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Especial Meio Ambiente                                       Novembro de 2001

reportagem publicada em novembro de 2001

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reportagem
Compostagem, um bom investimento para todos
 Por Gilberto Silva

A compostagem pode ser uma boa solução para o grande volume de lixo produzido nas cidades.

A compostagem, que é a transformação do lixo orgânico em adubo, assim como a reciclagem de materiais inorgânicos (separação de plásticos, latas e outros materiais), pode ser a solução para minimizar a grande produção de lixo.

O economista Sabetai Calderoni, em seu livro "Os Bilhões Perdidos no Lixo", de 1997, calcula que o Brasil perde por ano pelo menos R$ 4,6 bilhões por não reciclar adequadamente o lixo residencial. O reaproveitamento deste lixo, sobretudo dos resíduos orgânicos, no caso da compostagem pode significar um importante ganho para a sociedade. Mas, para tanto, é necessário conscientizar os agricultores para a importância do papel que desempenha os adubos orgânicos, assim como os moradores urbanos para a prática da coleta seletiva - essencial para a qualidade do produto, e dos eventuais riscos de odores.


Vista aérea da Usina de Vila Leopoldina


A compostagem, segundo o Manual de Gerenciamento Integrado - Lixo Municipal - IPT/CEMPRE, é o nome dado ao processo biológico de decomposição da matéria orgânica contida em restos de origem animal ou vegetal.

Na compostagem os microrganismos convertem a parte orgânica dos resíduos sólidos, num material estável, tipo hummus, conhecido como como composto orgânico. Este composto pode ser aplicado ao solo para melhorar suas características, sem ocasionar riscos ao meio ambiente.

No Brasil o lixo orgânico representa mais da metade do total coletado. Quase a totalidade desse lixo é alterado.

A cidade de São Paulo opera com duas usinas de compostagem e a cargo de duas empresas contratadas. A Usina de compostagem de São Mateus, inaugurada em 1970 e a usina de Compostagem de Vila Leopoldina, inaugurada em 1974, receberam adaptações que possibilitaram a permanência da atividade até hoje. Ambas processam, aproximadamente, 1600 toneladas por dia de resíduo sólido domiciliar.

A Usina de Vila Leopoldina, depois de reclamações dos moradores que foram morar ao seu entorno, deixou de processar as leiras (pilhas de composto com revolvimentos periódicos para melhorar a aeração e a homogeneização da massa para acelerar o processo de decomposição), devido a uma ação do Ministério Público. A usina produz apenas o pré-composto, que é um material tratado e que teve início de decomposição, com umidade e condições de prosseguir sua degradação biológica.

O lixo quando chega na usina passa por uma triagem manual dos materiais recicláveis como plásticos, vidros, metais não ferrosos, papel e papelão. Os metais ferrosos, as latas e pregos, por exemplo, são removidos por separadores eletromagnéticos. Os mais pesados como tijolos, louça, pedras, são removidos mecanicamente por separadores balísticos.

Passado esta fase o lixo vai para um reator chamado de biodigestor, um cilindro giratório que tem por finalidade uniformizar os componentes heterogêneos do lixo, misturando os mais ricos em nitrogênio com os mais pobres, os mais secos, com os mais suculentos e os mais pesados com os mais leves.

Usina de Vila Leopoldina
Segundo o diretor da Divisão Técnica de Compostagem do Departamento de LImpeza Urbana da prefeitura de São Paulo, Deodoro Antonio de Oliveira Vaz, é preciso melhorar a qualidade do composto para aumentar a procura pelo produto. Para tanto, Deodoro propõe, por exemplo, "um trabalho com os resíduos de feiras livres, pois melhorando a qualidade do lixo que entra na usina, melhor será a qualidade final do pré-composto". Este pré-composto precisa sofrer um processo de beneficiamento que é chamado de "cura", portanto, é necessário deixá-lo em leiras ou montes de no máximo 1,80 metros (senão aumenta o cheiro devido a eliminação do chorume) e por aproximadamente 60 dias.
 
O pré-composto orgânico produzido pela Prefeitura de São Paulo, segundo a Limpurb, tem um valor agrícola de até 20 vezes maior que seu preço de venda.

As vantagens da utilização do composto
Há uma série de vantagens para se utilizar o composto, entre elas, a retenção de nutrientes existentes no solo, a agregação de partículas de terra, formando os mesmos grânulos encontrados em terras virgens. A utilização do composto aumenta a capacidade de armazenamento de água e torna o solo mais fértil e fofo, favorecendo o desenvolvimento e a aeração das raízes.
Devolver para a origem, o interior do Estado, os elementos químicos exportados para a metrópole, é um processo ecológico de reciclagem.

Resta conviver com o cheiro do pré-composto, aliás, quanto maior o cheiro do pré-composto, melhor a qualidade do adubo, pois é rico em proteínas e em sais minerais.


Mais informações com:
Usina de Compostagem de Vila Leopoldina. Av. Embaixador Macedo Soares, 6.000 Fone 3831-0092

Usina de Compostagem de São Mateus. Estrada da Fazenda do Carmo, 450 - altura do nº 14.000 da Av. Aricanduva - Fone: 6919-2825

Limpurb. Fone: 3311-6411 ramal 131

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galpão de compostagem

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