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Toda
ação executiva resulta em perdas e ganhos para setores específicos. Ao incluir
excluídos pode sem intenção excluir incluídos. Ao elaborar um projeto de coleta de
lixo seletivo as prefeituras podem incluir um exército de desempregados, mas a
participação popular é fundamental. A dona de casa tem um papel de grande relevância
neste processo, pois separar o lixo orgânico do inorgânico inicia-se na casa de cada um,
(as donas de casa são verdadeiras heroínas, trabalham em regime de semi-escravidão,
fazem por amor aos seus, mas na maioria dos casos não se reconhece seu valor). A
educação ambiental inicia-se na casa de cada um, a sociedade brasileira espera tudo do
poder público, mas devemos engajar-nos em ações de cidadania.
Uma vez separado o lixo na porta de
casa, em cada distrito municipal devem ser criadas cooperativas de coleta do lixo. Podem
empregar muitos catadores, ser lixeiro numa sociedade de desempregados como a nossa é um
passo para inclusão. Se faz necessário criar em cada casa depósito de lixo próprio
para cada tipo. O catador passa e recolhe o lixo, encaminha para os terrenos destinados à
reciclagem, as cooperativas. Os atuais caminhões de lixo não seriam desativados, em
muitas partes seria impossível o ser humano fazer o trabalho. Alguns criticam e acusam a
idéia de um retrocesso, empregar gente faminta é um avanço, num setor onde o que
importa é retirar o lixo no prazo certo de nossas casas, a forma como ele será
transportado é irrelevante. As universidades necessitam ser acionada e elaborar uma gama
variada de processos de reciclagem para todo tipo de lixo. Institutos de biologia, de
química, de zootecnia...devem participar do processo.
Como vivemos numa sociedade onde
impera a lei de mercado, os produtos devem ser comerciáveis gerando renda para sustentar
toda esta cadeia produtiva. Como as leis que regem as cooperativas são um emaranhado de
retalhos, já ocorreram muitos casos de malversação do dinheiro, o
Ministério Público fiscaliza mesmo. Podemos criar empresas que funcionem de forma
cooperativa, que vise elevar a qualidade de vida de todos os envolvidos, incluindo-os, sem
excluir.
Claro que toda reformulação gerencial administrativa gera algum tipo de desconforto, de
insegurança, mas devemos arriscar para melhorar. Os desafios são brutais, mas a vida é
cheia de desafios e o administrador empreendedor não pode acovardar-se. As cooperativas
seletivas, podem empregar além dos catadores pessoas que participem da reciclagem,
portanto da confecção de novos produtos.
O lucro deve ser revertido à todos
os cooperados, cursos profissionalizantes podem ser implementados. A municipalidade pode e
deve contribuir para salvar vidas humanas, o exército de desempregados, deve engajar o
morador do distrito num processo participativo. Educação ambiental só se concretiza com
ações reais e arrojadas, não intimidem-se prefeitos! |