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ISSN 1678-8419         última atualização em: segunda-feira, 01 de junho de 2009 23:46:30                                               

 
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POESIAS

Poesia bilingue

   

Remisson Aniceto

publicado em 01/06/2009

 

Áurea

Faço poemas

em versos negros

e versos brancos

para que todo poema

seja livre.

***

Áurea

Hago poemas

en versos negros

y versos blancos

para que todo poema

sea libre.

 

***

 

Insurrecto

Misérrima

vida

de favela

que vivi.

Desvalida

vida ávida,

desprovida,

vida sem brio,

sob pontes,

sobre rios...

Vi-a vil,

hostil,

dividida.

Quisera vê-la

à luz de velas,

baixelas...

Ah! Vida vil,

vil vida.

Viu vida mais vil?

Viu?

Ó Orco!

Ao me vires,

vil verme,

ousarei vê-la

in extremis

à luz de velas!

 

***

 

Insurrecto

Misérrima

vida

de favela

que viví.

Desvalida

vida ávida

desprovista,

vida sin brío,

bajo puentes,

sobre ríos.

La vi vil,

hostil,

dividida.

Quisiera verla

a la luz de velas,

vajillas...

¡Ah! Vida vil,

vil vida.

¿Vio vida más vil?

¿Vio?

Oh Orco!

Al verme

vil gusano,

osaré verla

in extremis

a la luz de velas!

 

***

 

Invólucro

Idiota! Não vês que nada és?

Apenas fina capa bolorenta te protege

da podridão. Vermes famintos te rodeiam.

Ignoras que num lance mágico, num segundo apenas

cai por terra toda a altivez e o belo

papel-presente revela a fétida massa?

O gosto amargo do fel, a visão incerta,

o entortar das pernas, o descontrole total...

tudo é inevitável!

Mais dia menos dia serás presa fácil:

o tempo é impiedoso.

O trágico fim independe de tua vontade.

A arrogância que despejas não passa

de faceta inútil das tuas diversas faces

vãs e mundanas.

Ao sol poente, o rosto murcho e os ossos corroídos

doerão mais do que naqueles que tiveram

a precaução e o bom senso de serem

simples e ocultos.

Restarão teus lindos cabelos...

E que utilidade terão teus cabelos, fios

órfãos e subterrâneos, dispersos, opacos

sobre os ossos.

***

Envoltura

¿Idiota! ¿No ves que nada eres?

Apenas fina capa mohosa te protege

de la podredumbre. Gusanos hambrientos te rodean.

¿Ignoras que en un pase mágico, en un segundo apenas

cae por tierra toda la altivez y el bello

papel de regalo revela la fétida masa?

El gusto amargo de la hiel, la visión incierta,

el torcerse de las piernas, el descontrol total...

todo es inevitable!

Cualquier día serás presa fácil:

el tiempo es impiedoso.

El trágico fin no depende de tu voluntad.

La arrogancia que derramas no pasa

de ser faceta inútil de tus diversas faces

vanas y mundanas.

Al sol poniente, el rostro marchito y los huesos corroídos

dolerán más que en aquellos que tuvieron

la precaución y el buen tino de ser

simples y ocultos.

Quedarán tus lindos cabellos...

¿Y qué utilidad tendrán tus cabellos, hilos

huérfanos y subterráneos, dispersos, opacos

sobre los huesos.

 

***

 

Transição

É tão fria a cova e tão escuro o horto

onde depositam meu corpo doente!

_ Como a cova é fria se o corpo é morto?

A partir de agora só a alma sente...

Ah! Esta cama rude onde estou deitado

e este quarto escuro e tão bem fechado!

Tento levantar, mas estou tão cansado...

Que rumor é esse ali no quarto ao lado?

Há um jardim bem perto: sinto o odor das flores.

Quero levantar, mas estou tão cansado...

Estou tão cansado mas não sinto dores.

E o rumor aumenta ali no quarto ao lado.

_ Desçam o caixão! _ diz alguém lá fora.

Quem morreu enquanto estive dormindo?

Bem perto da porta ouço alguém que chora,

lamentando a sorte de quem vai partindo.

Quero levantar, faço força tamanha

mas tenho as mãos inertes e o corpo duro.

Agora o padre reza numa língua estranha,

enquanto fico preso neste quarto escuro.

Está caindo terra sobre o telhado.

Parece que o mundo está desabando...

Falta-me o ar neste quarto fechado

e lá fora há uma multidão chorando.

Sinto um tremor leve, um breve arrepio...

Já quase nada mais estou sentindo.

Por que não me tiram deste quarto frio?

Alguém morreu enquanto estive dormindo.

É tão fria a cova e tão escuro o horto

onde depositam meu corpo doente!

_ Como a cova é fria se o corpo é morto?

A partir de agora só a alma sente...

 

***

 

Transición

Es tan frío el hueco y tan oscuro el huerto

donde depositan mi cuerpo doliente!

_ ¿Como el hueco es frío si el cuerpo está muerto?

A partir de ahora sólo el alma siente...

Ah! Esta cama tosca donde estoy echado

y este cuarto oscuro y tan bien cerrado!

Quiero levantarme, pero estoy cansado...

¿Que rumor es ese en el cuarto al lado?

Hay un jardín cerca: siento aroma a flores.

Quiero levantarme, pero estoy cansado...

Estoy tan cansado pero sin dolores.

Y el rumor aumenta en el cuarto al lado.

_ ¡Bajen el cajón! _ dice alguno ahora.

¿Quien murió en tanto estuve durmiendo?

Cercano a la puerta oigo alguien que llora,

lamenta la suerte de quien va partiendo.

Quiero levantarme, con fuerza tamaña

inertes mis manos y mi cuerpo duro.

Reza el sacerdote en una lengua extraña,

mientras quedo preso en este cuarto oscuro.

Va cayendo tierra sobre el tejado.

Parece que el mundo se está derrumbando...

El aire me falta en el cuarto cerrado

y una multitud está afuera llorando.

Siento un temblor leve, un escalofrío....

Ya casi nada más estoy sintiendo.

¿Por qué no me sacan de este cuarto frío?

Alguien murió mientras estuve durmiendo.

Es tan frío el hueco y tan oscuro el huerto

donde depositan mi cuerpo doliente!

_ ¿Como el hueco es frío si el cuerpo está muerto?

A partir de ahora sólo el alma siente...

Traducción: Graciela Cariello

http://revistainternacionaldepoesia18.es.tl/

 

 

 
  

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