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O
Direito
de
Sorrir
dos
Idosos
Eduardo Hebling*
http://www.fop.unicamp.br/portal/news.php?codnoticia=948
Ao
nascer,
temos duas
certezas
absolutas
em
nossas
vidas:
iremos
envelhecer
e
morrer.
Esse
fato
gera
um
sentimento
coletivo
de
repulsa
ao envelhecimento e a
morte.
A melhoria nas
condições
de
vida,
de
saneamento
básico
e os
avanços
tecnológicos
na
área
da
saúde
permitiram o
aumento
da
expectativa
de
vida
das
pessoas,
gerando o
aumento
do
número
de
idosos
na
população
mundial.
Atualmente
no Brasil,
temos
em
torno
de 14
milhões
de
pessoas
com
60
anos
ou
mais,
sendo o
sétimo
país
em
número
absoluto
de
idosos
no
mundo.
Isto
representa
cerca
de 9% de
nossa
população.
Estima-se
que
passaremos
para
a
sexta
posição
mundial
em
20
anos,
com
mais
de 33
milhões
de
pessoas
com
60
anos
ou
mais.
A
imagem
que
nossa
sociedade
associa ao
idoso
é aquela de uma
pessoa
com
invalidez
parcial,
sentada
em
uma
cadeira
de
balanço
ou
banco
de uma
praça
e apresentando
um
sorriso
sem
dentes.
Contudo,
essa
imagem
do
idoso
inativo
está mudando.
Atualmente
essas
pessoas,
por
viverem
em
melhores
condições,
são
muito
mais
ativas,
tanto
socialmente
como
culturalmente.
É
comum
vermos
em
nossas
cidades
a
organização
de
grupos
de
terceira
idade,
de
bailes,
eventos,
excursões
e
viagens
exclusivas
para
essa
faixa
de
idade.
Esses
fatos
fazem
com
que
o
idoso
deixe de
viver
segregado da
família
e
passe
a
interagir
mais
com
as
pessoas
e a
sociedade.
Isso
faz
com
que,
para
essas
pessoas,
a
importância
de
apresentar
dentes,
naturais
ou
artificiais,
se torne
fundamental
para
a
convivência,
ao
sorrir
e
falar
com
outras
pessoas
e
ao
mastigar
em
eventos
sociais.
Por
vezes,
os
benefícios
sociais
de
apresentar
um
sorriso
com
dentes
e
em
uma
tonalidade
de
cor
harmônica
são
muito
mais
desejados do
que
os
benefícios
funcionais
que
um
boa
dentição,
natural
ou
artificial
(próteses),
possa
proporcionar
para
essas
pessoas.
Entretanto,
apesar
do
avanço
tecnológico
que
a
Odontologia
alcançou,
com
a
implantação
de uma
filosofia
de
manutenção
e
prevenção
das
perdas
dentárias,
com
a redução dos
índices
de
cárie
e de
perda
dentária e
com
o
aumento
do
acesso
aos
serviços
públicos
de
saúde
bucal,
ainda
temos
em
nosso
país
um
elevado
número
de
idosos
com
dificuldades
de
sorrir,
por
não
apresentarem
mais
seus
dentes.
Os
dados
do
último
levantamento
nacional
de
saúde
bucal
mostram
que
o Brasil avançou
muito,
em
termos
de
prevenção
em
saúde
coletiva,
na
faixa
etária
de
até
12
anos,
atingindo as
metas
estabelecidas
pela
Organização
Mundial de
Saúde
(OMS)
para
o
ano
de 2000.
Contudo,
para
as
faixas
etárias
superiores
os
resultados
ficaram
bastante
aquém
do desejado.
A OMS estipulou
que,
em
2000, 50% da
faixa
etária
de 65 a 74
anos
deveriam
apresentar
20
ou
mais
dentes
na
boca.
O
percentual
alcançado no
país
foi de
apenas
10,23%.
A
meta
a
ser
alcançada
em
2025
para
essa
faixa
etária
é
apresentar
até
5% de
pessoas
desdentadas.
