(Valfrido Nunes, 15/10/2008)
Qual
casa vazia, de portas fechadas,
Escura,
sombria...
Tal é o
meu ser dentro de mim!
Brisa
gelada que sopra
E bate
no rosto
Qual
gelo dos pólos,
Tal é o
meu eu dentro de mim.
Harmonia
de um som longínquo, efêmero...
Solidão
que ainda mais se concretiza
E eu cá
comigo: só e reflexivo,
Me
pergunto:
O que
faço aqui?
De
repente...
Duas
pernas atravessam a rua,
Uma boca
muda e irreconhecível.
Volto a
pensar em mim
Altas
horas da noite,
Degraus
úmidos e frios
Sinto o
meu ser palpitar em mim
Carência
de um amor que me complete.
Alma
gêmea... Clone imaginário!
Ressoam
aos ouvidos palavras doces
Outrora
ouvidas.
E beijos
açucarados de um amor vivido,
Em
momentos outros.
Sinto a
natureza toda olhar pra mim
Parece
acompanhar meu pensamento
Na
penumbra de uma noite tão só!
Remexo
baús da memória,
Relembro
paixões que se foram...
Parecem
ressuscitar... Meu Deus,
Que
faço?
Penso no
tempo e vejo-o como solução
De
obstáculos intransponíveis,
De
remorsos atormentadores,
De
noites mal dormidas...
Opto por
fechar-me em mim mesmo
Num
monólogo infinito e indizível.