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Poesias |
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Gordo
que nem um pão na Ilha da Magia
De Marcello Ricardo Almeida |
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quando
ficar
gordo
gordo
que
nem
um
pão
caseiro
quer
uma
mulher
que
envelheça
enrugueça
consigo.
Só
pra
ela
cortar
grama
aos
domingos
e
feriados
e
também
ir
aos
supermercados
enfrentar
a
fila
da
carne
e do
pão
e
corrigir
os
deveres
de
casa
das
crianças
mas
enquanto
for madro
feito
um
cachorro
magro
vai
beber
cerveja
e
jogar
bola
c´os
amigos
da
Ilha
da
Magia
comprar
revistas
de
mulheres
peladas;
e
contar
piadas
de
papagaio. |
SEUS
SAPATOS
NOVOS
DE COURO
De Marcello Ricardo Almeida |
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quantas
regras
ridículas na
juventude
quando
for velho,
muitíssimo
velho
das regras
lembrar-se-á a
sangue
frio
sem
ansiedade
lembrar-se-á das
regras
quando
for velho-velho
quando
não
tiver mais
nada
nada
pra
fazer
na vida-nada
quem
sabe, escreverá
poemas
fará rimas
e também
escrevinhará
na areia
da praia
seca
e molhada
vai
e vem a
onda
molha
e seca
outra
vez
seus
sapatos
novos
de couro
na areia
até
deixará o
mar
salgá-los
talvez
vê-los ficarem
ensopados
c´o
oceano
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Marcello Ricardo Almeida
é advogado de
profissão e professor. Nascido em Santana do Ipanema, AL, em
1961. Entre suas obras, destacam-se: Que Achas do Padre
Beber em Serviço, Editora da UFSC, 2004; O Dente Cariado de
MonaLisa, Literatura em Santa Catarina, 2005; A Ignorância
do Estudante (Filosofia do Direito Estudantil), ALB,
Blumenau, 1998; Uma Teoria do Paradoxo, um ensaio sobre a
poética contemporânea e 100 poemas, ALB, Blumenau, 2000;
Aventuras na Cidade Barrigadechope; Não, EA, 1988; e Ein
Prosit, Dionísio! Aspectos Míticos da Oktoberfest, ALB,
2002. Premiado no concurso “O Advogado e a Literatura”,
1999, Florianópolis, SC, OAB/Editora, com a novela “Quem
Gaba a Esposa é o Marido”. Primeiro lugar no SESC/FURB,
1990, em Dramaturgia Blumenauense. Premiado no Concurso
Nacional de Dramaturgia “Wladimir Maiakovski”, 1993,
Fundação Cultural Cassiano Ricardo, São Paulo, com a peça no
método Teatro-feijão-com-arroz intitulada Morcegos Humanos,
posteriormente (1994) transformada em gibi e publicado na
Editora FURB. Prêmio Baleia Verde do Concurso Nacional de
Poesias, 1990, Rio de Janeiro, com a poesia “Não faz mal,
todos estão grogues”
marcelloricardo@bol.com.br
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