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Ventos me levavam; mares me tocavam...
Seguia por rotas que eu nunca escolhi.
As velas infladas levavam ao longe,
distante da vida que eu nunca vivi.
Portos eram sonhos e amores possíveis,
que a bruma do tempo não deixava ver.
Faltava coragem pra perder o rumo,
e buscar o novo, sem nada temer.
Brisas enganavam, com falsos sorrisos,
cantos de sereias, com seu murmurar.
Eram como âncoras e calmarias,
que à terra, destino, negavam chegar.
Desejei sargaços e mares bravios;
recifes, tormentas, valente, enfrentar.
Busquei um farol, no horizonte, luzindo,
de braços abertos a me esperar!
Vi que o mar e a terra são partes de um todo,
que o vento acarinha com a mesma ternura.
Se afagam, se açoitam, mas sempre se tocam,
como dois amantes, em doce ventura.
Hoje, mar e terra convivem em meu peito.
Navego e caminho, sagaz e conciso.
Se as ondas me agitam, teus olhos me acalmam.
Navegar é bom, mas amar é preciso! |