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Especial - Eleições |
Ano I - Nº8 - novembro de 2000 |
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Ampliar
as forças para garantir a vitória oposicionista em 2002 Mesmo
a vitória de César Maia, no Rio de Janeiro, foi concretizada fora do
campo situacionista. No
segundo turno, diante do crescimento das forças de esquerda, os partidos
de direita foram buscar no baú da luta anticomunista do início da década
de 60 "argumentos" para intimidar e atemorizar a população
simples e menos informada, visando - desesperadamente - a reverter a situação
a seu favor. A intolerância, o preconceito e os métodos de cunho
fascistas passaram a nortear as campanhas dos partidos conservadores. Porém
o resultado demonstrou que uma parcela crescente do povo não se confunde
mais com o conto da satanização das forças de esquerda e comunista. Após
o pleito, mais uma vez o presidente da República, Fernando Henrique, e
representantes das forças da situação procuraram diminuir o alcance da
vitória oposicionista. Afirmaram que o resultado demonstrou "equilíbrio
de forças"; que "não esteve em jogo a política
nacional". Ou utilizaram insinuações torpes, creditando a vitória
petista à sua "transformação" em "partido cor de
rosa" - velho expediente dos grupos dominantes visando
"domesticar" os partidos considerados radicais. Do
resultado das eleições municipais deste ano surge uma nova correlação
de forças políticas favorável à oposição e aos partidos de esquerda.
Esta situação passa a condicionar o curso do processo político que
culminará na eleição presidencial de 2002. O PSDB ficou reduzido às
pequenas e médias cidades. O PFL perdeu duas capitais importantes: Rio de
Janeiro e Recife. O PMDB, na maior parte, ficou limitado aos pequenos
municípios. Os partidos de esquerda, por sua vez, ganharam nas grandes
cidades e conquistaram a maior parte do eleitorado dos centros mais
importantes. Reacende
na base de sustentação do governo a disputa pela hegemonia da condução
do processo sucessório. Fernando Henrique e seu partido, o PSDB, buscam
meios para dominar o curso da sucessão presidencial, enquanto o PFL
pretende para si essa posição dirigente, sobretudo o atual presidente do
Senado - a liderança pefelista que sai mais fortalecida nestas eleições.
E o PMDB ainda procura uma definição quanto ao rumo a seguir na sucessão
de FHC. A contenda que se estabeleceu no âmbito situacionista pela
conquista das mesas da Câmara Federal e do Senado passa a sofrer o
reflexo desse novo quadro e da ocupação de melhor posição para o
embate eleitoral de 2002. No
campo oposicionista as diversas forças apresentaram-se divididas no
primeiro turno e enfrentaram dificuldades para garantir a unidade em
algumas cidades onde ocorreu o segundo turno. O PT se consolidou como a
principal força condutora da disputa à sucessão presidencial na oposição.
Entretanto, devido às divergências políticas que persistem, é possível
o desenvolvimento e o surgimento de outros pólos visando a disputa de
2002. O maior desafio para as lideranças da oposição ainda se concentra
na tarefa de redefinir e recompor uma ampla frente política capaz de
garantir as condições de derrotar o governo neoliberal. As
alianças realizadas pelo PCdoB, buscando a unidade oposicionista,
mostraram-se corretas. As principais alianças foram realizadas com o PT.
O PCdoB poderá assumir responsabilidades de governo municipal com esse
partido em várias cidades. Mais ainda, os comunistas voltam a ter uma
bancada de 10 deputados na Câmara Federal, com a posse de três suplentes
que ocuparam as vagas deixadas por parlamentares do PT, eleitos prefeitos.
O Partido deve levar em conta esse resultado para trazer mais militantes
para as suas fileiras, realizando filiações de qualidade. A
realização de alianças amplas, com o Partido mantendo sua independência
e a defesa de suas bandeiras próprias, tem sido uma política correta, na
qual deve perseverar. |
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