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Exposto no Museu
dos Novos "Greve huelga strike grève Streik", de 1986, medindo 2,10 X
2,70 cm, óleo sobre tela do artista santanense Marcello Ricardo Almeida.
prólogo – preso
neste quadro no museu dos novos onde a greve nunca termina e as cores
derramadas pelo sol sobre os cajus as pitombas as jaqueiras as
jabuticabas na fase terra do poeta da poesia pré-silábica as cores
solares sobre a cidade numa cartilha por onde se leem a avenida da paz e
da beleza de cruz das almas deságua o rio catolé
1 – a cidade criada
no miocárdio da feira do passarinho numa aglomeração de frutas e pernas
de moça onde aumentam morosamente acanhados e suntuosos o barulho do
trem nos trilhos e as casas de boa-sorte e as ruas coloridas e as praças
de bonecos de aço e os becos do comércio e a rua do sol onde nasceu o
poeta da poesia pré-silábica e os cinemas e as igrejas às esquinas
falatórios habituais de estórias de política e de poetas a gloríola das
biografias das flores do vergel do lago e das casas da levada e dos
gritos no rei pelé e dos acontecimentos no trapiche da barra
corriqueiros pescadores e suas jangadas nas areias da avenida da paz e
as ondas violentas do sobral e dos mandantes dos mandados e das escolas
os anos se encarregam em transformarem as lagoas e os mares de massayó
de maceió de ceió de mas-saió de mar
2 – uma cartilha por
onde muitos leem é avenida da paz e
o mundo continua como se fosse há dez 20 trinta 50 anos - outro século -
exceto maceió seu dinheiro é seu povo hospitaleiro de coração um riso e
um bom-dia no olhar dos coqueirais outros se casando crianças nascendo
pessoas morrendo a roda viva deixa maceió cheia de casas tontas e
muitas vão-se condicionando à beleza e sofrendo de contentamento e
liberdade mundaú e manguaba marmundaúguabalagoas não devem
satisfações a seu ninguém comer peixe todo dia e crustáceos que vestem a
mesa que incitam imigrações emigrações migrações ao paraíso
3 – o povo tem a beleza
que merece haverá
mesmo no mundo outra pajuçara quanto vale uma praia o sol e as barracas
a água de coco-da-baía verde em casas de palhas uma orla de
mulheres lindas e praias de areias largas de barcos os votos do povo
votos que farão representantes desse mesmo povo não haverá no mundo
outra pajuçara
4 – toda estrada dá na
praia de cruz das almas dias
sucedendo dias levando à praia de cruz das almas as imaginárias e nunca
vistas lugares de figuras marinhas de histórias de livros onde a baleia
cachalote encontra outras baleias e os pescadores em jangadas atravessam
galáxias de dias sucedendo dias de ondas sucedendo ondas levando para os
olhos das máquinas de fotografia o dia-a-dia que quiserem enquanto
aprisionam a beleza deixa cada vez cruz das almas levar em sua paz
porque toda estrada dá na praia de cruz das almas
5 – em jatiúca e ponta
verde deitam-se
os coqueiros sobre as praias num vaivém e vão continuar arrebentando o
quadro em sentido único de vicissitudes à antigas máquinas de guerra
usadas pra desmontarem muralhas onde todas as angústias morrem e o pato
é pago na feira do passarinho e o cordão vai continuar em volta da
academia de letras e do teatro deodoro num movimento oscilatório
6 – o rio catolé
de histórias costumam contar novos e velhos traz água catolé e dirá se
suas pedras falassem catolé naturalmente narrariam pescarias faustosas
de tabuleiros de casas o farol lhe espera as ladeiras e o palácio
dos martírios
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