|
Essa
presença sólida e concreta
bem perto
das marés de luminosas colheitas
mostra
para a cidade
seus
guindastes vibrantes
na labuta
feliz e satisfeita.
Navios
que chegam avisam que venceram
atlânticas ondas de montanhas reinventadas
e
ancoram, cansados, no cais de sempre.
Cidade-porto? Porto-cidade? Dualidade.
Ah, o
espanto das rotas não contadas...
Faz longe
o outono
enquanto
no céu brincam as gaivotas.
Que
seríamos sem ti,
que a
modernidade escancara
à cidade
em que “a serra, quando neblina, açucara”?
Cidade-porto? Porto-cidade?Por ti, cidade.
A brisa
mansa ou o vento do orgulho
cobre-te
inteira e o noroeste alivia.
Não há
mudança de rota, nem falta o mergulho
no mar e
na areia atingida pela chuva fria.
Aqui,
tudo é dinâmico e a vida multiplica-se;
não há
tempo para se arrastar sem pressa.
O porto
ferve. A cidade vibra.
O
progresso cresce!
Cidade-porto. Porto-cidade. Realidade.
O mar
brilha como espelho puro
e nele
posso ler todas as respostas.
Não há
separação. Ancorada estou
na cidade
onde quase sempre é verão.
Porta de
entrada para muitas terras
ao
imigrante que aqui aportou
e fez
deste chão bendito, seu próprio chão.
Cidade
que tem um porto?
Porto que
tem uma cidade?
Pelos
guindastes-veias o progresso aumenta.
Das
pulsações da cidade o porto se alimenta.
A riqueza
de Santos, segura e concreta,
estrutura-se nesta integridade:
Cidade-porto. Porto-cidade. Porticidade.
|