaras das famílias mais humildes
foram compradas por especuladores e divididas em lotes para venda.
Assim tanto as margens do antigo rio
Guarapiranga como as adjacências da região foram completamente desconfiguradas e
removidas da condição de preservação da zona sul.
A partir do final do século
XIX, São Paulo iniciou um processo de crescimento acelerado. A cidade era o principal
centro de negócios da economia cafeeira que se desenvolvia no estado e atraia milhares e
milhares de pessoas que desejavam encontrar nela um vida melhor A população paulistana
que era de 31.385 pessoas em 1872 passou para 239 820 em 1900. Em 1922 os moradores de
São Paulo já eram 579 033 e, em 1940, a capital paulista atingia 1.326 261 de
habitantes. Multiplicavam-se as residências, escolas, casas comerciais e financeiras,
indústrias, cinemas, clubes e tudo mais que a vida urbana demandava. Multiplicava-se
também o consumo de energia elétrica, que começara a ser utilizada nesse período. Uma
grande parte da energia elétrica consumida em São Paulo era produzida na Usina
Hidroelétrica de Parnaíba, construída em 1901 no rio Tietê, depois que dele atravessar
da capital paulista. Acontece que durante a estação da seca a produção de energia
elétrica diminuía, pois havia menos água para movimentar as turbinas da hidroelétrica.
Para fazer com que a usina recebesse água suficiente na época da seca a Companhia Light
and Power uma poderosa empresa de capital misto canadense-anglo-americano que
detinha o monopólio de fornecimento de gás, eletricidade, transportes urbanos e
telefones em São Paulo resolveu, em 1908, represar a água do rio Guarapiranga,
afluente (que deságua) do rio Pinheiros. Na época das chuvas a água era acumulada no
represa do Guarapiranga e nos meses de seca despejada no rio Pinheiros, e, por meio deste,
chegava ao rio Tietê, ajudando a movimentar a hidroelétrica de Parnaíba. Em 19?? as
águas da Guarapiranga não tiveram mais como destino o Tietê, mas sim a
recém-construída represa a Billings, bem próxima a ela, criada para acionar uma usina
hidroelétrica na serra do mar. Foi no final da década de vinte, quando agravaram-se os
problemas de falta dágua potável em São Paulo, que governo estadual decidiu
utilizar a água da Guarapiranga para o abastecimento dos moradores, o que acontece até
hoje.
O imenso lago que se formara no então município de
Santo Amaro (anexado a cidade de São Paulo em 19??), cercado de matas verdejantes e
praias, tornou-se imediatamente uma grande atração para os paulistanos, ponto turístico
a figurar nos cartões postais, local apropriado para contemplar a natureza, descansar,
fazer piquenique e praticar esportes, especialmente os náuticos. Clubes e casas de
veraneio começam a aparecer nas margens da represa Guarapiranga. Aproveitando essa
valorização repentina da região, um grupo de capitalistas formou a empresa S/A
Auto-estradas, no final da década de 20, e realizou uma série de investimentos na
região, para o que contou com apoio governamental. Em 1929 inauguraram uma estrada que
ligava a cidade de São Paulo a Sto. Amaro, beneficiando-se da cobrança de pedágio e da
valorização da terras atravessadas pela estrada; a partir de 1937 iniciaram o
"Projeto Interlagos" que consistia na abertura das avenidas Washington Luís e
Interlagos, na venda do terreno para a construção do aeroporto de Congonhas pelo governo
estadual, e na implementação da Cidade Satélite Balneária de Interlagos, um loteamento
para moradores de alto poder aquisitivo, mas que teria também funções comerciais e
industriais; um autódromo (o de Interlagos); uma igreja matriz e um grande hotel na
principal praia da represa. A igreja e o hotel, entretanto, nunca foram construídos, e o
autódromo de Interlagos foi vendido para a prefeitura de São Paulo em 1954, quando a S/A
Auto-estradas enfrentou dificuldades financeiras.
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