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ISSN 1678-8419         última atualização em: sábado, 01 de agosto de 2009 22:51:41                                               

 
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POESIAS

Cântico negro...

   

Valfrido Nunes,

publicado em 01/08/2009

 
 

 Valfrido Nunes, 25/10/2008

Anoiteceu em meu ser!

O sol já não brilha mais!

A lua ri ironicamente de mim!

Os fios dourados do astro-rei sucumbiram numa cratera!

As nuvens enegreceram.

O céu deixou de ser um manto azulado.

Sequer vaga-lumes passeiam na minha vida!

Estou mergulhado na escuridão!

Sinto-me sufocado! Tenho vontade de gritar!

Grito em silêncio, ninguém me ouve; nem o acaso...

Em vão lamento perdas irreparáveis!


 

Eu sou uma folha levada pelo vento

Já não tenho destino!

Oscilo na efemeridade do tempo,

Sinto-me vulnerável!

(Como era doce a vida...)

Sinto-me entontecido por um veneno mortal,

Um veneno invisível, que me mata aos poucos

De uma morte que não se morre...

Permaneço indecifrável...

Afogado na minha introspecção.

Em vão escorre a lágrima do meu rosto!

Reação imbecil? Ao menos exteriorizo a dor do peito...


 

Eu sou uma cidade sucumbida,

Destruída por um furacão!

Quando me reerguerão?

Jamais serei o que outrora fui!

Sinto o meu corpo cravado de lanças!

Elas atravessam o meu espírito,

Vão além da matéria vil!

Sinto escorrer-me o sangue quente pelo corpo,

Que já não reage!

Desfaleço...


 

Eu não sou mais o rouxinol que canta,

Nem a semente viçosa que germina à noite!

Eu sou um deserto inóspito,

Uma terra infértil,

Uma fonte que se secou!

Olho o mundo ao redor e não enxergo.

Caminho atônito, perambulando tênue.

A fragilidade invadiu os meus ossos.

Já não consigo ficar de pé e ver o horizonte.

Sou apenas um mísero esqueleto humano,

Reduzido ao pó, ao nada!


 

Já não sou mais o lírio entre os espinhos!

Já não sou a mais bela árvore do bosque!

Sou um vegetal torpe,

Esquecido, ignorado, inútil...

Eu sou a taça quebrada,

O vinho derramado,

A chama apagada de uma paixão que se foi!

Eu sou o produto da dinâmica da vida

Ingrata e cruel!


 

Eu não sou mais eu...

Sei que em vão espalho o meu pranto

Na infinitude do tempo.

Mas sei, sobretudo,

Que mais tarde, ou mais cedo,

O fim chegará:

Abraçar-me-ei com o único mal irremediável

E destino de quem vive: a morte!


 


 

 

 
  

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::sobre o autor::

 

Valfrido da Silva Nunes é natural de Bom Conselho – PE. Licenciado em Letras Português/Inglês pela Universidade de Pernambuco (2005). Tem pós-graduação lato sensu em Programação do Ensino da Língua Portuguesa (2008) por esta mesma instituição. Professor de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira da rede estadual de ensino de Pernambuco; nas horas vagas, ousa escrever poesias e crônicas. Atualmente é aluno especial do Mestrado em Letras e Linguística da Universidade Federal de Alagoas.

E-mail: <fridoval@hotmail.com>

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