Esse
fato
gera
maior
preocupação
pois,
atualmente,
nosso
país
conta
com
cerca
de 30
milhões
de
desdentados,
em
todas as
faixas
etárias.
Mais
de 80% da
população
adulta
não
apresenta as
gengivas
sadias e 13% dos
adolescentes
nunca
consultaram
um
dentista.
As
razões
para
observarmos
ainda
esse
grande
número
de
idosos
desdentados
totais
ou
parciais
podem
ser
explicadas
por
motivos
culturais e
educacionais,
quando
antigamente
as
pessoas
ao
menor
sinal
de
dor
em
seus
dentes
procuravam
serviços
para
extraí-los ao
invés
de restaurá-los e mantê-los
em
suas
bocas,
e
por
motivos
filosóficos dos
próprios
profissionais,
que
não
estimulavam os
pacientes
a manterem
seus
dentes,
muitas
vezes
pela
falta
de
recursos
tecnológicos.
Felizmente,
hoje
o
avanço
tecnológico
proporciona o
tratamento
e a
manutenção
dos
dentes,
fazendo
com
que
a
filosofia
do atendimento odontológico
seja
bastante
conservadora e vise a
prevenção
das
doenças
antes
de
sua
ocorrência.
A
implantação
de
métodos
de
prevenção
de
cárie
na
população
brasileira,
como
a fluoretação
das
águas
de abastecimento
público,
ocorreu
em
meados
da
década
de 70 do
século
passado,
quando
muitos
da
população
de
adultos
e
idosos
já
haviam perdido
seus
dentes.
Essa
população,
infelizmente,
não
teve
acesso
à
filosofia
de atendimento e aos
métodos
preventivos de
perda
dentária.
As
pessoas
idosos
requerem
cuidados
especiais
no atendimento odontológico
por
apresentarem
um
número
maior
de alterações e
doenças
crônico-degenerativas,
inerentes
do
processo
de envelhecimento
humano,
e
pelo
uso
de
vários
fármacos
para
o
tratamento
dessas.
Esses
fatos
e a
tendência
mundial de
crescimento
dessa
população,
que
viverá
mais
tempo,
com
maiores
possibilidades de
menores
perdas
dentárias
ou
de
necessidades
específicas de atendimento
odontológico, levaram a
criação no Brasil,
em
2002, de uma
nova
especialidade
odontológica: a
Odontogeriatria. O
especialista
em
Odontogeriatria terá
que
reunir
uma
série
de
conhecimentos
de
fisiologia,
de
patologia,
de
farmacologia,
de
saúde
coletiva
e de
reabilitação
desses
pacientes,
atuando, de
forma
interativa,
com
os
demais
profissionais
de
saúde
que
tratam o
idoso,
como
geriatras,
fisioterapêutas e
outros.
No
serviço
público,
além
da
inserção
desse
tipo
de
profissional,
o
outro
desafio
será
destinar
recursos
para
cumprimento
das
disposições
estabelecidas no
Estatuto
do
Idoso,
que
delega ao
Poder
Público
a
obrigatoriedade
de
execução
de
políticas
de
saúde
destinada
aos
idosos
e ao
direito
desses de
receber
serviços
especializados de
saúde
bucal,
incluindo o
tratamento
gratuito
com
próteses
para
o
restabelecimento
da
dentição
perdida.
O
grande
desafio
agora
será
fazer
cumprir
essas
diretrizes
do
estatuto
e de
qualificar
os
profissionais
cirurgiões
dentistas
para
que
possam
fornecer
o
tratamento
mais
adequado
aos
idosos
para
que
esses
possam
voltar
ou
continuar
a
ter
o
direito
de
sorrir.
* EDUARDO HEBLING é
professor
Associado
do
Departamento
de
Odontologia
Social
da
Faculdade
de
Odontologia
de Piracicaba/UNICAMP e
coordenador do
Curso de
Especialização
em
Odontogeriatria da UNICAMP.
Texto publicado
originalmente em:
http://www.fop.unicamp.br/portal/news.php?codnoticia=948
Fonte: Assessoria de
Imprensa da Unicamp. Ronei
Thezolin
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