De repente me percebo chegando. Olhos perdidos no nada, pois o que
vejo são lembranças passadas. Caminhos vividos, que dançam girando
em minha volta, clamando por uma chance de conseguir retornar.
O corpo cansado respirando fundo,
vislumbrando meu mundo diante de mim, sorrindo tristonho a cada
lembrança, me vendo primeiro como criança e agora assim.
Queria poder ser mais forte, quem sabe
vencer a morte, ou ao menos tentar. Ter o dom da conquista, como
troféu à vida, que teima em me abandonar.
No trem da minha existência, cada
vagão tem seu tempo. Neles eu sigo sozinho, sofrendo baixinho,
percebendo o fim. A chegada é iminente, e a passagem que tenho só me
traz até aqui.