Projeto Pinkaiti
O projeto conta com uma área de proteção máxima de 10.000 hectares
localizada a 12 km rio acima da aldeia Kayapó de A'Ukre, na Terra Indígena Kayapó (13
milhões de hectares), bacia do alto Xingú, sudeste do Pará (7o46'14''S, 51 o57'43''L).
Nesta área, demarcada pelos índios desta comunidade, a caça e o corte de madeira
são proibidos. Lá, foi construída a base de pesquisas do Pinkaiti, que conta com uma
casa equipada com um rádio transmissor de longo alcance, um painel de energia solar e um
barco com motor de popa. Não há estradas até o local, de forma que a entrada e saída
de pesquisadores da estação é feita através de pequenos aviões que fazem a ligação
da cidade mais próxima (Redenção) com a aldeia A'Ukre, de onde se vai de barco em cerca
de duas horas até a base de pesquisas. Essa área se localiza as margens do rio Riozinho,
um tributário de segunda ordem do Rio Xingú. A área da base de pesquisas é marcada por
mosaicos de florestas que incluem matas de cipó, matas de palmeiras e pequenas manchas de
cerrado, que ocorrem principalmente nas zonas em que a rocha mãe se torna visível. A
média de chuvas na área é de 1640 mm/ano (N=5 anos, 1985-1989). As chuvas são
claramente sazonais e há déficits hidrológicos em todas as estações secas quando,
fato raro na Amazônia, é comum a falta total de chuvas por até 60 dias. Devido a seu
perfil climático, seria de se esperar que o Pinkaiti possuísse uma floresta
semidescídua. Entretanto, estudos sugerem que se trata de uma mata perenefólia. Isto se
deve, provavelmente, à extração de águas por profundos sistemas radiculares, típicos
do cinturão seco da Amazônia oriental. A fisionomia geral da floresta é distinta
daquela típica Amazônia em seu núcleo. A área de estudos se enquadra no perfil das
florestas de transição que ocorrem no contato das matas fechadas da hiléia com as
savanas do planalto central. É uma área de grande valor biológico e interesse
científico pois apresenta elementos faunísticos e florísticos próprios tanto do
Cerrado quanto da floresta amazônica. Cabe destacar que as matas de transição do
cinturão seco do sul da Amazônia são muito pouco estudadas ecologicamente, o que
ressalta a importância da existência do Projeto Pinkaiti e da realização de estudos
nesse local. |
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