spacer

 

ISSN 1678-8419         última atualização em: sexta-feira, 03 de setembro de 2010 21:14:30                                               

 
  Principal
 Agenda
 Artes e Artesanato
 Colunistas
 Cultura
 Crônicas
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Em Rhede
 Entrevistas
 Humor
 Política e Cidadania
 Reportagens
 Mirim
 Notícias
 Outras edições
 Poesia e Contos
 Reflexão
 Expediente
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Terceiro Setor
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
   Especiais
 Igrejas
 Meio Ambiente
 SP 450 anos
 Memória Sindical
 Assédio Moral
 Vitrine do Giba
 Nosso Dáimon
 O Grito do Ipiranga
 Mirim
 Feiras e Mercados
 Em RHede
 Econotas
 Ambientais
 Agenda
.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
POESIAS

 a rosa de fulgor incendiário               

   

Fábio Camacho

publicado em 16/11/2009


                   


    “aguarde na fila sua vez, por favor” – enquanto a câmera on-board registra e ameaça o fino fio de equilíbrio de quem sai de casa sem maiores preocupações



    não existem gerais ou revistas, desnecessárias às providências satisfeitas por anteparos tecnológicos projetados. as luzes brilham o som é alto e todos admiram filmagens: receitas impronunciáveis de um espetáculo madrugada adentro



    em qualquer tribo indígena o show seria suficiente e reservado, dançando e gritando por vontade própria, não induzidos



 

dei-lhe a mão “é a nossa vez no desfile” e com coragem de homenzinho empertigado enfrentei. o ambiente tenso no ar anunciando o porvir - um nietzsche zombeteiro e debochado desafia o juízo. pensar “ele emprega errado ferramentas certas” me acalma


   o quadro do jardim da garagem é o seguinte: samambaias flores de maio e as melissas carecem a atenção de regramentos. ainda que inverno uma moça bronzeada exiba planejamentos clínicos de conspícua laje em Miami. vicissitudes de uma beleza extraordinária é claro


   uso relógio em meu braço esquerdo onde correntes com cadeados seriam o adequado dada a adaptabilidade de todos ao cenário


   o quente beijo de língua reage e redime “glória a deus nas alturas e paz aos homens de boa vontade” ao acetinado toque do choque elétrico na aguilhada da escorpioa beta asiática; mas ainda me permanece não desvendado um culto secreto seu: o que fariam sensuais unhas azuis metalizadas e cintilantes contrastando as suaves mãos alvas habituadas a crochês como exercício de temperamento praticado pelas mulheres orientais? não sei tratar-se ainda de enigma sabedoria ou de pura atitude desafiadora. decifrar misteriosinhos da categoria desses é que atormentam meu sono excitam imaginações


   salvo engano descrevo francamente aos generais da resistência o que se acomete:


  “Ha..ve..rá  de  acon..tecer
   Um  di..a  vo..cê  vem  de  u..ma  vez  pra mim
   Ha..ve..rá  de  a..pa..recer
   a  lu..a  e  es..tre..las  enfei..tan..do  o  céu” ...


   o compasso de mãos hábeis que cingem ritmos nada parecidos à sonoridade de antigos instrumentos percussivos mesopotâmicos, e sim aos de modernos sons dos contrabaixos eletrificados em difusão tão próxima ao que se queira proclamar suficiente senão conveniente ao da simples beleza singular imbuída na poesia de hyldon. e pronuncia-se deste modo a imagem de jaco pastorious vitimizador de um mark sandman desbaratinados ambos da vida e afetados pela loucura de um  mercúrio que incide em despejamento contingente ante uma lírica escorregante em escapadelas garganta adentro e que, voilà, nesta altura, confunde um absorto maître decantado em gentilezas e que não consegue sequer insinuar  agradavelmente aos casais assentados próximos à orquestra se a música proposta no menu emana de fontes celestiais ou se de hades incandescente, faltando-lhe credibilidade do rigor profissional deixando-se contaminar pela eloquência de razões incompreendidas



   emprego errado ferramentas certas. tentador cantar atrocidades genuínas em ouvidos decantadores de prosas fáceis que não entendem sutilezas de nosso idioma, enquanto nossos corpos dividem o império dos sentidos, avante. veja bem, proveniente de nação que vislumbra união fraternal a maneira peculiar de ratazanas qualquer manifestação amorosa considerar-se-á insolência ou desonra inecessária. por orientação descabida decido tratar bem a moça e está feito. casei os vinte reais com o atendente que ordinariamente teimava o contrário comigo



  ”Fa..zer  você  sor..rir,
   can..tar  sem  de..sen..ganos,
   sem  so..frer”


   há dias tenho reparado faltar anteparos às plantas do jardim de garagem. há dias também venho reparando não faço nada para amenizar o sofrimento das pobrezinhas, vítimas de meu espetáculo de desterramento. sou mengele no cio esperando pelos resultados de laboratório; o montesquieu atiçado de critérios científicos aguardando por séculos vindouros o que essa porra toda vai virar - e você não entende nada disso, mudar o assunto já gata...


