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Nossa Língua |
Ano I - Nº11 - fevereiro de 2001 |
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CRASE COM HORAS Na maioria absoluta dos casos coloca-se o acento indicativo de crase diante das horas, isto é, escreve-se às na indicação de determinado horário: Os bancos abrem às 10 horas. Às 21h30 começará a ser servido o jantar. O enlace matrimonial se realizará às dezoito horas do dia vinte de maio. Precisamente às 20h43min teve início o espetáculo.
À uma hora Sabe-se que não existe crase diante de artigo indefinido, como em: Falou a uma multidão. Entreguei o papel a uma das secretárias.
No caso de ‘uma hora’, todavia, o à precedente configura uma crase porque aí se trata não do artigo indefinido mas do numeral ‘uma’, que acompanha e determina a primeira hora como o fazem os numerais até 24 [as duas horas, as três horas etc.]. Portanto: O eclipse da Lua poderá ser apreciado melhor à uma hora da madrugada. Marcado para as 12 horas Sendo a crase a fusão da preposição a com o artigo a, não se poderá acentuar o ‘as’ das horas quando se empregar outra preposição no lugar do ‘a’. São quatro as possibilidades: para, desde, após e entre. Com elas é proibido usar o ‘as’ craseado, para que não haja uma superposição de preposições. Exemplos:
A conferência foi marcada para as 10 horas da noite.
Reafirmando: este ‘as’ não leva crase porque é puro artigo. No último exemplo pode-se verificar mais claramente tratar-se de artigo ao se trocar ‘as 20 h’ por um horário do gênero masculino: "A Celesc avisa que faltará luz na Serrinha entre o meio-dia e as 22 h". Até as/às 23 h Os portões permanecerão abertos até as 23 horas. Os portões permanecerão abertos até às 23 horas.
Embora tenhamos dito acima que a crase é proibida depois de uma preposição, é possível - embora desnecessário - usá-la junto com ‘até’ na frente da hora. Ocorre que a preposição ‘até’, excepcionalmente e por motivo de clareza, pode ser seguida da preposição ‘a’. Sendo assim, escrever até as 23 h ou até às 23 h é indiferente, porque neste caso não há o perigo de confusão com a "partícula inclusiva" (ver abaixo). ATÉ A/À A partir do séc. XVII começou-se a usar as preposições ‘até’ e ‘a’ combinadas para dar maior clareza ao pensamento, uma vez que ‘até’ tem igualmente o sentido de inclusão ("mesmo, inclusive, ainda, também"). Mudança de significado pode ocorrer em frases do tipo (1) Queimou todo o cabelo até a raiz - inclusive a raiz; (2) Queimou todo o cabelo até à raiz - até junto à raiz. (3) Rabiscou tudo até a porta - a porta também; (4) Rabiscou tudo até à porta - dá a noção de limite: parou na porta. Naturalmente nas frases 1 e 3 a ambigüidade poderia ser evitada com uma vírgula: Queimou todo o cabelo, até a raiz; Rabiscou tudo, até a porta.
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Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Português para Redação" e "Só Vírgula", diretora do Instituto Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br |