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A garça sem asa
Se chama Menina...
Morava na Lagoa da Saudade
Mas que maldade...
Agora mora num cativeiro!
A garça Menina
Tão branca, tão linda
Tão meiga, tão traquina
Nas águas do Lago
Do Morro da Nova Cintra
Era atração das pessoas
Que dela se aproximavam...
Sentia-se bonita e amada
Passeava imponente
Alegrava a gente...
Abrindo suas belas asas
A garça Menina
Não raciocina
Em termos de maldade
Ela é toda ternura
É toda brancura
Que a Natureza fez
Até que a insensatez
De dois adolescentes
Atraíram a ave inocente
Com peixes...
Depois, com um bambu
(Que tristeza!)
Quebraram uma das asas
Da ave indefesa...
Hoje presa...
E com saudades da Lagoa
Da saudade!...
Quem devia estar no cativeiro
São esses monstrengos
Que a Cultura da Violência
Inventou!...
Nair Lúcia de Britto
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