   mas também reparo haver antipatia proveniente de exóticas flores murchas em pronunciada casa de espetáculos: curadas ao sol de meio-dia em suspensos jardins de higiênicas lajes em Miami recrudescem e empertigam ares do recinto de sulfúreos gazes das sistemáticas revanchistas ao senti-la tão viva altiva, orgulhosamente amada. sem ideais condições, raras flores sobrevivem aos desafios de bom gosto sozinhas: anteparos arranjos e vacilos por conta da casa
 

  “Ha..ve..rá  de  a..pa..recer
   as  flo..res  mais  boni..tas
   que  o  mun..do  viu” ...


   como todo gesto de contrariedade há um de resignação e de boa vontade que o acompanha rosa-maria de destinos sofríveis outros assovia a cantilena preferida ao meu ouvido interior “
glória a deus nas alturas...” ao passo que mimeticamente alcandorados em mezaninos suspensos um insolente exército de atendentes em conluio sentem-se agora atiçados pelo cheiro do fraco sangue escorrido de carcaças dos frangos descongeladas a temperatura ambiente derivando disto um caldo viscoso pia adentro sob encantamento do som das melodias entoadas pelos fios de navalhas sendo afiadas, em uníssono


   a observância dos ratos que zanzam um lado a outro do ambiente em disparate cinge a ambiência dos cômodos de um elegante desorientamento quase ensaiado, como fossem artérias vertentes pulsando juntas a intrínseca parte de um todo – ajudando-me equiparar minhas instâncias inferiores de origem, o que desvia os rumores internos e integra-me ao séqüito obsequioso do mundo entretido


   sabedor porquanto quais ventos insolventes a orientam permito-me o especial gesto de confiança da cavalheirice e requisito o tubo de álcool e a caixa de fósforos ao quadro gentilício entregando-os às mãos especiais familiarizadas com a posse e manipulação dos artefatos de pólvora cujos ânimos incendiários inclinam-se atavicamente a gênios postergadores de antepassadas aldeãs que, encontrando-se abandonadas por companheiros fugidios apeados pelo medo dinástico nutrido pelos mongóis trocariam a doce brandura de tranqüilizadores sorrisos matriarcais pelo aconselhável semblante assassino de ávidos dentes rechaçadores de soberania, afrontadas que foram pela fome circunstancial soergueriam-se em forças de coragens e confianças arreganhando grades e portas da grande muralha aos invasores



   e que noite inesquecível meu amor: bailaríamos majestosamente por horas a fio a dança suave de apaixonados imaculada de mixórdias proibidas ao compasso de um bar inteiro ardendo em chamas sobre providência das pétalas de flores desgarradas ante grosserias e eloqüentes insultos ajambrando-se a passagem em corpo de solícito tapete espesso das melissas de maio das floras nativas e de rosas-marias tantas outras assopradas pelos ventos como as das sementes ousassem germinado nas planícies de sharon um dia ou as de ardilosas combatentes de bombas atômicas clandestinas tais quais as estateladas sobre a superfície de hiroshima, ambas explícitas puras primitivas imbuídas em gestos de carícias e zelos asseguradores às delicadezas da fina pele exposta da sola de nossos calcanhares durante a bem-aventurada travessia rumo ao córrego dos destinos incertos e não menos desafiadores à hegemonia de afrontados deuses patronos dos parques de diversões onde nós, distraídos citadinos, fizéramos jus aos aborrecimentos afrontados por anjos da sexta escala hierárquica de nossos apetites apostos aos quais ousáramos elogiar com grandiloqüentes epítetos designificativos de potestades únicas, típicas aos financiadores de nomes em listas de convidados e de coisas do gênero, em explícitas solenidades nas noites de terças a domingos da orgânica metrópole



   
          autoria:  Fábio Camacho, poeta e escritor paulista, nascido em 1974
                 mais: http://www.overmundo.com.br/perfis/fabio-camacho
                             contato:
fabiocamacho1974@hotmail.com
                                               

 

 
  

spacer
::sobre o autor::

 Fábio Camacho é poeta Paulista, residente na cidade de Osasco, 35 anos de idade; escreve poesia há cerca de 12 anos; exceção a sites e revistas virtuais não possui obras publicadas

::contato com o autor::

Fale com o autor clicando aqui.

 
::uma foto::


 
   ::participe::
 Cartas
 Blog
 Fale Conosco
 
 

::outras poesias::
Albarraz
Fábio Camacho

publicado em 16/11/2009

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Normas para publicar artigosRevista Virtual Partes

::apoiadores::






© copyright Revista P@rtes 2000-2010
Editor: Gilberto da Silva (Mtb 16.278)
São Paulo - Brasil
spacer