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ISSN 1678-8419         última atualização em: quarta-feira, 14 de outubro de 2009 22:51:27                                               

 
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Contos

Ísis, a menina do rosa

   

Izaura da Silva Cabral1

publicado em 14/10/2009

 
 

Era terra do interior do interior de uma cidadela, lá qualquer criança era feliz, por que toda maldade ficava bem distante Foi onde nasceram as primeiras nuances rosas no mundo de Ísis, as primeiras descobertas, as grandes aventuras, brincadeiras, tudo era belo. Os caminhos daquele vilarejo tinham curvas longas e sinuosas, as pessoas eram meigas e gentis, as casas tinham mesas e bancos que pareciam ser feitas para gigantes sentarem, você podia até tentar colocar os pés no chão, mas não dava. Tudo parecia mágico.

Um dia Ísis viu seu mundo cor de rosa quase perder a cor. Em sua simples, mas feliz casinha vivia com a família, seu tio que resolver vizinhar com eles, digamos não era assim um “tio bacana”, por onde ele andava tudo se tornava meio marrom, por isso Ísis corria léguas daquele homem que aprontou algumas peripécias, começou discórdias, maltratou os animais de estimação da menina de forma tão cruel que não me considero no direito de revelar-lhes tão grandioso ultraje.

Foram tantas as dificuldades com o bendito homem marrom que a família, triste, resolveu fugir daquele lugar. Foi tudo escondido, as crianças iam todas abaixadinhas em meio à plantação com medo de serem vistas, levando algumas mudas de roupa e o sonho de que o mundo novo que teriam pela frente seria de novo cor de rosa, mesmo deixando sua casinha para trás, sua memória...

E de fato, em meio a uma chegada em terra desconhecida, necessidades, medos tomaram conta da menina, mas ela não parecia ser derrotada por esses novos sentimentos. Pelo contrário eles a fortaleciam, tornavam-na tão sonhadora, capaz de em meio a tantas dificuldades sonhar com seu mundinho perfeito, todo cor de rosa.

A família conseguiu comprar um terreninho em um lugar tão verde, com tantas flores, que mesmo sendo em meio a uma cidade, construir um casebre foi como construir um castelo. Era um casebre diferente de tudo que ela já tinha visto, como não tinha assoalho, a água da chuva passava por dentro da casa, podia até brincar de barquinho. Tudo era fantasia.

Mas ela sonhava com uma casa que pudesse fazer “clic” para acendar a luz, não ter somente terra para varrer no chão, queria um bem colorido como tinha nas outras casas. A luz, que nada era só lampião a querosene e aquilo fedia deixava uma fumaceira cinzenta que tornava seu mundinho um pouco feio, mas só quando ela por instantes deixava de lado seus sonhos.

Finalmente depois de tantos esforços e muitos anos Ísis e sua família viram a casa de alvenaria ficar pronta, ter luz e água. Ísis realizou seu sonho. Aí ela percebeu que a realidade poderia ser diferente se ela sempre acreditasse nos seus sonhos, mesmo que eles fossem rosa demais, distantes demais. A vida é assim, vendo lindas cores e aproveitando o que de bom há nela, tudo melhora e fica mais colorido, mais feliz. Assim é Ísis, vive ainda hoje por aí, sonhando seus sonhos rosa...
 


 

1 Licenciada em Letras (UNISC), Mestre em Letras – leitura e cognição (UNISC), Professora do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola.


 

 

 
  

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  Isaura da Silva Cabral é licenciada em Letras (UNISC), Mestre em Letras – leitura e cognição (UNISC), Professora do Instituto Estadual de Educação Ernesto Alves de Língua Portuguesa, Literatura e Língua Espanhola.

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