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Especial - Eleições

Ano I - Nº8 - novembro de 2000

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Ampliar as forças para garantir a vitória oposicionista em 2002

Renato Rabelo

O resultado do segundo turno das eleições municipais foi uma significativa derrota dos partidos governistas (PSDB, PFL, PMDB). Os partidos oposicionistas (PT, PDT, PSB, PPS e PCdoB) conquistaram as prefeituras de 20 dos 31 grandes municípios onde houve segundo turno. E no conjunto das 57 cidades com mais de 200 mil eleitores, a oposição foi vitoriosa em 27, o que corresponde a um total de 19 milhões de eleitores. 

Mesmo a vitória de César Maia, no Rio de Janeiro, foi concretizada fora do campo situacionista.
Dentre as forças oposicionistas, os partidos de esquerda obtiveram a maior vitória. Mais especificamente o PT alcançou o melhor resultado, elegendo 187 prefeitos (correspondendo a municípios onde vivem quase 20% da população), incluindo-se nesse total seis capitais de Estados e a maior cidade do país, São Paulo.

No segundo turno, diante do crescimento das forças de esquerda, os partidos de direita foram buscar no baú da luta anticomunista do início da década de 60 "argumentos" para intimidar e atemorizar a população simples e menos informada, visando - desesperadamente - a reverter a situação a seu favor. A intolerância, o preconceito e os métodos de cunho fascistas passaram a nortear as campanhas dos partidos conservadores. Porém o resultado demonstrou que uma parcela crescente do povo não se confunde mais com o conto da satanização das forças de esquerda e comunista.

Após o pleito, mais uma vez o presidente da República, Fernando Henrique, e representantes das forças da situação procuraram diminuir o alcance da vitória oposicionista. Afirmaram que o resultado demonstrou "equilíbrio de forças"; que "não esteve em jogo a política nacional". Ou utilizaram insinuações torpes, creditando a vitória petista à sua "transformação" em "partido cor de rosa" - velho expediente dos grupos dominantes visando "domesticar" os partidos considerados radicais.

Do resultado das eleições municipais deste ano surge uma nova correlação de forças políticas favorável à oposição e aos partidos de esquerda. Esta situação passa a condicionar o curso do processo político que culminará na eleição presidencial de 2002. O PSDB ficou reduzido às pequenas e médias cidades. O PFL perdeu duas capitais importantes: Rio de Janeiro e Recife. O PMDB, na maior parte, ficou limitado aos pequenos municípios. Os partidos de esquerda, por sua vez, ganharam nas grandes cidades e conquistaram a maior parte do eleitorado dos centros mais importantes.
Uma primeira conseqüência das eleições deste ano foi a demonstração do grau de desgaste do modelo neoliberal dominante. No campo governista muitas vozes já clamam por "ouvir a voz das urnas", por "uma política pública e social". E ainda afirmam que a "esquerda capitalizou o descontentamento da população". Outra conseqüência é o acirramento da disputa pela Presidência de República em 2002. 

Reacende na base de sustentação do governo a disputa pela hegemonia da condução do processo sucessório. Fernando Henrique e seu partido, o PSDB, buscam meios para dominar o curso da sucessão presidencial, enquanto o PFL pretende para si essa posição dirigente, sobretudo o atual presidente do Senado - a liderança pefelista que sai mais fortalecida nestas eleições. E o PMDB ainda procura uma definição quanto ao rumo a seguir na sucessão de FHC. A contenda que se estabeleceu no âmbito situacionista pela conquista das mesas da Câmara Federal e do Senado passa a sofrer o reflexo desse novo quadro e da ocupação de melhor posição para o embate eleitoral de 2002.

No campo oposicionista as diversas forças apresentaram-se divididas no primeiro turno e enfrentaram dificuldades para garantir a unidade em algumas cidades onde ocorreu o segundo turno. O PT se consolidou como a principal força condutora da disputa à sucessão presidencial na oposição. Entretanto, devido às divergências políticas que persistem, é possível o desenvolvimento e o surgimento de outros pólos visando a disputa de 2002. O maior desafio para as lideranças da oposição ainda se concentra na tarefa de redefinir e recompor uma ampla frente política capaz de garantir as condições de derrotar o governo neoliberal.
Participação comunista O PCdoB teve uma participação ousada nestas eleições municipais. Lançou 26 candidatos a prefeito e 46 a vice-prefeito. Desenvolveu uma política mais ofensiva de alianças, inclusive em torno de lideranças comunistas. Não foram estabelecidas metas partidárias para o Executivo municipal, mas os resultados foram bastante positivos, tendo sido eleita a primeira prefeita comunista, depois do atual período de legalidade, em uma cidade de porte médio, que sedia importante patrimônio cultural brasileiro. Foram eleitos também sete vice-prefeitos, sendo dois em capitais. A bancada de vereadores teve um crescimento de 60%, sendo eleitos 18 vereadores em 13 capitais.

As alianças realizadas pelo PCdoB, buscando a unidade oposicionista, mostraram-se corretas. As principais alianças foram realizadas com o PT. O PCdoB poderá assumir responsabilidades de governo municipal com esse partido em várias cidades. Mais ainda, os comunistas voltam a ter uma bancada de 10 deputados na Câmara Federal, com a posse de três suplentes que ocuparam as vagas deixadas por parlamentares do PT, eleitos prefeitos. O Partido deve levar em conta esse resultado para trazer mais militantes para as suas fileiras, realizando filiações de qualidade.

A realização de alianças amplas, com o Partido mantendo sua independência e a defesa de suas bandeiras próprias, tem sido uma política correta, na qual deve perseverar.
Renato Rabelo é vice-presidente do PCdoB

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