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Sina |
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Gilberto da Silva |
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publicado em 24/03/2008 |
SINA

Larguei a vida
para ser
poeta
Peguei o
lápis
para
ser
poeta
Poeta peguei a vida
na vida me peguei poeta
Não o certo de semânticas,
paranomástica.
Nasceu o crítico
surgiu o paródico
e o irresponsável...
Criei-me trágico
tornei-me irônico
O mundo grande
e as oportunidades pequenas.
Tornei
poeta numa curva
a estrada longa
a vida dura
os amores pequenos
e as ilusões longas.
Perdi meu dicionário
em dias duvidosos
nasceu o irreconciliável:
o descartável
e a falta de rima que por azar foi se perder num baú
que hoje viaja nas águas
do Parnaso.
Pego-me preparando a poesia
e até canções (que o tempo encarrega-se de esquecê-las).
Tudo cientificamente
materialmente,
mas
nem sempre
certinho corretinho
educacional
de repente:
o imoral,
o imundo,
o errado,
o besta polifônico
rapsódico
ou simplesmente
um errado, sujo, vergonhoso,
panfleteador, funcionário público.
Ah! Vou me largar
numa estrada da vida
ser poeta numa descida.
GILBERTO DA SILVA
Ilustração: Nina Rocha
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