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Não Tropece na Língua Maria Tereza de Queiroz Piacentini
AVANÇA, BRASIL
É assim, com a vírgula, que o governo federal deveria ter escrito e
divulgado o seu PPA - Plano Plurianual de Investimentos para 2000.
Normalmente o PPA não recebe nome nenhum - a preocupação maior são os números.
Mas já que os técnicos no ano passado criaram esse título, deveriam ter
seguido a norma culta da língua, que exige a colocação da vírgula para
separar o vocativo.
Vocativo
é o termo que serve para chamar alguém. Pode ser um nome de pessoa, de país,
de cidade, um apelido, um adjetivo carinhoso, um termo chulo, uma xingação.
Basta ser um chamamento para ser um vocativo em termos gramaticais. E é
evidente que no título acima "Brasil" funciona como um
chamamento, uma convocação. É o mesmo caso de:
- Você viu o doutor, José?
- Vou lhes contar um outro caso, pessoal.
- Ouça, meu amigo.
Imagine-se encontrando essas mesmas frases sem a vírgula: você as leria de
modo completamente diferente, pois elas passariam a ter significado diverso.
Confira:
- Você viu o doutor José? Vou lhes contar um outro caso pessoal. Ouça meu
amigo.
Mesmo quando não existe o perigo da ambigüidade ou do sentido obscuro, a vírgula
é obrigatória:
- Mercedes, podes me trazer um café?
- Vejam que a situação mudou, meus caros.
- Olha lá, imbecil, o que você está dizendo!
- "Acorda, Brasil, está na hora da escola."
- Ó céus, o que foi que eu fiz?
Observe que:
o vocativo é separado por uma ou duas vírgulas, dependendo da sua posição
na frase; a partícula "ó" poucas vezes acompanha o vocativo,
embora seja sempre admissível na sua frente; ela serve para identificar o
vocativo em caso de dúvida: Avança, (ó) Brasil; (ó) Mercedes; (ó)
pessoal
TELENTREGA
OU TELEENTREGA
Gostei imensamente de saber que a FARMAIS, de Florianópolis, está fazendo
telentrega de produtos farmacêuticos. Isso mesmo: seu magneto de propaganda
traz impressa a palavra composta 'telentrega' assim sem o hífen e sem o
espaço entre o prefixo e o substantivo, o que é uma opção correta.
Poucos
seguem a ortografia oficial, mas ela existe.
A regra é a seguinte: unir sem hífen os dois elementos da composição
feita com tele. Exemplos: televendas, teleteatro, telemaníaco, teleguiado,
telecurso, teleconferência, telepizza, telemarketing.
No caso de composição com palavras que iniciem com "s" ou
"r", deve-se dobrar essas letras para que se preserve a pronúncia:
telessorte, telessupervisão, telessistema, telessegurança; telerreunião,
telerrecepção, telerrobô, telerradiodifusão.
Com
as vogais a norma é a mesma, ou seja, união sem hífen e sem espaço:
teleaviso, teleadivinhação, teleoperação. Ocorrendo a presença de duas
vogais iguais, pode-se eliminar uma delas, que é o que acontece - no caso
do prefixo de que estamos tratando - com a letra "e": teleeducação
ou teleducação, teleestréia ou telestréia, teleequipamento ou
telequipamento.
Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Português
para Redação" e "Só Vírgula", diretora do Instituto
Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br
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