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ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 11 de abril de 2008 22:57:23                                               

 
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POESIAS

As doideiras de Zé Doidim

   

José Pedreira da Cruz

publicado em 27/05/2007

me lembro perfeitamente

da Escola Silva Jardim

onde tinha um moleque

chamado de Zé Doidim

era um garoto capeta

que vivia arrumando treita

e jogando a culpa em mim

 

ele um dia entrou na igreja

bem na hora do sermão

e chamou o padre de corno

só por pura diversão

o vigário bem irritado

disse que tinha um diabo

lhe fazendo tentação

 

fez quatro sinais-da-cruz

pra melhor se proteger

e deu ordem a Zé Doidim

pra dali se escafeder

o moleque não gostou

e tão logo retrucou

dizendo: vai se.......

 

*

voltando pra nossa escola

onde o “bicho” ali pegava

não vou dizer outra coisa

senão a história passada

foi soco pra todo lado

o maior arranca-rabo

por causa d’ua namorada.

 

o safado do  Zé Doidim

era mesmo atrapalhão

passava a mão nas meninas

só pra arrumar confusão

quando u’a briga ele arrumava

bem depressa ele escapava

deixando todos na mão.

 

me lembro de uma menina

chamada de Juliana

que se achava a boazuda e

certamente a mais bacana

foi ela a causadora

de uma rixa duradoura

por se sentir gostozona

 

Certo dia essa menina

começou uma choradeira

era um choro bem nojento

que alarmou a escola inteira

e o Zé Doidim comovido

foi consola-la no ouvido

sentado na sua carteira.

 

a coitada da menina

não parava de berrar

foi então que  Zé Doidim

foi depressa acalentar

aproveitou o momento

e sem ter constrangimento

começou a lhe apalpar

 

mão aqui e mão acolá

foi Zé Doidim esfregando

e Juliana em prantos

foi logo se esquivando

mas a coisa perigou

um soco ela acertou

e ele caiu se estatelando

 

o namoradinho dela

que se chamava Romeu

quando viu aquela cena

logo se enfureceu

ficou todo avermelhado

de olhar arregalado

e ai o pau comeu

 

o Romeu partiu pra cima

querendo mesmo brigar

parecia um leão faminto

querendo se atracar

foi um corre-corre danado

o maior arranca-rabo

um pega aqui, pega acolá.

 

Zé Doidim tomou u’a surra

como nunca esperava

e a menina Juliana

que há pouco tempo chorava

dava pulo de alegria

dizendo, sim, agora via

a vitória de quem amava

 

quase ninguém sabia

daquele namoro escondido

se a turma fica sabendo

o Romeu estava perdido

pois o pai de Juliana

era uma fera insana,

um perigoso bandido

 

 

foi então que Zé Doidim

encontrou uma solução

pensou direito na vida

pra tomar uma decisão

vou avisar ao pai dela

disse com toda cautela

e foi procurar o Tonhão

 

o Tonhão depois que soube

que a filha namorava

jurou dar uma surra

na pessoa que mais amava

e ainda prometeu:

vou dar o maior cacete

quando eu encontrar o Romeu

 

Zé Doidim voltou feliz

radiante de alegria

e disse pra todo mundo

que esperança agora via

de ver o Romeu caído

quebrado, todo moído

pra vingar aquele dia.

 

o Romeu ficou sabendo

do grande alcagüete

e avisou pro Zé Doidim

vou te dar outro cacete

pra você nunca esquecer

e de uma vez logo saber

que comigo não tem macete.

 

Zé Doidim tomou outra surra

bem pior que a primeira

e nunca mais ele apalpou

as menininhas na traseira

ficou um homem direito

de pudor e de respeito

e pôs fim na brincadeira.

 

A turma ficou contente

com aquele final feliz

pois ninguém mais suportava

tanto sangue de nariz

e Romeu com a Juliana

foi a coisa mais bacana

foi isso que o amor quis

Já publicado em www.recantodasletras.com.br

 

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 José Pedreira da Cruz é  poeta e contista

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