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ISSN 1678-8419         última atualização em: terça-feira, 16 de outubro de 2007 21:54:43                                               

 
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Poesias

É cada uma...

   

Nair Lúcia de Britto

publicado em 03/09/07

              

É cada uma... que a gente vê
Na tevê!
Outro dia vi um indiozinho, na mata
Dizia ele ao repórter, numa tristeza só.
Dava dó...
-- Meu pai não pode pescar, é proibido
Responda quem for sabido
À pergunta que o pequerrucho fez:
-- Se a gente não pescar
Vamos viver do quê?

É cada uma... que a gente vê
Na tevê!
Um casal de noventa anos
Foi parar  na cadeia, sabe por quê?
Porque o filho deles devia
Pensão alimentícia
E a prisão sobrou para os pais
Isso é demais!

É cada uma... que a gente vê
Na tevê!
Cidadão quer trabalhar
E não roubar
Mas se falhar com a burocracia
Não tem fala macia
Não tem acordo, não tem nada...
O que tem é bordoada
Salve-se quem puder!

É cada uma que a gente vê
Na tevê!
Um homem roubou dois bifes
Para os filhos que choravam de fome
Não houve dúvidas
Apesar do homem ser trabalhador
Apesar da dor
Da família que chorava
O padrão foi durão
Sem coração...
Deu-lhe a devida punição!

E cada uma que a gente
Vê na tevê!
Mendigo não pode pedir esmola
O mendigo de hoje
Foi o trabalhador de ontem
A maioria...
Tem uma triste história
Sem glória
Que o levou a pedir...
O mundo dá muitas voltas
E pode inverter os papéis...
Aí que eu quero ver!

É cada uma que a gente vê
Na tevê!
De repente um cara mata
Uma vida, destrói uma família
Uma mãe...
Transforma sonhos
Em pesadelos
Alegrias em medos...
E o que acontece?
Rezemos uma prece
Porque o perigo ronda
E só Deus para ajustar as contas!

 
  

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Nair Lúcia de Britto é jornalista.

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