ISSN 1678-8419  

Última atualização feita em:20-06-2005 17:56
 
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  Poesias
 

Gordo que nem um pão na Ilha da Magia
De Marcello Ricardo Almeida

quando ficar gordo
gordo que nem um pão caseiro
quer uma mulher que envelheça
enrugueça
consigo.

pra ela cortar grama
aos
domingos e feriados
e
também ir aos supermercados
enfrentar a fila da carne e do pão

e
corrigir os deveres de casa das crianças
mas enquanto for madro feito um cachorro magro
vai
beber cerveja e jogar bola

c´os
amigos da Ilha da Magia
comprar revistas de mulheres
peladas; e contar piadas de papagaio.


 
SEUS SAPATOS NOVOS DE COURO
De Marcello Ricardo Almeida

 

quantas regras ridículas na juventude
quando for velho, muitíssimo velho
das
regras lembrar-se-á a sangue frio
sem ansiedade lembrar-se-á das regras

quando for velho-velho
quando não tiver mais nada
nada pra fazer na vida-nada
quem sabe, escreverá poemas

fará
rimas e também escrevinhará
na
areia da praia seca e molhada vai
e vem a
onda molha e seca outra vez

seus sapatos novos de couro na areia
até deixará o mar salgá-los talvez
vê-los ficarem
ensopados c´o
oceano

 

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Marcello Ricardo Almeida  é advogado de profissão e professor. Nascido em Santana do Ipanema, AL, em 1961. Entre suas obras, destacam-se: Que Achas do Padre Beber em Serviço, Editora da UFSC, 2004; O Dente Cariado de MonaLisa, Literatura em Santa Catarina, 2005; A Ignorância do Estudante (Filosofia do Direito Estudantil), ALB, Blumenau, 1998; Uma Teoria do Paradoxo, um ensaio sobre a poética contemporânea e 100 poemas, ALB, Blumenau, 2000; Aventuras na Cidade Barrigadechope; Não, EA, 1988; e Ein Prosit, Dionísio! Aspectos Míticos da Oktoberfest, ALB, 2002. Premiado no concurso “O Advogado e a Literatura”, 1999, Florianópolis, SC, OAB/Editora, com a novela “Quem Gaba a Esposa é o Marido”. Primeiro lugar no SESC/FURB, 1990, em Dramaturgia Blumenauense. Premiado no Concurso Nacional de Dramaturgia “Wladimir Maiakovski”, 1993, Fundação Cultural Cassiano Ricardo, São Paulo, com a peça no método Teatro-feijão-com-arroz intitulada Morcegos Humanos, posteriormente (1994) transformada em gibi e publicado na Editora FURB. Prêmio Baleia Verde do Concurso Nacional de Poesias, 1990, Rio de Janeiro, com a poesia “Não faz mal, todos estão grogues”
marcelloricardo@bol.com.br

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