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Valfrido Nunes, 25/10/2008
Anoiteceu em meu ser!
O
sol já não brilha mais!
A
lua ri ironicamente de mim!
Os
fios dourados do astro-rei sucumbiram numa cratera!
As
nuvens enegreceram.
O
céu deixou de ser um manto azulado.
Sequer vaga-lumes passeiam na minha vida!
Estou mergulhado na escuridão!
Sinto-me sufocado! Tenho vontade de gritar!
Grito em silêncio, ninguém me ouve; nem o acaso...
Em
vão lamento perdas irreparáveis!
Eu
sou uma folha levada pelo vento
Já
não tenho destino!
Oscilo na efemeridade do tempo,
Sinto-me vulnerável!
(Como era doce a vida...)
Sinto-me entontecido por um veneno mortal,
Um
veneno invisível, que me mata aos poucos
De
uma morte que não se morre...
Permaneço indecifrável...
Afogado na minha introspecção.
Em
vão escorre a lágrima do meu rosto!
Reação imbecil? Ao menos exteriorizo a dor do peito...
Eu
sou uma cidade sucumbida,
Destruída por um furacão!
Quando me reerguerão?
Jamais serei o que outrora fui!
Sinto o meu corpo cravado de lanças!
Elas atravessam o meu espírito,
Vão além da matéria vil!
Sinto escorrer-me o sangue quente pelo corpo,
Que já não reage!
Desfaleço...
Eu
não sou mais o rouxinol que canta,
Nem a semente viçosa que germina à noite!
Eu
sou um deserto inóspito,
Uma terra infértil,
Uma fonte que se secou!
Olho o mundo ao redor e não enxergo.
Caminho atônito, perambulando tênue.
A
fragilidade invadiu os meus ossos.
Já
não consigo ficar de pé e ver o horizonte.
Sou apenas um mísero esqueleto humano,
Reduzido ao pó, ao nada!
Já
não sou mais o lírio entre os espinhos!
Já
não sou a mais bela árvore do bosque!
Sou um vegetal torpe,
Esquecido, ignorado, inútil...
Eu
sou a taça quebrada,
O
vinho derramado,
A
chama apagada de uma paixão que se foi!
Eu
sou o produto da dinâmica da vida
Ingrata e cruel!
Eu
não sou mais eu...
Sei que em vão espalho o meu pranto
Na
infinitude do tempo.
Mas sei, sobretudo,
Que mais tarde, ou mais cedo,
O
fim chegará:
Abraçar-me-ei com o único mal irremediável
E
destino de quem vive: a morte!
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