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Reflexão
 Cooperativa seletiva
 Fernando Marrey

  Especial Meio Ambiente - Revista Partes - novembro de 2001

Toda ação executiva resulta em perdas e ganhos para setores específicos. Ao incluir excluídos pode sem intenção excluir incluídos. Ao elaborar um projeto de coleta de lixo seletivo as prefeituras podem incluir um exército de desempregados, mas a participação popular é fundamental. A dona de casa tem um papel de grande relevância neste processo, pois separar o lixo orgânico do inorgânico inicia-se na casa de cada um, (as donas de casa são verdadeiras heroínas, trabalham em regime de semi-escravidão, fazem por amor aos seus, mas na maioria dos casos não se reconhece seu valor). A educação ambiental inicia-se na casa de cada um, a sociedade brasileira espera tudo do poder público, mas devemos engajar-nos em ações de cidadania.

Uma vez separado o lixo na porta de casa, em cada distrito municipal devem ser criadas cooperativas de coleta do lixo. Podem empregar muitos catadores, ser lixeiro numa sociedade de desempregados como a nossa é um passo para inclusão. Se faz necessário criar em cada casa depósito de lixo próprio para cada tipo. O catador passa e recolhe o lixo, encaminha para os terrenos destinados à reciclagem, as cooperativas. Os atuais caminhões de lixo não seriam desativados, em muitas partes seria impossível o ser humano fazer o trabalho. Alguns criticam e acusam a idéia de um retrocesso, empregar gente faminta é um avanço, num setor onde o que importa é retirar o lixo no prazo certo de nossas casas, a forma como ele será transportado é irrelevante. As universidades necessitam ser acionada e elaborar uma gama variada de processos de reciclagem para todo tipo de lixo. Institutos de biologia, de química, de zootecnia...devem participar do processo.

Como vivemos numa sociedade onde impera a lei de mercado, os produtos devem ser comerciáveis gerando renda para sustentar toda esta cadeia produtiva. Como as leis que regem as cooperativas são um emaranhado de retalhos, já   ocorreram muitos casos de malversação do dinheiro, o Ministério Público fiscaliza mesmo. Podemos criar empresas que funcionem de forma cooperativa, que vise elevar a qualidade de vida de todos os envolvidos, incluindo-os, sem excluir.
Claro que toda reformulação gerencial administrativa gera algum tipo de desconforto, de insegurança, mas devemos arriscar para melhorar. Os desafios são brutais, mas a vida é cheia de desafios e o administrador empreendedor não pode acovardar-se. As cooperativas seletivas, podem empregar além dos catadores pessoas que participem da reciclagem, portanto da confecção de novos produtos.

O lucro deve ser revertido à todos os cooperados, cursos profissionalizantes podem ser implementados. A municipalidade pode e deve contribuir para salvar vidas humanas, o exército de desempregados, deve engajar o morador do distrito num processo participativo. Educação ambiental só se concretiza com ações reais e arrojadas, não intimidem-se prefeitos! 

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Fernando Marrey, advogado do povo, especializando-se em Jornalismo Internacional na PUC-SP. E-mail fmarrey@uol.com.br

fauna e flora

A nossa biodiversidade é um patrimônio químico inexplorado dos remédios, alimentos, solventes, texteis, plásticos e outros materiais. O valor patrimonial da biodiversidade esta sendo estudado.
A área de biotecnologia farmacêutica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) registrou 68 pedidos do patente em 1996, 150 em 1997 e 112 em 1998.
Em todo o mundo, a questão da titularidade da propriedade genética era muitos problemas éticos, políticos e religiosos que se refletem nas leis sobre patentes. Poucos paises dos 170 que já ratificaram a Convenção sobre Diversidade Biológica (que estabelece o princípio da soberania dos paises sobre seus próprios recursos genéticos), promulgaram legislação regulamentando a matéria. Em geral, as empresas não têm problemas em reconhecer o valor do conhecimento tradicional e remunerar seu aproveitamento. Mas quem é dono? Quem, de uma comunidade, deve ser recompensado? Ha 400 laboratórios interessados nesta definição. Ou seja, é preciso criar um órgão coordenador para definir a política de exploração da biodiversidade com regras claras.. Desde 1999, os pedidos de patentes na área da biotecnologia farmacêutica aumentaram em média 20% ao ano.(da Redação)


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