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Poesia

Ano  I - Nº11 - fevereiro de 2001

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Dor

Eliana Maria Righi

Cravada navalha
Lacera alma incauta,
Indefesa criança
A brincar no jardim
Criada do nada, é vislumbre do medo
De vê-la inventada pra sempre e sem fim.

Repete-se em ciclos
Sabidos decor
Seu termo bem-vindo já custa a chegar
Não posso ditá-lo,
Só rezo e espero
Por ti e por ela e por mim a chorar

Pranteio por dentro
Por poros e alvéolos
Por sonhos passados,
Prazeres febris
Por tudo e por nada,
Pela casa fechada
Pelo amor que não tive,
Pelo amor que não quis

Será dor de verdade?
Ou de farsa ou brinquedo?
Zombando de um sol que nem vejo queimar
Cega-me os olhos pra noite e pro dia
Pra alegria que anseio e nem sei mais buscar

Espelho, me mostra
Outra face, outro riso
Dos olhos lavados
A luz se esvaiu
Turvada de penas
Transforma-te, imagem
Que a dor como a vida
É só nau de passagem.

21/09/99